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A Bandurra

25 maio 2018

Artigo arquivado em Hemeroteca
e marcado com as tags Conservadorismo, Crítica política, Dom Pedro I, Maranhão, Portugueses no Brasil, Primeiro Reinado

Redigido por João Crispim Alves dos Santos, A Bandurra foi um periódico lançado a 15 de janeiro de 1828, em São Luís (MA), durante os últimos momentos do Primeiro Reinado, portanto. Frente ao ativismo político pela causa liberal, à época, onde a observação aos princípios constitucionais e a rejeição ao absolutismo tinham grande expressão, defendia, contrariamente, os interesses da colônia portuguesa no Maranhão: comerciantes e funcionários públicos lusitanos, na província, tinham fortes laços com a metrópole desde os tempos coloniais, algo que havia dificultado mesmo a adesão maranhense à Independência. Isso fazia com que a folha defendesse tanto o governo provincial de Manoel da Costa Pinto, publicando assim diversos de seus atos oficiais, quanto o retorno do Brasil à condição de colônia. Sabe-se que A Bandurra acabou não tendo vida longa: circulou somente até sua 23ª edição, de 31 de dezembro de 1828.

Entre 1821 e 1831, circularam em São Luís cerca de 13 periódicos de matizes políticas distintas, propensos ao debate à medida em que serviam aos interesses de grupos políticos locais. Tais entraves políticos, afinal, davam-se na imprensa a partir de diferentes interpretações que as elites políticas e intelectuais faziam do liberalismo, sempre adaptado de acordo com seus interesses de classe ou grupo social. Alguns dos principais interlocutores desses debates foram, além d’A Bandurra, O Censor Maranhense (também ligado à população portuguesa na província), Farol Maranhense, Minerva, A Cigarra, O Amigo do Homem e A Estrela do Norte do Brasil: folhas que debatiam temas ligados à Independência e à monarquia constitucional, bem como aos direitos políticos dos cidadãos. Por parte dos periódicos mais explicitamente liberais havia grande crítica aos abusos de autoridades, apontadas como déspotas, em acusações que normalmente recaíam sobre funcionários públicos da alta burocracia, em sua maioria portugueses. Estes eram acusados de conspirar para o retorno do Maranhão ao sistema colonial, trabalhando, portanto, contra os interesses imperiais brasileiros, algo que aumentava o antilusitanismo entre os maranhenses. O Farol Maranhense foi uma folha de vulto, nesse sentido, e A Bandurra foi apenas uma das que foram lançadas quase que exclusivamente para combatê-lo. Nas palavras de Elisabeth Sousa Abrantes, autora do artigo "José Cândido de Moraes e Silva – o 'Farol' – atuação política nos debates e lutas do pós-Independência no Maranhão (1828-1831)",


Os periódicos redigidos por portugueses se tornavam alvos fáceis de críticas e suspeitas quanto às suas verdadeiras intenções, sendo acusados frequentemente de absolutistas e defensores dos interesses lusos, como era o caso de “A Bandurra” e “O Censor Maranhense”. As críticas também recaíam sobre jornais que se tornavam instrumentos de defesa de autoridades provinciais consideradas arbitrárias, como foram os casos de “A Bandurra” e “Minerva”, duramente criticados por defenderem a administração do Presidente da Província Manoel da Costa Pinto (02/1828 a 01/1829)3 e fazerem apologias ao ex-presidente Pedro Jozé da Costa Barros (09/1825 a 03/1827). (p. 4)




Fontes:

- Acervo: edições do nº 1, de 15 de janeiro de 1828, ao nº 23, de 31 de dezembro de 1828.
- ABRANTES, Elizabeth Sousa. José Cândido de Moraes e Silva – o “Farol” – atuação política nos debates e lutas do pós-Independência no Maranhão (1828-1831). Trabalho apresentado ao IV Simpósio Nacional Estado e Poder – Universidade Estadual do Maranhão São Luís, 8 a 11 de outubro de 2007. Disponível em: http://www.outrostempos.uema.br/curso/estado_poder/39.pdf. Acesso em: 25 abr. 2016.
- MADUREIRA, Vicente Antônio. José Cândido de Moraes e Silva. Revista Outros Tempos volume 6, número 8, dezembro de 2009 - Dossiê Escravidão. Disponível em: http://www.outrostempos.uema.br/vol.6.8.pdf/Vicente%20Madureira.pdf. Acesso em: 25 abr. 2016.
- SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.