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Arqueologia | Anunciada a descoberta da Pedra de Roseta

25 jul 2020

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A associação científica de Napoleão Bonaparte no Cairo, o Institut d'Égypte, recebeu em 25 de julho de 1799 um relatório do membro da Comissão das Ciências e das Artes, Michel Ange Lancret, que anunciava a descoberta de um monólito, grafado em três idiomas – grego, hieróglifos egípcios e demótico egípcio – batizado de “Pedra de Roseta”, em referência à cidade onde foi encontrado. Foi achado próximo de Alexandria, em 19 de julho, por um soldado francês, durante a campanha de Napoleão no país.

A Pedra de Roseta é apenas um fragmento de uma estela maior (coluna ou placa de pedra em que os povos antigos faziam inscrições, geralmente funerárias) e é considerada o texto multilíngue mais antigo da história. Apresenta escritos legislativos da Dinastia Ptolemaica, entre os séculos II e III a.C. e aponta que múltiplas cópias deviam ser edificadas nos templos do Egito na "linguagem dos deuses" (os hieróglifos – do grego, hieros = sagrado / glyphein = grafar), na "linguagem dos documentos" (egípcio demótico) e na "linguagem dos gregos". Seu grande valor histórico foi possibilitar a tradução da escrita hieroglífica egípcia, realizada pelo linguista Jean-François Champollion em 1822.

Champollion nasceu na França, passou a vida estudando as culturas e línguas orientais antigas e foi professor de História da Faculté des Lettres de Grenoble. Sua tradução é um dos maiores feitos nos estudos da cultura egípcia e, por isso, ele é considerado o pai da egiptologia. Seu trabalho rendeu-lhe, em 1831, a cátedra de Arqueologia do Collège de France, instituição de maior prestígio no cenário intelectual francês.

Ao traduzir as inscrições, Champollion percebeu que o trecho em grego era maior que o de hieróglifos e concluiu que cada símbolo poderia representar mais de um tipo de som. Uma vez decifrada, a Pedra de Roseta passou a ser considerada o mais antigo dicionário hieroglífico pois, até então, não se entendiam completamente os significados dos emblemas nas paredes dos templos.

Pouco antes da queda do Império Romano (século V), os hieróglifos tornaram-se uma linguagem morta e seu entendimento perdeu-se com o tempo, sendo as fontes existentes imprecisas. Portanto, a descoberta da Pedra de Roseta é considerada uma dos maiores achados da arqueologia, pois permitiu avanços fundamentais na tradução e compreensão contemporânea da literatura e da cultura do Antigo Egito.

Apesar de não ser a única fonte de tradução hieroglífica, sua importância é tamanha que o termo “Pedra de Roseta” passou a ser aplicado quando se desvenda um novo campo do conhecimento. A expressão também batizou vários softwares de tradução, mais comumente na sua forma inglesa, “Rosetta Stone”.

Desde 1802 é exibida como parte do acervo do Museu Britânico e em 2004 passou a ser apresentada dentro de uma caixa de vidro, especialmente construída no centro da Galeria de Escultura Egípcia. Uma réplica da Pedra de Roseta encontra-se na Biblioteca do Rei no museu.


Conheça algumas inscrições hieroglíficas, nas ruínas do palácio e templo funerário do faraó Ramsés III, parte da coleção Thereza Christina Maria da Biblioteca Nacional


Acesse a obra “Grammaire égyptienne, ou Principes généraux de l'Escriture sacrée égyptienne appliquée a la représentation de la langue parlée”, de Jean François Champolion


Acesse o “Dictionnaire égyptien en écriture hiéroglyphique”, de Champolion