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Bicentenário da Independência | Carlota Joaquina

29 jul 2020

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Nascida no Palácio de Aranjuez – Espanha – Dona Carlota Joaquina Teresa Cayetana foi a esposa do rei D. João VI e Rainha Consorte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Primogênita do rei Carlos IV da Espanha e da princesa Maria Luísa de Parma, casou-se em 08 de maio de 1785, aos 10 anos, com o infante de Portugal D. João – à época com 17 anos.

Figura polêmica na Corte, seu relacionamento conjugal nunca foi muito harmonioso, pois gostava de se intrometer na política e de impor suas vontades. Em 1805 foi acusada de se unir a fidalgos e conspirar contra o marido, alegando sua incapacidade mental para governar. Descoberta a trama, foi isolada no Palácio de Queluz, em Portugal, quando ficou conhecida como a “Megera de Queluz”. No entanto, com o bloqueio continental decretado por Napoleão Bonaparte e as invasões francesas em 1807, foi obrigada a mudar-se com a Corte Portuguesa para o Brasil.

Assim como em Portugal, no Brasil, Carlota Joaquina também ganhou gradualmente a antipatia do povo, que a acusava de promiscuidade. Seus hábitos e costumes mais liberais incomodaram muito os membros da corte, bastante tradicionais com relação ao comportamento feminino. Sempre antipática ao Brasil, aqui viveu alguns anos afastada da política, com o casal morando em palácios separados e reunindo-se apenas em ocasiões solenes.

Em 1821, a Revolução do Porto forçou o retorno de D. João VI e Carlota Joaquina para Portugal. Temendo uma morte iminente, o rei nomeou um conselho de regência para sua sucessão, presidido pela sua filha Isabel Maria de Bragança. Desta forma, Carlota Joaquina ficou fora da linha sucessória, algo inédito, já que a sucessão ficava sempre com a rainha viúva enquanto houvesse menoridade ou ausência do herdeiro no país. Na metrópole, recusou-se a assinar a Carta Constitucional e aliou-se ao clero e à nobreza em novas conspirações. Como punição, foi confinada na Quinta do Ramalho. Após a morte do marido, em 1826, apoiou o golpe do filho Miguel contra a rainha dona Maria II, filha de dom Pedro I. Com a derrota de dom Miguel, foi confinada em Queluz, onde morreu solitária e abandonada pelos filhos em 07 de janeiro de 1830. Encontra-se sepultada ao lado do marido, no mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. 

Carlota Joaquina tornou-se uma importante figura histórica e da cultura popular no Brasil, sendo o assunto de vários livros, filmes e outras mídias.

Veja a iconografia “D. Carlota Princeza do Brazil”.