BNDigital

Diario de S. Paulo (1865)

19 Nov 2015

Artigo arquivado em Hemeroteca
e marcado com as tags Abolicionismo, Comércio, Crítica política, Economia, Guerra do Paraguai, Imprensa oficial, Liberalismo, Religião, São Paulo, Segundo Reinado

Fundado em São Paulo (SP) no início de agosto de 1865 por Pedro Taques de Almeida Alvim, que havia sido o primeiro redator do Correio Paulistano, Delfino Pinheiro de Ulhoa Cintra Júnior e Henrique Schroeder, então dono da Typographia Alemã, o Diario de S. Paulo foi o primeiro órgão de imprensa ilustrado do jornalismo paulista, além de o segundo jornal de periodicidade diária a ser publicado naquela província. Impresso pelo maquinário de Schroeder e tendo os outros dois proprietários como redatores, pendia politicamente à liberal, ao menos em seus primeiros momentos, e defendia a abolição da escravatura. Com o tempo, além de ter colocado em debate questões relativas à Guerra do Paraguai, explorou pautas como a instituição do federalismo no Brasil, a necessidade de uma reforma eleitoral e questões religiosas. Apesar dessa postura, que poderia revelar certo caráter progressista, o jornal foi publicado somente até 1878, após mudanças em sua propriedade. Em 1929 outro Diário de São Paulo passou a circular na capital paulista, mas este empreendimento não tinha qualquer relação com o jornal homônimo do século XIX.

Em seus primeiros momentos, o Diario de S. Paulo dava grande atenção a assuntos de ordem econômica, preocupado com a lavoura e a indústria paulistas, e à Guerra do Paraguai. Em paralelo, não deixava de publicar material oficial, referente ao expediente da presidência da província, então em poder do Partido Liberal, e notícias e reflexões a respeito de efemeridades locais. Ao longo de 1866, o periódico foi deixando de noticiar o expediente oficial, passando a se ater aos desdobramentos políticos da política de conciliação entre os partidos Liberal e Conservador em âmbito nacional e local. Em sua edição nº 293, de 2 de agosto, deixou também de trazer os nomes de seus proprietários no cabeçalho, para, a partir do nº 304, de 15 de agosto, passar a estampar o nome de seu novo dono: Cândido Silva. Indicando certa independência, ao fim desse ano, na edição de nº 414, de 30 de dezembro de 1866, o jornal deixava clara sua insatisfação com os rumos da pátria durante o Segundo Reinado e com a classe política conciliada:

Só os cegos e os que interessão em não ver a realidade das cousas poderão julgar prospero e progressivo o estado do paiz. Só esses e os que costumão pactuar sobre as desgraças pátrias não verão o abysmo insondável a que o Brasil está fatalmente impellido – desde o momento em que a sua governação foi entregue a caducos, a creanças, e a essa massa de corruptos de ambas as grandes parcialidades políticas, que amalgamarão-se sem o mínimo escrúpulo sob o pretexto ou apparencia de liga.

Ainda na década de 1860, quando Silva havia colocado João Mendes de Almeida como seu redator-chefe, o Diario de S. Paulo travou embates com o semanário humorístico O Cabrião, muito pela linha jocosa dotada por Ângelo Agostini à folha.

Cândido Silva, a rigor, não permaneceu muito tempo com a batuta do diário. Antes de sagrar-se deputado, o banqueiro e cafeicultor Antônio da Silva Prado esteve à frente do Diario de S. Paulo, deixando-o, no entanto, no segundo semestre de 1867. No expediente, a partir do nº 636, de 1º de outubro de 1867, o capitão Paulo Delfino da Fonseca assumiu como editor da folha, onde ficaria, depois como proprietário, até a extinção da mesma, mais de dez anos depois.

Em 1º de junho de 1874, o Diario de S. Paulo passou a contar com os serviços da primeira máquina de impressão em grande formato da imprensa paulista. Isso, no entanto, não impediu a folha de deixar de ser publicado cerca de quatro anos depois, após a publicação de seu nº 3.792, de 18 de agosto de 1878. O seu material de impressão, na ocasião, passou ao Correio Paulistano.

Fontes:

– Acervo: edições do nº 7, ano 1, de 8 de agosto de 1865, ao nº 3.792, ano 14, de 18 de agosto de 1878.

– COHN, Amélia. Correio Paulistano. In: ABREU, Alzira Alves et al. (Coord.) Dicionário histórico-biográfico brasileiro pós-1930, vol. 2. Rio de Janeiro: Editora FGV; CPDOC, 2001.

– PILAGALLO, Oscar. História da imprensa paulista – jornalismo e poder de D. Pedro I a Dilma. São Paulo: Três Estrelas, 2012.

– SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.