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Memória | Último voo do Concorde 

29 jul 2020

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Quando o brasileiro Alberto Santos Dumont imaginou o avião e, efetivamente, criou o seu 14-Bis, abriu as portas da humanidade a essa máquina complexa e incrível. Sonho de qualquer criança, e de adultos também, voar é uma das façanhas mais espetaculares.

Mas a influência de Dumont não fica no âmbito dos sonhos. A realidade é que os aviões são essenciais na atualidade, para transporte de carga, hospitalar, de passageiros a negócios ou turismo, encurtando distâncias. Infelizmente, também são armas. Entretanto, aqui falaremos sobre o seu uso turístico e de empreendimentos comerciais, com uma pitada de espionagem industrial.

Idealizado por engenheiros franceses e britânicos, em uma, até então, rara cooperação internacional entre França e Reino Unido, fabricado pela Britsh Aircraft Corporation e operado pelas empresas Britsh Airways e Air France, o Concorde teve seu primeiro voo em 1975. A construção levaria mais de 15 anos, com incontáveis testes para a aprovação dos protótipos em desenvolvimento desde a década de 1960.

Design francês, com certeza, mas está lá a influência do Demoseille, de nosso Dumont (Jornal do Brasil, O Jornal), que teria inspirado os seus desenvolvedores: Sir Archibald E. Russel, Pierre Satre, Bill Strang e Lucien Servanty. Entretanto, a principal característica de engenharia desse avião, e que o diferenciaria de qualquer avião comercial de sua geração, era o fato de ser um supersônico. Um avião que rompe a barreira do som e, por isso, viaja mais rápido que os aviões convencionais. Uma viagem Paris-Rio duraria cerca de seis horas, metade do tempo usual, com essa aeronave.

Do desenvolvimento dos protótipos até a partida do primeiro Concorde, em voo comercial, em 1975, foram inúmeras as polêmicas. Em plena Guerra Fria (1960-1989), em que as relações internacionais entre países capitalistas e socialistas eram bastante tensas, a primeira que destacamos é a questão que envolveu denúncias de espionagem industrial, cometida por agentes russos, que estariam infiltrados em indústrias inglesas, para obterem informações que levassem a URSS a superar os problemas de projeto de seu Tupolev Tu-144, o Concordski (Manchete, O Cruzeiro).

Outro debate que tomou lugar, durante o desenvolvimento do projeto e a venda das aeronaves, foi a questão do barulho. Desde o princípio, essa era uma das preocupações dos engenheiros envolvidos na construção da aeronave: a explosão causada pela ruptura da barreira do som, algo típico em naves supersônicas, é algo ensurdecedor e incompatível com a proximidade urbana (Jornal do Commércio). Mesmo após pesquisas por um modelo mais silencioso, a aeronave utilizada sofreu vários entraves para operar em aeroportos em Nova Iorque (Opinião), Singapura (Diário da Tarde). Esses embargos foram considerados pela França como uma represália comercial dos países que impediram o uso do supersônico.

Riscos de acidentes, incêndio, colapso do mecanismo, foram outras questões levantadas nos anos posteriores ao uso comercial do avião (Diário do Paraná, http://memoria.bn.br/docreader/761672/119462, http://memoria.bn.br/docreader/761672/119329). Ao que a França argumentou que as informações colhidas, pelos críticos ao equipamento, teriam sido baseadas em um protótipo descartado na fase de testes, ainda em 1972.

Na aviação brasileira, o Concorde chegou no ano seguinte ao voo inaugural da aeronave. No dia 21 de janeiro de 1976, foi realizado o primeiro voo Paris- Rio de Janeiro. Considerado um veículo comercial dos mais promissores, a sua viagem foi anunciada pela Manchete como “Grande Voo do Concorde”, e traria uma nova linha permanente de ligação entre a Europa e o Brasil, prometendo velocidade e conforto aos passageiros (Manchete e seguintes). As passagens para os quatro primeiros vôos comerciais Paris-Rio se esgotaram ainda em 1975 (O Estado do Mato Grosso). Assim como o Rio de Janeiro, outras cidades brasileiras igualmente se organizavam para receber o supersônico. Manaus, por exemplo, procurou também adequar seu aeroporto (Alto Madeira).

Colecionador de vários recordes de velocidade (O Pioneiro) o Concorde chegou a ser considerado o avião mais seguro do mundo. A utilização da aeronave prosseguiu nas décadas seguintes, por 24 anos sem acidentes graves.

Entretanto, de manutenção cara e de maquinário delicado, o Concorde foi sendo gradativamente substituído por aeronaves de melhor custo-benefício. Até que, no ano 2000, o pior pesadelo virou realidade: uma queda causou um grave acidente em Paris que deixou 113 mortos (O Pioneiro). Atingindo um hotel, nas proximidades do aeroporto parisiense de Roissy, logo após a decolagem, um dos 13 Concordes em operação, esse fretado por um grupo de alemães e operado pela Air France, selaria o destino final da empreitada.

Esse grave acidente foi amplamente noticiado pela mídia internacional (Jornal do Brasil). Análise da caixa preta, e estudos imediatos ao acidente, apontavam falhas no equipamento, em especial no motor (Tribuna da Imprensa). Por conta disso, a certificação do voo foi imediatamente suspensa (Jornal do Commércio).

Aquele que seria a marca de uma era da aviação, encerraria suas atividades, após 28 anos de operação, em 31 de maio de 2003. O último voo do Concorde (Jornal do Brasil).


Explore outros documentos:

Informações sobre a fase de testes e compra das aeronaves

Diário do Paraná

Correio da Manha, http://memoria.bn.br/DocReader/089842_08/6136, http://memoria.bn.br/DocReader/089842_08/8059

Jornal do Commercio, http://memoria.bn.br/DocReader/364568_16/8438, http://memoria.bn.br/DocReader/364568_16/18924

Correio Braziliense

Diário de Notícias


Investimento da Britsh Airways

Jornal do Commercio


Estrutura interna do avião

Manchete


Expectativa de sucesso

Diário do Paraná


Duração de viagens

Correio da Manhã


Espionagem Industrial

O Jornal, http://memoria.bn.br/DocReader/110523_06/96876, http://memoria.bn.br/DocReader/110523_06/97023

Problemas ambientais e crise comercial

Movimento

Diário do Paraná, http://memoria.bn.br/DocReader/761672/118288, http://memoria.bn.br/DocReader/761672/119462

Perigos

Diário do Paraná


Queda do Concorde em Paris

O Fluminense

Tribuna da Imprensa, http://memoria.bn.br/DocReader/154083_06/3406, http://memoria.bn.br/DocReader/154083_06/6084

Jornal do Brasil, http://memoria.bn.br/DocReader/030015_12/15789, http://memoria.bn.br/DocReader/030015_12/15828

Jornal do Commercio