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Música | Emilinha Borba

03 out 2020

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Emília Savana da Silva Borba, a célebre cantora Emilinha Borba teve uma vida marcada por inúmeros sucessos. Dotada de uma grande voz, e eternizada pela marchinha Chiquita Bacana, música campeã do carnaval de 1949, Emilinha é considerada uma das grandes artistas da música popular brasileira e a que mais angariou títulos, troféus, faixas e coroas, concedendo-lhe o título maior de “Rainha do Rádio”. Aos 14 anos participou de programas de calouros na Rádio Cruzeiro do Sul. Junto a Bidu Reis se apresentava nas rádios tornando a dupla “As moreninhas” a porta de entrada para uma série de apresentações nas principais rádios brasileiras.

Em entrevista ao jornal A Noite de 1942, Emilinha conta que a sua primeira experiência como cantora profissional foi na extinta rádio Cajutí em 1937, embora boa parte dos registros apontem a Rádio Mayrink Veiga como sua importante incursão oficial. Uma de suas entusiastas não foi nada mais nada menos que a já famosa Carmen Miranda, que tinha como camareira a mãe da própria Emilinha. Carmen a incentivou a fazer um teste no Casino da Urca em 1939. Dali em diante grava o seu primeiro disco. Entre as canções estavam “Faça o mesmo” de autoria de Antônio Nássara e “Ninguém escapa” de Eratóstenes Frazão. A boa recepção de público e crítica a alçou a mais nova diva do rádio, abrindo convites para produções audiovisuais. Estreou mais de 30 películas, começando por “Banana da Terra” com os astros Carmen Miranda e Oscarito e dois sambas que gravara para o concorrido cineasta Orson Wells, produzido pelo cinema Atlântida.

As décadas de 1940 e 1950 são o auge da sua carreira. Contratos pela Ipanema, Odeon, Tupi, Rádio Nacional do Rio de Janeiro e pela emissora PRE-8, local onde permaneceu por mais de vinte anos conquistando posição de liderança entre a audiência. A “Garota grau 10” apresentava diversos programas de variedades na emissora. “Diário da Emilinha”, “Álbum da Emilinha”, “Emilinha Responde” e “Coluna da Emilinha”.

Entre as inúmeras participações, destacam-se o programa de auditório “César de Alencar”, exibido todos os sábados. Sucesso nas matinês cariocas! “A mais graciosa moreninha do rádio” reinava triunfante! A cantora de repertório variado e de versátil interpretação alcançou diversas honrarias, entre elas a “Rainha da Marinha”, resultado do concurso oferecido pela Rádio Nacional em 1947. Porém, o cobiçado título de Rainha do rádio foi conquistado pela cantora Marlene em 1949. Somente em 1953 Emilinha pode desfrutar da honraria, respondendo ao apelo popular, ora dividido entre a rivalidade construída entre as duas mais destacadas divas da era de ouro do rádio no Brasil: Emilinha e Marlene.

Após um hiato de 22 anos sem gravar, Emilinha reúne diversos cantores da MPB para o projeto “Emilinha Pinta e Borba”. Dois anos mais tarde sofre um infarto vindo a falecer aos 82 anos. Para aqueles que passaram os carnavais cariocas ao som das marchinhas “Tomara que chova”, “Marcha do Remador” e “Can Can no Carnaval”, os sucessos de Emilinha permanecem na memória afetiva dos foliões que, a cada ano, renovam os votos de alegria, missão plenamente cumprida pela nossa cantora do rádio!

Seção de Iconografia



A Scena Muda, 1942