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O Sylpho – Periodico fluminense

16 Nov 2017

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e marcado com as tags Catolicismo, Crítica política, Dom Pedro I, José Bonifácio, Liberalismo, Primeiro Reinado, Religião

Lançado a 6 de agosto de 1823 no Rio de Janeiro (RJ), onde circulou somente até sua 26ª edição, de 1º de novembro do mesmo ano, O Sylpho foi um pasquim liberal moderado editado sob o contexto da Independência do Brasil, processo que se estendeu de 1821 a 1825. Foi editado por amigos maçons de Joaquim Gonçalves Ledo e Januário da Cunha Barbosa, ex-editores do Revérbero Constitucional Fluminense, fechado um ano antes, com o primeiro sendo obrigado a fugir do Brasil.  Após a Independência, pela qual haviam lutado neste jornal, Gonçalves Ledo, Januário da Cunha e seus companheiros haviam caído imediatamente na “Bonifácia”, processo de espionagem, delações e condenação de figuras públicas encabeçado por José Bonifácio, que julgava os liberais não só como demagogos, mas como “anarquistas”. De certa forma, O Sylpho foi um periódico de defesa aos liberais perseguidos pelo recém-criado Império brasileiro – vindo a comemorar, em suas páginas, a anistia dos mesmos, já em 1823. O pasquim deixou de circular assim que isso aconteceu, já que perdia, na ocasião, sua função.

Entre outras questões políticas internas, O Sylpho tratou, ao longo de suas edições, de apoiar o processo de Independência sem deixar de clamar pela necessidade de uma Constituição para o recém-nascido Império, documento que só apareceria em 1824. Nessa defesa da monarquia constitucional, deu foco aos acontecimentos na Assembleia Geral Constituinte e Legislativa, dando espaço em suas páginas, inclusive, a alguns de seus participantes, como o então relator Pedro de Araújo Lima, futuro marquês de Olinda. Em paralelo, discutiu a adesão da Bahia à Independência, a 2 de julho de 1823. Moderado que era, o periódico ainda defendeu a permanência dos portugueses instalados no Brasil, ao contrário da ala liberal “exaltada”. Em certa ocasião, O Sylpho bateu-se contra um pasquim áulico da Corte, o Atalaia, de José da Silva Lisboa, de tendências absolutistas.

Não totalmente desconexo do que abordava quanto à situação brasileira, O Sylpho publicava ainda apologias à fé católica e tecia considerações sobre a situação política instável em outras monarquias. Seus exemplares eram impressos na Typographia de Silva Porto & Cia., mais conhecida pela impressão do Revérbero Constitucional Fluminense e de O Tamoyo, propriedade de Felizardo Joaquim da Silva Morais e Manuel Joaquim Silva Porto, livreiro oriundo da Impressão Régia.

Fontes:

– Acervo: edições do nº 1, de 6 de agosto de 1823, ao nº 26, de 1º de novembro de 1823.

– MOLINA, Matías Martínez. História dos jornais no Brasil: da era colonial à Regência (1500-1840) v. 1. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

– SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.