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Radical Paulistano – Orgam do Club Radical Paulistano

18 Nov 2015

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e marcado com as tags Abolicionismo, Joaquim Nabuco, Liberalismo, Republicanismo, Rui Barbosa, São Paulo, Segundo Reinado

Lançado na capital da província de São Paulo em 12 de agosto de 1869, o Radical Paulistano foi um periódico político do chamado “Club Radical Paulistano”, pertencente à ala considerada mais radical do Partido Liberal – que, futuramente, geraria o movimento republicano que destronaria a monarquia no Brasil. Tendo contado com redatores jovens como Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Luís Gonzaga Pinto da Gama, Martim Cabral, Bernardino Pamplona e Castro Alves, o jornal era tirado primeiro das oficinas da folha O Ypiranga, para depois ser impresso pelo maquinário do Correio Paulistano. Assim foram impressas suas apenas 26 edições, todas com apenas quatro páginas – ao passo em que, conforme ressalta Nelson Werneck Sodré, os jornais mais longevos da imprensa brasileira sempre foram conservadores, salvo pequenas exceções, o órgão radical foi publicado somente entre 12 de agosto e 13 de novembro de 1869.

Já em sua primeira edição o Radical Paulistano era taxativo: “O Partido Conservador está morto” e “A revolução caminha, é melhor pois que ela seja prevenida por medidas profundas e largas, antes que vê-la chegar de braços cruzados, ou peor ainda, precipitá-la mais depressa, continuando-se com o systema absoluto que nos governa”. Esse tom reformista, todavia, assumiria contornos verdadeiramente antimonarquistas apenas duas edições depois. O discurso político da folha, ademais, não estava desacompanhado de outras pautas progressistas; Oscar Pilagallo, em sua “História da imprensa paulista”, destaca a importância que o Radical Paulistano teve junto à luta pela abolição da escravatura, além de ter, naturalmente, revelado seus redatores para o restante da imprensa liberal brasileira:

Em São Paulo, a defesa mais contundente do abolicionismo estava distante do republicanismo conservador dos cafeicultores. Na imprensa, a campanha contou com a participação de Rui Barbosa, que a ela se lançara, ao lado de Luiz Gama, no jornal Radical Paulistano, em 1869, quando, ainda estudante de direito no largo São Francisco, chegou a morar com o poeta abolicionista Castro Alves, seu colega. Nessa publicação, “derrocando o princípio da propriedade civil, [Rui Barbosa] constrói os alicerces em que se apoiaria a emancipação dos nascituros”, escreve Elmano Cardim, em referência à Lei do Ventre Livre, assinada pouco depois, em 1871. (p. 39)

Em sua última edição, o Radical Paulistano louvava os nomes de quatro integrantes da corrente política a que pertencia: Bernardino Pamplona, Freitas Coitinho, Carneiro de Campos e Marcondes Varella.

Fontes:

– Acervo: edições do nº 1, ano 1, de 12 de agosto de 1869, ao nº 26, ano 1, de 13 de novembro de 1869.

– PILAGALLO, Oscar. História da imprensa paulista – jornalismo e poder de D. Pedro I a Dilma. São Paulo: Três Estrelas, 2012.

– SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.