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AO ENCONTRO DA COR

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CORPUS DE ESTUDO

O corpus de de estudo desta pesquisa concentra-se, inicialmente, nas primeiras produções editoriais infantojuvenis com ilustrações coloridas publicadas no Brasil. A maior parte dessas obras localiza-se no acervo de Obras Gerais, com alguns exemplares alocados em Obras Raras, da Biblioteca Nacional. Em seguida, serão abordados os impressos efêmeros nas figurinhas do jogo do bicho e, por último, os jogos e brinquedos impressos, além dos teatrinhos de montar – todos localizados na área de Iconografia.

Por meio da revisão de literatura, foi possível identificar a produção inicial literária destinada ao público infantojuvenil no Brasil que antecedeu ao marco inaugural, considerado por muitos autores na figura do escritor Monteiro Lobato (1882-1948), a partir da publicação de A menina do nariz arrebitado, em 1920. Entre as principais editoras do período, estão a Livraria Garnier, a Editora Laemmert, a Livraria Quaresma Editora, a Editora Francisco Alves e a Weiszflog Irmão.

O levantamento inicial propiciou a localização das obras relevantes para a pesquisa. Através da consulta presencial e da investigação visual direta destes exemplares, foi possível reconhecer os que usavam ilustrações coloridas e identificar as técnicas de impressão empregadas, com lupas e microscópios, e selecionar as publicações mais relevantes para o estudo. A partir da análise e da contextualização, a pesquisa concentrou-se principalmente na coleção Biblioteca Juvenil composta por cinco títulos traduzidos por Carlos Jansen Müller, publicados pela H. Laemmert & C., a partir de 1882.

A produção brasileira associada aos impressos efêmeros de caráter lúdico, aqui representados por figurinhas do jogo do bicho, brinquedos e jogos impressos ou teatrinhos de montar foi pouquíssimo abordada academicamente. De maneira geral, as publicações associadas aos hábitos e brincadeiras infantis nacionais tratam de peças tridimensionais, sejam brinquedos elaborados artesanalmente com tecido ou sucata ou os produzidos industrialmente, em madeira, metal ou, mais recentemente, em plástico. Pode-se justificar a lacuna de artigos ou publicações científicas dos efêmeros de caráter lúdico por sua fragilidade e, consequentemente, suas poucas chances de preservação, característica intrínseca aos acervos de tais impressos. Isso se torna mais evidente quando se trata de objetos produzidos em papel manipulados por crianças no uso cotidiano ou mesmo pelo desconhecimento desses acervos nas bibliotecas. As peças da Biblioteca Nacional, ao contrário de coleções particulares, não foram submetidas a uso, mas recolhidas diretamente de seus produtores conforme as leis do Depósito Legal ou do Direito Autoral.

Contribui para seu desconhecimento o fato de a maior parte desses efêmeros não estar catalogada adequadamente na base de dados da Biblioteca Nacional ao início da pesquisa, sendo incorporada ao catálogo digital, durante seu desenvolvimento. Da mesma maneira, boa parte do material tratado aqui foi digitalizado, graças ao empenho da área de Iconografia. Nenhum artigo nacional abordando essa amostragem de brinquedos impressos foi localizado ao longo do trabalho. Além das figurinhas do jogo do bicho (a partir de 1898), a amostragem concentra-se nos jogos e brinquedos impressos (entre as décadas de 1930 e 1940), representados pela produção da Weiszflog Irmão, que mais tarde se tornaria a Editora Melhoramentos, em atividade até os dias de hoje.

Assim, pretende-se aqui dar visibilidade e despertar interesse sobre esta memória gráfica brasileira, além de qualificar esta produção sobre seus aspectos os técnicos de impressão.

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