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Biblioteca Virtual da Cartografia Histórica: do século XVI ao XVIII

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CARTAS TOPOGRÁFICAS DA CAPITANIA DO RIO DE JANEIRO

Estes mapas são cartas topográficas e apresentam o título: “Cartas Topográficas da Capitania do Rio de Janeiro: mandadas tirar pelo Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Conde da Cunha Capitam General e Vice Rey do Estado do Brazil no anno de 1767”, foram feitas por Manoel Vieira Leão em 1767. Elas mostram a cidade do Rio de Janeiro e seus arredores, como também os limites da Capitania do Rio de Janeiro com a região das Minas e São Paulo.

A folha 2 do mapa mostra a barra do Rio de Janeiro, os Dois Irmãos, a Nossa Senhora de Copacabana, a Lagoa Rodrigo de Freitas, a Praia Vermelha, a fortaleza de Cotunduba, o Pão de Açúcar, Nossa Senhora da Glória, a Ilha das Cobras, a Armação das Baleias, o armazém de Pólvora, o rio de São Cristóvão, o rio Maracanã, o Engenho Novo, o rio Farinha, o engenho da Portela, a Ilha do Governador, Paquetá, a Ilha do Boqueirão, os rios Irajá, Meriti, Pavuna, Sarapui, Agoaçu, a Guarda do Pilar, o rio Saracuruna, a serra dos Órgãos, o rio Magé, o engenho do Carmo, o rio Guapemirim, o rio Macacu, a aldeia de São Bernabé, o rio São Gonçalo, o rio Trobobó e a aldeia de São Lourenço.

A folha 3 do mapa mostra o ribeirão das Lagens, a guarda Jurioca, os rios Pirai, Paraíba, do Bananal, a guarda e freguesia do Campo Alegre, o ribeirão de Pascoal Francisco, o rio Parapetinga, o ribeirão da Pedra e a serra da Mantiqueira.

A folha 4 do mapa mostra o rio das Araras, a serra da Manga Larga, o rio Magé, o sertão ocupado por índios bravos, os rios Piabanha, Paraíba, Paraibuna, e parte da Capitania de Minas Gerais.

A folha 5 do mapa mostra o rio de Santana, a serra de Manga Larga, Alferes, o rio Paraíba, o rio Preto, o registro de Paraibuna, Três Irmãos, Simão Pereira e o registro de Matias Barbosa.

A folha 6 do mapa mostra a região da Capitania de São Paulo, o rio Paraíba, o ribeirão de Pascoal Francisco, o rio Parapetinga, a serra da Mantiqueira e a região da Capitania das Minas.

A folha 7 do mapa mostra a Lagoa de Marica, Saquarema, o Pico do Quilombo, a serra dos Canudos, o morro do Chapão, o rio Tanguá, a capela e o pico de Nossa Senhora da Piedade, a serra de Sambai, o rio Bonito, a serra de Santana, os rios Macacu, Guapiguaçu, Mucindé e o das Águas Claras.

A folha 8 do mapa mostra a ponta de Cairussu, a enseada das Laranjeiras, a enseada de Cambori, a Ilha das Cobras, a enseada de Pensiguaba, o rio Pensiguaba, registro de Curralinho, a enseada de Ubatumirim, o rio Ubatumirim, o rio Tapoca, a Ilha dos Porcos, a vila de Ubatuba, o rio Parouba, o saco de Mamagua, a ponta de Cajaiba, a Ilha Deserta, a Ilha do Algodão, a vila de Paraty e o caminho que vai para São Paulo, o rio Paraty Mirim, o rio dos Meras, o registro do Boqueirão do Inferno, o morro de Boa Vista do Campo Aparição, o rio Jacui, a freguesia do Jação, o rio Pereitinga, cabeceiras do Paraíba, a guarda do Coitinho e a região da Capitania de São Paulo.

A folha 9 do mapa mostra parte da Capitania de Minas Gerais, o rio Imbé, as serras de Itacoa, a lagoa de cima, o engenho de Santa Cruz, o rio Muriaé, o rio Preto, o rio Paraíba e a serra do Mar.

A folha 10 do mapa mostra o rio da Veiga, Goitacazes, o rio Paraíba, São João, a lagoa do Campelo, o rio Muriaé, a aldeia de Santo Antônio, o engenho de Antônio Pereira, a capela de Nossa Senhora do Saco, a capela de São Gonçalo, a capela de Nossa Senhora do Carmo, o córrego de São Felipe, o rio Imbé, a região da Capitania do Espírito Santo, o rio Camapuã e a ponta de Manguinhos.

A folha 11 do mapa mostra a praia da Marambaia, a lagoa de Araruama, o rio Bento Leite, a aldeia de São Pedro, a cidade de Cabo Frio, a fortaleza da barra de Cabo Frio, a Tapera dos Religiosos Bentos, a Praia do Pero, a baía Formosa, a ponta de Búzios, o rio Uma, a guarda do rio de São João, Rio das Ostras, a praia de Iriri, a serra de Iriri, o rio Dourado e a aldeia de Ipuca.

A folha 12 do mapa mostra a restinga da Marambaia, a Ilha de Itacuruçá, a guarda de Sepetiba, a aldeia de Taguai, a guarda do Guandu, Santa Cruz Del Rey, o rio Guandu, a guarda de Guaratiba, a praia Curumirim, a lagoa de Camorim, São Bento, vargem dos religiosos de São Bento e a serra de Tanguá.

A folha 13 do mapa mostra a ponta de Joatinga, a barra de Cairuçu, a Ilha Grande, a barra de Marambaia, Abrolhos, os rios Muriqui, Iriri e do Saco, a aldeia de Mangaratiba, a ponta das Laranjeiras, o rio Ingaiaba, a vila de Angra dos Reis, os rios Mambucaba e Pirai, o morro das Cavareiras e o ribeirão dos Lagos.

A folha 14 do mapa mostra o sertão ocupado por índios bravos, o rio Paraíba e parte da região da Capitania das Minas.

A folha 15 do mapa mostra o rio Macaé, a aldeia dos índios “Guaralhos”, o rio de São Pedro, a serra do Mar, os rios Macabu e Imbé, o sertão ocupado por índios bravos, parte do rio Paraíba e parte das Minas.

A folha 16 do mapa mostra a capitania das Minas, o registro de Matias Barbosa, Medeiros, Marmelo, Juiz de Fora, Alcaide Mor, Antônio Moreira, Queirós e o rio Paraibuna.

Ao longo do século XVIII, o centro de gravidade da América portuguesa desviou-se do Nordeste para o Sudeste, e o Rio de Janeiro se impõe pela vontade real, como a principal cidade brasileira. Cabe ressaltar que seu progresso aconteceu em virtude de sua função militar, uma vez que a partir do Rio de Janeiro que os portugueses colonizaram o sul do Brasil e dirigiram as hostilidades contra os espanhóis do rio da Prata. A cidade também repousa sobre a descoberta do ouro de Minas Gerais, como rota obrigatória.

Segundo Celso Furtado, apesar de ter estimulado a forte alta de preços nos gêneros alimentícios, e ter gerado, portanto, a fome, a mineração trouxe saldo positivo para algumas regiões coloniais, fomentando o desenvolvimento, de áreas abastecedoras, como o incentivo da criação de gado no sul e no nordeste do Brasil.

É importante mencionar que foram criadas estradas específicas para a região, como o Caminho dos Currais do Sertão, para a Bahia; o Caminho Velho, que ligava o rio das Mortes e o arraial de Vila Rica aos portos de Santos ou Parati, passando pelo interior de São Paulo; e o Caminho Novo para o Rio de Janeiro, passando pelos rios Paraíba, Paraibuna, Irajá e Iguaçu.

Na segunda metade do XVIII, o Rio de Janeiro ultrapassou o recinto imaginário formado por seus quatro morros originais. As transformações da cidade eram também de ordem intelectual. Após alguns anos do aparecimento de sociedades eruditas em Lisboa, mentes ilustradas do Rio de Janeiro abriram na cidade Academias mais ou menos efêmeras.


REFERÊNCIAS

CUNHA, Lygia F. F. Álbum Cartográfico da cidade do Rio de Janeiro: séculos XVII e XVIII. In: Catálogo da exposição organizada pela Seção de Iconografia. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1978.
ENDERS, Armelle. História do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Gryphus, 2002.
FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1959.
VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

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