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Biblioteca Virtual da Cartografia Histórica: do século XVI ao XVIII

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CORSO DEL FIUME DELL AMAZONI

O mapa com o título “Corso del fiume dell Amazoni”, de autoria de Vincenzo Coronelli, foi feito no ano de 1695.

No canto superior do mapa aparece como título: Corso del fiume dell Amazoni. Descritto Dal P. Cosmografo Coronelli e dedicato All’ Illustrissimo Signore Alessandro de Verazzano, Nobile fiorentino.

O mapa que retrata o norte da América do Sul, do Oceano Pacífico (Mare del Sud) ao Oceano Atlântico (Mare del Nord) tem como principal objetivo mostrar o curso do Rio Amazonas que, no mapa, nasce em Quito, no Equador e se estende até o Pará, no território brasileiro.

Quanto a seus afluentes, destacam-se os rios: Aguario, Cheuclus, Uza, Yurupazi, Yupura, Doro, Arganatuba, Bafurura, Cariguacuria, Canuris, Urixamina, Doro Yriquiriqui, Curupataba, Guinipape, Pacaxa, Pacache, Paranaiba, Cayane, Madera, Layari, Rio de Bois, Pavanamiri, Grande, Cuchignara, Cusignares, Catua, Tapy, Amarumage, Amerumaye, Cusco, Lurue, Yetau, Curaray, Napo, Coca Junta de los Rios.

É importante ressaltar as ilustrações, que aparecem no mapa, de rios, lagos, aldeias, cidades, animais silvestres da fauna e da flora e a representação dos indígenas, seus rituais de antropofagia e guerra.

No que tange os índios, o gentil dominante, na região do Amazonas, era o Tupinambá. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, entraram em contato com diversas tribos, localizadas na zona litorânea, e um dos grupos mais importantes foi, justamente, o dos Tupinambás, um dos grandes inimigos da colonização portuguesa, que, espalhados por uma parte da costa brasileira, se encontravam, sobretudo, na Bahia e no Rio de Janeiro, migrando, mais tarde, para o Maranhão, o Pará e a ilha de Tupinambaranas (Amazonas).

Segundo Ronaldo Vainfas, a palavra índio como designativa dos povos nativos da América, resultou, antes de tudo, do equívoco de Colombo, que julgou ter chegado às Índias e não ao novo continente, em 1492.

No Brasil colonial, índio era termo empregado para designar as mais diversas etnias, grupos e culturas nativas. Cabe ressaltar que, os colonizadores inseriram os índios no imaginário cristão, classificando-os não a partir das tradições indígenas, mas do ponto de vista europeu.

No Brasil, desde cedo, os religiosos, sobretudo os jesuítas, destacavam a humanidade dos índios e seu pendor para a cristianização. No entanto, muitas vezes, os próprios jesuítas, duvidavam das possibilidades de catequese diante do canibalismo, da nudez e de certas manifestações que chamaram de feitiçaria. Os colonos, por sua vez, não tinham dúvida em classificar os índios como selvagens e bárbaros.

As guerras, o canibalismo e a nudez resultariam do domínio infernal sobre o continente, só extirpáveis pela intervenção da cruz ou da espada. A colonização, portanto, desempenharia a missão de reverter a degradação, regenerar e salvar as almas que padeciam de tormentos infernais.

Nos primeiros séculos de colonização, havia, portanto, uma dicotomia básica. Os missionários, particularmente os jesuítas, defendiam a conversão e a “liberdade” dos índios, enquanto os colonos, necessitados de mão-de-obra, lutavam pelo direito de escravizar os nativos.

No que tange a exploração da região amazônica, Jaime Cortesão afirma que, enquanto o vale amazônico não se abriu aos portugueses, o Brasil foi considerado vasta ilha limitada pelo Prata e o Tocantins unidos por um lago. Estender a soberania política a esta região, foi o sonho dos portugueses e luso-brasileiros, perseguido durante um século.

Entretanto, não foi sem dissídios e conflitos mais ou menos violentos entre as partes interessadas, ou melhor, entre seus representantes no Novo Mundo, que se operou a dilatação formidável da conquista.

Revelada por Orellana em 1512 a magnitude gigantesca do Amazonas, o norte da expansão brasileira muda. Nos primeiros anos a fundação e a defesa da Colônia foi muito auxiliada pelos franciscanos da Província de Santo Antônio. Só mais tarde, jesuítas e carmelitas os substituíram nessa obra.

A expansão portuguesa na Amazônia obedeceu a dois fatores essenciais: o econômico – a busca de especiarias, a que se chamavam “as drogas do sertão” e a da mão-de-obra indígena; e o político – estender a soberania portuguesa tanto quanto possível à vasta unidade geográfica, econômica e humana da bacia amazônica. Mas fator econômico e político fundiam-se. As mesmas ordens religiosas, quase sempre impregnadas de proselitismo e piedade cristã, não deixaram, quer de participar do movimento econômico, quer da política de Estado, de que foram por vezes eficazes instrumentos. Mas os portugueses revelaram também aqui a sua excepcional consciência do espaço, capacidade de expansão e intuição política.

Para Sérgio Buarque de Holanda, a expansão processou-se, por isso mesmo, sem demora e cobriu uma extensão imensa do mundo amazônico. Foi rápida, impetuosa e realizada sem grandes contingentes humanos. E resultou numa nova fronteira. A que se fixara em Tordesilhas, já não satisfazia, nem tinha mesmo mais sentido. A ocupação do delta, assegurando liberdade de movimentos, convidava à penetração do interior.

No ano de 1750, o Tratado de Madri, legalizou a obra da irradiação sertanista, realizada por todo o sertão brasileiro, a Amazônia fora penetrada intensamente, por sertanistas, colonos, religiosos, autoridades civis e militares que subiram e desceram rios, vararam ou contornaram cachoeiras, distanciando-se do litoral ,muitas centenas de léguas.


REFERÊNCIAS

CORTESÃO, Jaime. História do Brasil nos velhos mapas. Rio de Janeiro: Instituto Rio Branco, 1957.
DOMINGUES, A. “Ameríndios no norte do Brasil na Segunda metade do século XVIII: as contradições da liberdade”. Revista da SBPH. Curitiba, 12: 1997.
HOLANDA, Sérgio Buarque (org). História Geral da Civilização Brasileira. Rio de Janeiro: Bertrand, 1989, v.1. p. 29-34.
VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

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