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Biblioteca Virtual da Cartografia Histórica: do século XVI ao XVIII

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MAPA DA COMMARCA DA BAHIA DE TODOS OS SANTOS SEGUINDO A CONTINUAÇÃO DELLA PARA O POENTE

O mapa com o título “Mapa da Commarca da Bahia de Todos os Santos seguindo a continuação della para o poente”, é de autor anônimo e foi feito no século XVIII.

O mapa da Comarca da Bahia de Todos os Santos abrange desde o litoral até o interior do atual Estado da Bahia. Do lado direito aparece uma parte do litoral do atual Estado da Bahia, do Rio Jiquiriça [Barra do Jequiriça] até a Villa de São Francisco [São Francisco do Conde], sendo retratadas diversas ilhas com destaque para a de Santa Anna e a de Taparica [Ilha de Itaparica].

Diversos topônimos estão distribuídos por todo o mapa e indicam rios, engenhos, ilhas, caminhos, cidades e vilas, sendo que, as vilas são as seguintes: Villa de Jaguaripe [Jaguaripe], Villa de Maragojipe [Maragojipe], Villa da Caxoeira [Cachoeira], Villa de São Francisco [São Francisco do Conde], Villa de Santo Amaro [Santo Amaro], Villa de Água Fria [Água Fria].

De acordo com Vainfas, a construção do território do que se poderia chamar de América Portuguesa foi tecida ao longo de três séculos e com flagrantes descontinuidades. A maior delas, sem dúvida, foi a iniciada com a União Ibérica, que unificou as duas Coroas ibéricas e seus territórios coloniais, entre 1580 e 1640. E foi durante o período da dominação filipina que o Brasil teve boa parte de seu território conquistado, a exemplo da expansão ao norte e ao sul, com a ocupação efetiva do Maranhão, de parte da Amazônia e do extremo sul.

Quanto às capitanias que aparecem no mapa, destacamos que, as grandes divisões territoriais do Brasil também ocorreram a partir da dominação filipina, embora, no curto período de 1572-77, D. Sebastião tenha instituído, a par do Governo-geral sediado na Bahia, um governo autônomo no Rio de Janeiro.

Quando nos referimos à região nordeste, destacamos que esta é uma das cinco grandes regiões do Brasil e compreende os atuais estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco (incorporando a Ilha de Fernando de Noronha, de acordo com a Constituição de 1988), Alagoas, Sergipe e Bahia.

Isa Adonias afirma que, a partir de 1504 os franceses começaram a freqüentar o litoral brasileiro como contrabandistas do pau-brasil, estabelecendo relações amigáveis com diversas tribos indígenas e pondo em perigo o domínio português. Como foram infrutíferos os protestos de D. Manoel I e D. João III junto a corte dos Reis da França, organizaram-se em Portugal expedições de guarda-costas. As mais conhecidas foram comandadas por Cristóvão Jacques, entre 1516 e 1528. Martim Afonso de Sousa e seu irmão Pero Lopes de Sousa também combateram os contrabandistas franceses, em 1531 e 1532, cumprindo uma das missões de que estavam investidos.

A necessidade de defesa e de povoamento do Brasil levou D. João III a instituir o sistema de capitanias hereditárias na colônia, criadas de 1534 a 1536. Na área do Nordeste criaram-se as Capitanias do Maranhão (duas), Ceará, Rio Grande do Norte, Itamaracá, Pernambuco ou Nova Lusitânia, Baia de Todos os Santos, Ilhéos e Porto Seguro, todas limitadas no interior pela linha de demarcação fixada entre os domínios português e espanhol, no Tratado de Tordesilhas, de 1494.

Alguns donatários nem chegaram a tomar posse das áreas doadas, outros tiveram insucesso na tentativa de coloniza-las, mas alguns foram bem, ou regularmente sucedidos. Nestes casos houve concessões de sesmarias, início do povoamento, incentivo ao plantio, fundação de engenhos, ereção de povoados, cidades e fortificações.

A instituição do Governo-Geral, em 1549, com sede na Bahia, por sua posição central, veio atender à necessidade de imprimir maior rapidez e eficiência ao povoamento, à valorização econômica e à defesa do Brasil. O esforço conjunto dos Governos-gerais e dos donatários, apoiados pelas diretrizes metropolitanas, estendeu o povoamento, ao norte, até Natal.

>Ao consumar-se a União Ibérica (1580-1640), holandeses, ingleses e franceses passaram a unir forças numa comum agressão às colônias portuguesas e espanaholas. Por isso, os esforços para a defesa do litoral tiveram de ser redobrados. Realizaram-se, então, no último quartel do século XVI, a conquista e colonização de Sergipe (1589) e a fundação, no ano seguinte, da Cidade Real de São Cristóvão; a conquista da Paraíba (1596-7), que foi precedida pela fundação da terceira cidade do Brasil, Filipéia de Nossa Senhora das Neves e do Forte de São Filipe, que, ao ser reguarnecido, passou a chamar-se Forte de Santa Catarina do Cabedelo, e por fim, a conquista do Rio Grande do Norte (1597-8), que deu origem a Natal, outra Cidade Real, e ao Forte dos Reis Magos, erguido para defendê-la.

REFERÊNCIAS

ADONIAS, Isa. Mapa: imagens da formação territorial brasileira. Rio de Janeiro: Odebrecht, 1993.

_____________ A Cartografia da Região Amazônica. Catálogo descritivo: 1500-1961. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, 1963.

CORTESÃO, Jaime. História do Brasil nos velhos mapas. Rio de Janeiro: Instituto Rio Branco, 1957.

VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

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