BNDigital

A França no Brasil | La France au Brésil

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Créditos

FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL:

• Presidente: Renato Lessa

• Diretora Executiva: Maristela Rangel

• Diretora do Centro de Processos Técnicos: Liana Gomes Amadeo

• Coordenadora do Projeto: Angela Monteiro Bettencourt

• Produção de Textos:

- Professores convidados: Andrea Daher (UFRJ), Fernanda Arêas Peixoto (USP), José Murilo de Carvalho (UFRJ), Lorelai Kury (UERJ/FIOCRUZ), Lúcia Bastos Pereira das Neves (UERJ), Tania Bessone da Cruz Ferreira (UERJ).

- Fundação Biblioteca Nacional: Irineu Jones Correa, Iuri Lapa e Silva, Mila Santos de Paula, Mônica Ribeiro e Paulo Miguel Fonseca.

• Base de dados e intercâmbio de dados: Angela Monteiro Bettencourt e Geraldo Gonçalves.

• Digitalização: Laboratório de Digitalização da BNDigital

• Biblioteca Nacional Digital: Daniele Cabral; Ianomani de Oliveira Costa; Mila de Paula; Mônica Ribeiro; Otávio Alexandre Jeremias de Oliveira; Paulo Miguel Fonseca; Sonia Noventa; Vinicius Martins.

Apresentação

Talvez seja possível fixar o ano de 1551 como o de início da vulgarização do imaginário francês sobre o Brasil, considerando-se a data de aparição do primeiro documento iconográfico sobre o nosso país impresso na França. Trata-se da gravura ilustrativa das festividades organizadas para celebrar Henrique II e sua corte, que assistiram em Rouen, em 1550, a uma encenação com cinquenta tupinambás e marinheiros normandos. Mas a origem propriamente dita do imaginário é tão antiga quanto as primeiras décadas da Descoberta, mais precisamente quando o franciscano André Thevet, embarcado com Villegagnon, publica As Singularidades da França Antártica (1558), texto de grande repercussão na França.

Todo imaginário social é algo quase substancial e palpável em formas ou entidades universalmente produzidas, seja ao nível das formações coletivas do inconsciente, seja como repertório das imagens mentais, retratos, figuras projetivas etc. produzidas por relatos de viagens e narrativas de vários gêneros. É um fenômeno mais cultural do que civilizatório, se entendermos civilização como uma espécie de "entidade cultural mais ampla" ou como conceito para todo padrão de conquistas materiais, alcançado por povos ou países agrupados segundo ancestralidade, história, religião, costumes e valores comuns. Por sua amplitude, a civilização apresenta-se como mais fechada e menos mutável do que a cultura, entendida como dinâmica das trocas, dos empréstimos e das mudanças.

E toda cultura é, no limite, "antropofágica", isto é, tendente a absorver o Outro que lhe apetece. Ao longo dos séculos, a abertura do Brasil aos estrangeiros, alimentou o imaginário –– presente nos relatos de viagens, nos textos de naturalistas e numa profusa iconografia – que, a seu modo, contribuiu para o intercâmbio civilizatório. A missão artística francesa no século XIX e as missões francesas de ensino em universidades brasileiras no século XX são exemplos marcantes.

Este portal digital conjunto das bibliotecas nacionais da França e do Brasil consolida uma tradição multissecular de encontros e trocas de objetos e imagens culturais entre duas formações civilizatórias que sempre se mostraram mutuamente sedutoras no sentido amplo do termo. De novo mesmo existe o grande aporte dado pela tecnologia da informação, que permite a digitalização e a disponibilização pela Internet de todo um acervo de documentos representativos –– mapas e fotografias, textos impressos e desenhos – da história das relações entre a França e o Brasil desde os albores do século XVI até o início do século XX.

Agora, sob o influxo poderoso das tecnologias do virtual, talvez se deva trocar o termo "imaginário" por "imagística" ou imagerie digital. Mas o importante mesmo é que quatro séculos de diálogo se exponham democraticamente ao olhos do público franco-brasileiro.

* Muniz Sodré foi presidente da FBN de 2005 a 2010

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