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A Caricatura: periódico satyrico teatral

por Maria Ione Caser da Costa
O primeiro exemplar de A Caricatura foi publicado no Rio de Janeiro, na então capital do Império do Brasil, em 14 de outubro de 1851, período correspondente ao Segundo Reinado. Este é o único exemplar existente na Biblioteca Nacional. Não se conhece a existência de outros. No cabeçalho, logo abaixo do título, aparece a informação “Publicação indeterminada”, o quê pode ser entendida como dúvida na periodicidade a ser aplicada à publicação.

Foi editado pela Typographia de Santos & Silva Junior, situada na rua da Carioca, nº 32. Vendia-se o número avulso por 40rs, que poderia ser comprado na rua do Ouvidor, 158, no Largo do Rocio 54 ou no Largo da Lapa, 7.

Com quatro páginas, diagramado em duas colunas divididas por um fio simples, A Caricatura não publicava qualquer ilustração em suas páginas. Exceção apenas para arabescos e contornos que serviram de moldura ao título, no alto da página. Não são encontrados os nomes de seus editores ou mesmo a autoria dos artigos publicados.

O subtítulo abona a informação de ser o periódico voltado para a área teatral. A palavra “satírico” nos faz entender que a intenção poderia ser fazer piada ou comicidade com o assunto em questão.

As palavras do editorial com o título “Proemio” são as seguintes:

Meia dúzia de palavras escriptas n’um papel, as mais vezes, explicão o pensamento do escritor, e annuncião suficientemente seus deveres e conveniências em face da sociedade para quem escreve, e cuja maioria terá de julgal-o.
Chegamos a uma época em que é necessário acordar a atenção publica e dirigil-a para o seio das ledices e folguedos honestos; e pois, entrados n’este orgulhoso empenho, faremos esforço a prefazer o fim. Não amoveremos um passo do tramite a que nos traçamos; pretendemos ser utilitarios pela satyra que escrevemos; e, quanto em nós couber, faremos, para florir, activar, e prosperar os nossos theatros.

Para ilustrar transcrevemos abaixo um soneto publicado na página quatro.

Soneto
Offerecido á jovem Montani


Brindada sempre em scena com mil flores
Qual astro apparicias – fulgurante,
Entre palmas e louros triumphante,
Sem os ZOILOS temer dos BASTIDORES!

Despresa a mordaz trella d’uivadores;
Tua carreira prosegue! eia, avante!
Estuda sem cessar, jovem galante,
Que do PALCO serás um dos primores!

Si um só de teus rizos alcançara,
Esse ATHEO, ou villão que te atroplella;
Quem sabe si de gosto se enforcara?!

Dá-lhe uns cobres p’ra que elle MOLHE GUELLA
E ouvirás bradar logo: (o meia cara)
Quem mais bella que tu, MONTANI, bella!

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