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A Rosa do Lar: revista mensal litteraria e religiosa dedicada ás famílias

por Maria Ione Caser da Costa
O mensário A Rosa do lar foi lançado na cidade de Uberabinha, atual Uberlândia, no Estado de Minas Gerais no dia 12 de setembro de 1909. Recebeu o pomposo subtítulo de revista mensal litteraria e religiosa dedicada ás famílias. O diretor responsável era o Dr. Pedro Salazar Moscoso da Veiga Pessoa e era propriedade de “Sinhá Salazar”, como grafado no cabeçalho da publicação, apelido da senhora D. Paulina Loureiro Salazar Pessoa, esposa do diretor.

Na Biblioteca Nacional pode ser encontrado apenas o exemplar número um, podendo ser consultado em seu formato original, não estando digitalizado até o momento.

O periódico A Rosa do lar foi impresso nas oficinas da Livraria Kosmos em Uberabinha. Possui oito páginas no formato 47 cm X 27 cm.

Os textos foram impressos em tinta de cor azul e as páginas estão diagramadas em duas colunas. Uma cercadura dupla adorna cada texto, formando uma moldura e separando as colunas. Um filete em ramas de flores ilustra cada uma das páginas, num bonito visual.

Com o título Os nossos intuitos, Pedro Salazar apresenta a publicação:

Na quadra sombria que atravessamos, em que a sociedade brazileira parece abalada em seus primeiros fundamentos pelo espírito de anbarchia e impiedade que pretende invadir todas as classes e apagar para sempre o phanal de suas esperanças e sacrifícios, não é para admirar que a impensa, que é a mais alta expressão da consciencia social, assuma aqui e alli uma attitude francamente religiosa diante das idéias subversivas que de muito divulgadas na praça publica, nos theatros e nas escolas, já vão repercutindo no sanctuario do lar domestico, pondo em risco o mais precioso patrimônio da família christã – a fé que dá a virtude, a virtude que nmasce da fé, e a paz dos corações que se formaram no culto do amor de Deus para fruírem, em todos os transes desta vida de inquietações, as doces consolações das esperanças do Céo; pelo contrario é imprescindível qie o jornalismo catholico erga com firmeza a sua voz em auxilio daquelles que, por seducção ou vaidade, se transviaram no caminho da verdade para cahirem no abysmo moral em que parecem afflictos os que se afastam da Cruz.

A Rosa do lar publicou poemas, uma “comédia em um ato”, crônicas e notícias de um modo geral, todos de autoria do Dr. Pedro Salazar e um poema de Julinda Alvim.

Para ilustrar, selecionamos o soneto de Julinda Alvim, publicado na página 7 da publicação.


Epitaphio

Esposo e Pae, nosso adorado amigo!
na colidão de teu repouso brando
não houves, á tardinha, perpassando
um suspirar maguado em teu jazigo?

São nossas almas que, no desabrigo
em que as dixastes o nosso lar deixando,
uma dorida prece murmurando,
vêm um conforto procurar comtigo.

Tú, que na vida nos amaste tanto,
guarda na morte o desolado pranto
que derramamos nesta solidade.

E queira o nosso Deus Omnipotente
nos reunir em breve, eternamente
desabafando esta cruel saudade!

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