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Aristolino

por Maria Ione Caser da Costa

Surgida em julho de 1924 no Rio de Janeiro, Aristolino era uma revista de distribuição gratuita. Para se tornar assinante bastava enviar o endereço completo para o endereço indicado no expediente, à rua Dois de Dezembro, n. 77. Foi impresso na Livraria, Papelaria e Litho-Typographia Pimenta de Mello & Cia., localizada na rua Sachet, 34, atualmente é a Travessa Ouvidor. Tinha periodicidade semestral.

Aristolino era nome de um sabonete líquido medicinal. Tratava-se de um periódico propagandista, oferecendo matérias sobre produtos e sua influência na aparência e na saúde.

O subtítulo de Aristolino no primeiro número era revista de informações, literatura e variedades. A partir do segundo, passou a aditar revista calendário semestral. A coleção da Biblioteca Nacional é formada por seis exemplares que podem ser consultados através da Hemeroteca Digital.

Seus editores eram Oliveira Júnior & Cia. Tratava-se do Laboratório Pharmaceutico de Oliveira Junior & Cia. Ltd., nome do farmacêutico responsável e proprietário.

O primeiro exemplar não publicou editorial. O segundo, entretanto, inicia com uma carta com o título de Ao leitor. Nela os editores partilham a alegria com o sucesso alcançado no primeiro exemplar e falam da motivação em continuar com a empreitada.

Instantemente desvanecidos com o generoso e animador acolhimento dispensado ao 1º numero da nossa revista – ARISTOLINO, - cuja edição foi preciso ser aumentada para podermos atender ao grande numero de pedidos diariamente recebidos de todos os ESTADOS, nos animamos a publicar o 2º numero, correspondente ao semestre de Janeiro a Junho de 1925, da nossa despretenciosa publicação, melhorando com mais amplas informações, variadas photogravuras, composições e diversas e agradabilíssimas surpresas. Não deixa de ser de nossa parte um grande esforço e o fazemos para corresponder á gentileza e auxilio a nós dispensados pelos nossos bondosos leitores, amigos e fregueses, É justamente animados pela preferencia dada aos nossos productos, pelo estimulo e pelo augmento sempre crescente do consumo de nossas especialidades que não desanimamos e prosseguimos na mesma derrota, accumulando dia a dia novos conhecimentos dos que soffrem. – MENS SANA IN CORPORE SANO (a saúde da alma depende da saúde do corpo). É uma sentença cheia de verdade e estamos certos de que fazendo maior propaganda dos nossos productos, além de procurarmos alargar o circulo de nossas relações commerciaes, tornando os nossos preparados mais conhecidos em todo o paiz e até no estrangeiro, contribuimos para dar saúde aos que a tenham perdido, concorrendo assim com uma parte bem significativa para o engrandecimento da pharmacologia brasileira e para o progresso humano.

As capas de Aristolino, coloridas, apresentavam sempre a pintura de belas mulheres. Nas páginas internas, elas também marcaram presença. Atrizes de cinema ou teatro, da Europa ou da América. Suas imagens eram sempre relacionadas aos efeitos positivos proporcionados pelo uso dos produtos do laboratório farmacêutico. Em alguns casos é possível encontrar também, junto a foto, o registro das palavras endereçadas ao Sr. Oliveira Junior, em agradecimento ao sucesso decorrente do uso do produto.

Nas páginas de Aristolino também consta a propaganda de um concurso oferecido aos consumidores dos produtos do Laboratório. Semestralmente eram sorteados entre os que faziam uso dos produtos, um carro ou créditos em mercadorias nas lojas indicadas. Cada exemplar da revista recebia um número, que se repetia em um cupom a ser destacado, preenchido e enviado ao editor.

Nota de rodapé dava a seguinte informação: “Guardando as nossas revistas, formareis um livro completo de utilidades e tereis a mais completa collecção de retratos de artistas da tela

Igualmente a muitos periódicos da época, aparecem em suas páginas, calendários, fases da lua e vários artigos sobre agricultura e melhor qualidade de vida. Entremeados a estes artigos, em páginas repletas de reproduções de telas de mulheres famosas, estão publicados poemas de autores como Olavo Bilac (1865-1918), Alberto de Oliveira (1857-1937), Pedro de Alcântara (1825-1891) – ex-imperador do Brasil, Fagundes Varela (1841-1875), Luiz Guimarães Junior (1845-1898), Raimundo Correia (1859-1911), Petronius, Honório Armond, Coelho Netto (1864-1934).


Há também contos de Garcia Redondo (1854-1916), Arthur Azevedo (1855-1908) e Malba Tahan (1885-1921).

Dos poemas publicados nas páginas de Aristolino, destacamos um soneto do ex-Imperador do Brasil.




Terra do Brasil

Espavorida agita-se a creança,
De nocturnos fantasmas com receio,
Mas se abrigo lhe dá materno seio
Fecha os doridos olhos e descança.

Perdida é para mim toda a esperança
De volver ao Brasil; de la me veio
Um pugillo de terra; e nesta creio
Brando será meu somno e sem tardança...
Qual o infante a dormir em peito amigo
Tristes sombras varrendo da memória,
Ó doce pátria, sonharei contigo!

E entre visões de paz, de luz, de gloria,
Sereno aguardarei no meu jazigo
A Justiça de Deus na voz da história!

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