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Maria: revista das filhas de Maria

por Maria Ione Caser da Costa
Maria: revista das filhas de Maria foi uma publicação duradoura. Lançada em Olinda, continuou, com algumas interrupções, até dezembro de 1969, em seu quinquagésimo sétimo ano de publicação. Olinda fica a aproximadamente seis quilômetros de Recife, a capital pernambucana, e disputa com aquela a primazia de capital cultural.

A coleção da Biblioteca Nacional inicia com o ano 3, número 1, de abril de 1915. Os fascículos correspondentes aos anos de 1915 e 1916 podem ser consultados presencialmente, Coordenadoria de Publicações Seriadas, pois ainda não foram digitalizados. Na Hemeroteca Digital, o leitor encontra disponível a coleção a partir do ano 7, número 1, de janeiro de 1919, portanto, no sétimo ano de existência da publicação. Pesquisas apontam que o subtítulo inicial da revista era “revista mensal literária, apologética e noticiosa”.

Apresenta, logo abaixo do título, entre parênteses a informação “Com aprovação eclesiástica”. O Padre Leonardo Mascello era o diretor da publicação e o Padre Alfredo X. Pedroza era o secretário, a quem cabia receber toda e qualquer correspondência relativa à revista. O endereço para correspondência era o Seminário de Olinda onde funcionava a redação da revista. O Padre Euvaldo Souto-Maior desempenhava a função de gerente, que ficava encarregado da “correspondência attinente ás assignaturas, pedidos, reclamações etc.” que deveriam ser endereçadas a rua Conde da Boa Vista 640, em Recife.

A impressão das edições, naqueles primeiros tempos, ficou a cargo da Imprensa Industrial L. Nery da Fonseca, situada a rua Visconde de Itaparica, 78 em Recife.

Existiam dois tipos de assinaturas que eram cobradas anualmente: a “assignatura de protecção” que valia 10$000, e as “assignaturas ordinarias”, com o valor de 2$000.
Em março de 1924 o subtítulo é alterado para Revista das Congregações Marianas. Em meados de 1935, aparece no cabeçalho a informação de que é uma revista “filiada á Associação Jornalistica Catholica”, permanecendo esta informação até o ano 27, números 307/308, correspondente aos meses de jun./jul. de 1939.

Maria era uma revista voltada ao público feminino, de uma maneira especial. Em suas páginas encontramos um número considerável de colaboradoras e propagadoras que atuavam na imprensa católica. Em Maria muitas mulheres puderam encontrar um espaço para que pudessem transmitir seus sentimentos e seus pensamentos. Observa-se, entretanto que a supervisão de todo o trabalho editorial ficava a cargo dos líderes religiosos do sexo masculino.

Os exemplares têm uma média de 20 a 30 páginas, com capas ilustradas, quase sempre com imagens de santos, em especial com diferentes imagens e denominações que a mãe de Jesus Cristo recebeu.

Em suas páginas encontramos notícias religiosas e também laicas, poesias, artigos sobre a vida religiosa e textos que combatem as coisas prejudiciais a religiosidade e à religião, como o pecado ou a falta de amor ao próximo, bem como as atividades de diversas congregações.

Numa revista com 57 anos de vida, enumerar todos os seus colaboradores é tarefa ingrata. Dentre os que foram mais assíduos, podemos citar Afonso Celso, Alaide Negromonte, Amelia Negromonte, Antônio Magalhaes, Armando Mala, Bernardino de Carvalho Caltano Galhardo, Carlos Borromeu, Claudia Seve, Diessa, Conego Pedro Adriao, Domingos de Albuquerque, Emillo d'Alva, Eurípedes Cardoso de Meneses, Eustórgio Vanderlei, Foulquier, Frei Romeu Peréa, Gulomar de Sá Fontes, Henrique de Quelroz, João Pinheiro Lira, Jonatas Serrano, José Mariz, Leopoldo Aires, Luiz Guimarães, M. Cacilda Santos, M. Monteiro, Manuel Cirilo Vanderlei, Maria José Aguiar, Maria José de Jesus, Miles Christi, Monsenhor Francisco Sales, Monsenhor José Landim, Monsenhor José Olimpio, Neusa Mousinho, Paulo de Damasco, Recife-Noel (pseudônimo de Raquel Lima), Teresinha Caldas e Tomaz de Aquino.

Dentre ao vários poemas publicados, selecionamos um soneto atribuído a D. Pedro II, quando já estava no exílio. Está publicado no ano 7, n. 2 de fevereiro de 1919, com o título de Jóias poéticas.


O último soneto do ultimo imperador do Brasil

Espavorida agita-se a creança
De nocturnos fantasmas com receio,
Mas se abrigo lhe dá materno seio,
Fecha os doridos olhos e descança.

Perdida é para mim toda a esperança
De volver ao Brasil; de lá me veio
Um pugillo de terra, e nesta creio
Brando será meu somno e sem tardança.

Qual o infante a dormir em peito amigo
Tristes sombras varrendo da memoria.
Oh! Doce Patria, sonharei comtigo!

E entre visões de paz, de luz, de gloria,
Sereno aguardarei no meu jazigo
A justiça de Deus na voz da historia.

D. Pedro II (no exílio)

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