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O Album: órgão da Sociedade Litteraria Bernardo Vieira de Mello

por Maria Ione Caser da Costa
O mensário O Album: órgão da Sociedade Litteraria Bernardo Vieira de Mello foi lançado em Recife, no início do século XX. Teve como redatores Alcebíades Lima, Eusébio de Souza, Mário Rodrigues, Mário Mello e Adalberto Ribeiro. Era impresso pela Tipografia do Jornal do Recife.

A Biblioteca Nacional possui apenas dois exemplares desta coleção, e estes ainda não estão digitalizados, neste maio de 2018: os número 3 e 4, editados em 1 de agosto e 4 de setembro de 1900, respectivamente. A consulta aos mesmos poderá ser feita na Coordenadoria de Publicações Seriadas da BN.

Em nossas pesquisas aos acervos de outras instituições não foram encontrados outros fascículos para consulta, entretanto, foi possível rastrear algumas informações sobre o periódico e sobre a sociedade que o mantinha. A Sociedade Literária Bernardo Vieira de Mello foi fundada por Mário Melo, Mário Rodrigues, Samuel Valente, Alcebíades Lima, Eusébio de Sousa e outros jornalistas em 1900.

Bernardo Vieira de Mello (1658-1714) foi um bravo pernambucano que participou na campanha de conquista do Quilombo dos Palmares, tendo, por este motivo recebido a nomeação de Capitão-mor do Rio Grande do Norte. Teve também um importante papel na Guerra dos Mascates (1709-1714).

O primeiro exemplar de O Álbum veio a lume em 1 de junho de 1900 tendo circulado, inicialmente como mensário, passando a periodicidade irregular, finalizando sua circulação em 1902.

O valor da assinatura trimestral valia 1$000. No expediente dos exemplares acessados, não aparece o valor para venda avulsa.

Logo abaixo do preço da assinatura, uma informação importante, em caixa alta: “pagamento adiantado”. Ao pé da terceira página do exemplar de número 3, lê-se o aviso: “pedimos aos Srs. Assignantes que ainda não pagaram, o especial obsequio de isto fazerem, em vista das difficuldades que atravessamos”.

Com quatro páginas, o periódico foi diagramado em três colunas separadas por um fio simples. Não é ilustrado. O título aparece na parte superior da página em letras góticas, seguido do subtítulo. Logo abaixo, a data de publicação, o ano e número do fascículo são posicionados em um espaço delimitado por dois fios simples.

O Álbum publicou poesias, prosa e também folhetim. Adalberto Ribeiro, Adolpho Silva, Alcebíades Lima, Alvares Rodrigo, Demo de Moraes, Eusébio de Souza, Marcellino dos Santos, Mario do Rego Mello, Mario Rodrigues, Martins Filho, Samuel Valente e Thomé Dias foram os colaboradores nomeados nos dois exemplares da coleção da BN.

Escolhemos um poema do cearence Eusébio de Souza (1883-1947), um dos redatores d’O Álbum. Dentre suas realizações, criou e fundou, em 1932, o Museu Histórico do Ceará. O poema é um soneto intitulado Quando te vejo, publicado no ano 1, n.3.



Quando te vejo

Quando te vejo sempre cercada
Cantarolando lindos versinhos,
A semelhança da voz d’anjinhos,
Quero abraçar-te, beijar-te, amada.

Quando te vejo cheia de dores
Sempre pensando no nosso enlace,
Desejo junto da tua face
Depôr formosos ramos de flores.

Quando te vejo co’os teus primores
Bella creança, o meu coração
Por ti palpita cheio d’amores,

Pensando só na nossa união
Vida completa de resplendores
Felicidade, gozo e affeição

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