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Folclore

Ao conjunto de tradições, conhecimentos e crendices que se expressam através de contos, cantos e parlendas dá-se o nome de folclore. É um patrimônio formado no imaginário popular, sem autoria, mas que nasce anônimo no povo e é pelo povo usado e divulgado. Como estudo e conhecimento das tradições de um povo, expressa em suas lendas, crenças, canções e costumes, tem sido objeto de cogitações de estudiosos como Luís da Câmara Cascudo, Veríssimo de Melo, Bráulio do Nascimento e outros. O Brasil possui um dos folclores mais ricos de todo o mundo. São danças, festas, comidas, obras de arte, superstições, comemorações e representações que, pelos quatro cantos do país, exaltam a nossa cultura. O folclore é a expressão cultural mais legítima de um povo.

Algumas das mais notáveis expressões do folclore brasileiro estão ligadas ao calendário hagiológico e litúrgico da Igreja Católica, como o carnaval, as festas de Reis, as festas do Divino (celebradas com cavalhadas, como em Goiás, ou com a coroação do Imperador do Divino, como em Paraty), as festas juninas e os congos ou congadas e o ticumbi nas festas de Nossa Senhora do Rosário, de São Benedito e de São Sebastião.

Acrescentem-se ainda as festas de adro de igreja, como a lavagem do Bonfim, e as grandes procissões como o círio de Nazaré, em Belém, ou a procissão fluvial de Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre.
Os cantos e as danças têm importante papel nessas festas. Outro aspecto a ser considerado no folclore é a teatralização de certas lutas como a capoeira e o maculelê, expressões de origem africana e desligadas do calendário católico. A capoeira chegou ao Brasil trazida pelos escravos africanos no bojo dos navios negreiros. Na prática dessa luta ou desse esporte, os negros usavam somente os pés e a cabeça com enorme eficácia contra os europeus que empregavam só as mãos, tanto para o ataque quanto para defesa.

Para evitar a repressão dos senhores de engenho e da polícia, da mesma forma como camuflaram sua religião com a dos senhores, os negros camuflaram a capoeira com pantomimas mímicas e danças, sempre ao som da música, dos berimbaus, da boca e das palmas.

Essa modalidade de luta que partiu da África chegou uma Bahia, atingiu também o Rio de Janeiro e hoje é popular em todo o país e nos representa em Festivais Folclóricos em todo o mundo. Também são simulações de lutas históricas as cavalhadas que ocorrem em Pirenópolis, Goiás. Ligam-se ao calendário católico, mais precisamente à festa de Pentecostes, 50 dias depois da Páscoa. Como folguedo popular, a cavalhada é um torneio eqüestre, de procedência ibérica que chega a se reportar às históricas lutas entre mouros e cristãos.