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Ai, ai, ai… cem anos o samba faz!

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O papel da Biblioteca Nacional na formalização do samba

Nos primeiros anos do século XX, havia uma disputa sadia entre duas vertentes que dominavam o gênero musical: a turma do Sinhô – influenciada pela dança maxixe e que tocava samba basicamente ao piano – e a turma do Pixinguinha, da qual Donga fazia parte, – usava instrumentos de percussão, sopro e corda e tocava o samba dos morros.  As casas das “tias baianas”, na Pequena África, eram o ponto de encontro desses grandes sambistas.


Pelo telephone surgiu numa dessas rodas na casa da tia Ciata, fruto de improvisações e criações coletivas entre diversos músicos, entre eles Donga, Pixinguinha, Sinhô, João da Baiana e Hilário Jovino. Foi de Donga, no entanto, a iniciativa de registrar a partitura na Biblioteca Nacional, declarando-se como único compositor – mais tarde incluiria Mario de Almeida como parceiro. Dessa forma, resguardaria para si a autoria da canção, trazendo desentendimentos com os outros músicos. Ao mesmo tempo, o registro foi primordial para a formalização da maneira de se fazer samba, estabelecendo seus primeiros fundamentos, num momento de transição entre o maxixe e o novo gênero musical.


Em 1898, foi promulgada a Lei n º 496 que dava proteção às obras que fossem registradas no Escritório de Direitos Autorais, da BN. A tutela legal da obra só se concretizaria mediante o registro. A obrigatoriedade da averbação das obras intelectuais levou muitos músicos a registrarem suas composições. Foi este o caminho natural para que qualquer canção atingisse destaque na cena musical carioca.


A partir de então, o samba ganhou “certidão de nascimento”, tornando-se a primeira música identificada como tal a fazer sucesso. A gravação da canção, em 1917, deu início à grande fase do samba de Carnaval, quando o gênero musical desce os morros cariocas e ganha o asfalto, espalhando-se por todo país.