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Pernambuco 1817 – A Revolução

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O Maligno Vapor Pernambucano

As revoluções nascem de múltiplas crises, ao mesmo tempo antigas e novas... a Guerra dos Mascates, em 1710, a Revolução Republicana de 1817, a Confederação do Equador, em 1824, e a Revolução Praieira, em 1848, são exemplos de conflitos durante 138 anos na região Nordeste.


Em Pernambuco, a ideia de revolução esteve associada à utopia de libertação, seja do colonizador, seja do opressor, materializado ora no governante, ora no ministério dos Andrada, ora na região Sul.


Os exemplos das revoluções Francesa e Americana reforçaram esta noção de liberalismo. Supomos que, nesse terreno, o termo revoluções libertárias encontrou seu principal aporte.


A liberdade proposta pelos republicanos foi dificultada pela velha ordem socioeconômica e pela inexpressiva classe média.
As razões dessas rebeliões podem ser encontradas nas queixas contra os impostos, na falta ou aumento dos preços dos alimentos, na falsificação das moedas e nas denúncias frequentes sobre a ausência de liberdade.


A Revolução de 1817 liderada pelos pernambucanos, mas com significativos apoios na Paraíba, no Rio Grande do Norte e no Ceará, é um sinal da desagregação do bloco do poder que sustentava o Império Português e um prenúncio da proximidade da Independência. 


SOCORRO FERRAZ


O MALIGNO VAPOR PERNAMBUCANO


SUCESSIVAS REVOLTAS:


1820


Henry Koster falece no Recife.


24 DE AGOSTO.


Eclosão da Revolução Liberal no Porto. Inspiração na Revolução Pernambucana de 1817 por parte dos maçons portugueses promotores da revolta.


1821


Retorno da família real para Portugal.


5 DE OUTUBRO.


Pernambucanos rebelados. Assinatura da convenção de Beberibe. Fim do governo de Luiz do Rego Barreto, que se retira para Portugal. Estabelecimento de duas juntas governativas, a de Recife e Olinda e a de Goiana.


26 DE OUTUBRO.


Gervásio Pires Ferreira assume o governo da capitania de Pernambuco, que está sublevada.


1822


1 DE JUNHO.


Levante popular em Pernambuco. Composição de uma junta de cinco membros, sob a direção de Francisco de Paula Gomes dos Santos.
Pedro Pedroso é aclamado Governador das Armas.


7 DE SETEMBRO.


D. Pedro decreta a Independência do Brasil de Portugal. Afirmação das ideias emancipacionistas libertárias.


8 DE DEZEMBRO.


Aclamação de D. Pedro I Imperador do Brasil.


21 DE DEZEMBRO.


Chega ao Recife, advindo da Inglaterra, o dr. Cipriano José Barata de Almeida, republicano combativo.


FEVEREIRO.


Ditadura populista efêmera de Pedro Pedroso, que é logo preso e remetido ao Rio de Janeiro. Instalação de uma Junta Provisória presidida por Francisco Paes Barreto, simpatizante da monarquia.


1823


9 DE ABRIL.


Começa a circular em Pernambuco o jornal Sentinela da Liberdade, do dr. Cipriano Barata, em preparação à revolta conhecida como Confederação do Equador.


23 DE SETEMBRO.


É eleita a Junta dos Matutos, composta pelos representantes da aristocracia rural da cana de açúcar. Oposição de frei Caneca.


3 DE MAIO.


Instalação da Assembleia Nacional Constituinte.


12 DE NOVEMBRO.


Dissolução da Constituinte. Término da política democrática de D. Pedro. Coibição das ideias do Contrato Social e do conceito de Soberania Popular. Ressurgimento do conceito do Direito Divino.


17 DE NOVEMBRO.


É preso dr. Cipriano Barata de Almeida no Forte do Brum.


13 DE DEZEMBRO.


Renúncia de Francisco Paes Barreto por pressão dos liberais. Início do governo de Manuel de Carvalho Pais de Andrade, considerado ilegal. Republicano de 1817, sobreviveu por ter se refugiado nos Estados Unidos. Contrário à aristocracia rural. Ressurgimento do velho espírito republicano associado ao sentimento autonomista.


25 DE DEZEMBRO.


Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, intelectual e discípulo do dr. Cipriano Barata, faz circular o jornal o Tífis Pernambucano, com pregação republicana.


1824


23 DE FEVEREIRO.


O Imperador nomeia Francisco Paes Barreto para o governo de Pernambuco. Adesão a D. Pedro. As câmaras de Olinda, Recife e outras vilas escolhem Manuel de Carvalho Pais de Andrade para o governo provincial.


25 DE MARÇO.


Outorga da Constituição Imperial. Estado unitário, centralização. Contrária à luta autonomista e liberal de Pernambuco. Oposição dos pernambucanos à carta outorgada.


FINS DE MARÇO.


Bloqueio do porto do Recife para garantir a posse de Francisco Paes Barreto (monarquista, ligado à aristocracia rural). Navios de guerra ingleses comandados por John Taylor chegam ao porto do Recife. Recusa do nome de Paes Barreto pelo Conselho Municipal.


11 DE JUNHO.


Suspensão do bloqueio naval ao Recife.


2 DE JULHO.


Manuel de Carvalho proclama a Confederação do Equador, composta de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Desejo de formar uma república federativa aos moldes dos Estados Unidos. Goiana é o ponto de irradiação da revolução.


17 DE AGOSTO.


Convocação da Assembleia Constituinte.


18 DE AGOSTO.


Aportam no Recife as naus sob o comando de Thomas Cochrane. Cerco e bombardeio da cidade.


12 DE SETEMBRO.


Avanço das forças imperiais comandadas por Lima e Silva sobre o Recife, nos bairros da Boa Vista e Santo Antônio.


17 DE SETEMBRO.


O Recife é dominado. Desânimo dos confederados. Frei Caneca ruma para o norte; Pais de Andrade foge para a Inglaterra.


1825


13 DE JANEIRO.


Fuzilamento de frei Caneca no Forte das Cinco Pontas, no Recife. Recusa do carrasco de levá-lo ao patíbulo.


30 DE ABRIL.


Fuzilamento do padre Mororó, em Fortaleza.


O Maligno Vapor Pernambucano Ilustração