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Uma viagem ao mundo antigo – EGITO e POMPEIA nas…

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MARIETTE-BEY


Viagem ao Alto Egito é a obra magistral de Auguste Mariette-Bey (1821-1881), concebida para complementar o seu Album du Musée du Boulaq, publicado em 1872. Em seu guia de viagem daquele mesmo ano, ele já afirmara que, “para usufruir os monumentos egípcios naquilo que têm de melhor, faz-se necessário um estudo preliminar, como um tipo de iniciação. Quando Champollion não tinha ainda reencontrado a chave há tanto tempo perdida dos hieróglifos, podia-se estudar um monumento egípcio como se estuda um monumento grego, sem perguntar nada além do que nos revela sua forma externa. Mas os textos perfeitamente legíveis, que estão hoje sob nossa vista, deslocam esta questão”. Para ele, havia muito mais além da forma: “o que um templo egípcio oferece de mais notável é, com frequência, o que não se vê”.


Mariette discorre na introdução desta obra sobre os períodos de sua história (dinastias), a geografia, a arte (escultura), a arquitetura (onde ocorrem construções em madeira e em pedra) e a religião. Em seguida, vêm as 83 pranchas, distribuídas em dois volumes e sempre precedidas de textos explicativos, às vezes acrescidos de desenhos esquemáticos.


Tais pranchas – vinte das quais estão aqui expostas – são fotogravuras (um processo de reprodução fotomecânica, também denominado heliogravura plana/método por modelagem) produzidas nas oficinas de Goupil, em Paris, então dirigidas pelo engenheiro Henri Rousselon (1822-1902). O resultado é impressionante e belo, estando muito próximo de um original fotográfico – embora se trate de imagens estampadas com o emprego de tintas. Contêm detalhes, são ricas em contraste e gradação. E são permanentes.


No prefácio da obra, Mariette informa que a intenção do editor M. Mourès era combinar os recursos da tipografia e da fotografia, descrevendo e reproduzindo – através de um processo inalterável – os principais monumentos antigos do Alto Egito. “A fotografia, com efeito, é um perfeito instrumento de fidelidade e de precisão; mas ela tem o grave defeito de não durar”.


A questão da estabilidade e da permanência das imagens vinha sendo enfrentada há muito. Louis-Désiré Blanquart-Evrard, fotógrafo e inventor do papel fotográfico albuminado – o mais utilizado no século XIX e na maioria das fotos da presente exposição – instalou em 1851, na cidade de Lille, uma linha de produção industrial para a produção de cópias de diversos fotógrafos. Editava porta-fólios temáticos, comercializando-os por um preço compatível com o das litografias – mas sem poder assegurar a permanência das imagens impressas. Em 1855, Blanquart-Evrard desistiu de seu negócio, por não conseguir a lucratividade necessária.