Festas do Divino

Festas do Divino

Festas do Divino

A festa do Divino, realizada no dia de Pentecostes, é atribuída à Rainha Santa Isabel, de Portugal (1271-1336), e foi posteriormente introduzida na colônia brasileira por devotos portugueses, onde continua sendo uma festa tradicional em muitas cidades.

O símbolo da Festa do Divino é a mandala de fogo com a pomba branca ao centro. A pomba significa o próprio Divino Espírito Santo e a mandala, o momento que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos. As cores da festa são o branco e o vermelho, significando a paz, o altíssimo e o sangue de Jesus, o espírito.

A Festa do Divino de Paraty – Rio de Janeiro

A festa do Divino acontece na cidade de Paraty, Rio de Janeiro, desde o século XVIII. Alguns aspectos foram adaptados à realidade local, mas a festa se mantém imutável nos seus princípios básicos: a distribuição de carnes aos pobres, comida ao povo e balas e doces às crianças.

As comemorações do Divino Espírito Santo começam nove dias antes do Domingo de Pentecostes, na Igreja Matriz. Cada dia da semana, a banda e o povo saem às ruas com a Bandeira Mestra. De lá seguem para casa de outro devoto, de onde sai a Bandeira da promessa – onde se colocam bilhetes e fotos com pedidos ao Divino – e fiéis com bandeiras vermelhas e brancas, que acompanham o cortejo até a Igreja Matriz. No sábado de manhã bem cedo, carne é distribuída aos pobres pelos festeiros exatamente como Santa Isabel fez 700 anos atrás.

De noite, na Matriz, um adolescente da comunidade é coroado Imperador do Divino, assiste missa com seus vassalos e, logo após, recebe homenagens do lado de fora da igreja, com a apresentação da Dança das Fitas, do Xiba Cateretê, da Dança dos Velhos e dos bonecos folclóricos de Paraty: o Boi, o Cavalinho, o Peneirinha e a Miota – ou Minhota, originária do Minho, em Portugal.

Domingo de Pentecostes amanhece também com alvorada musical pela fanfarra. O Imperador e sua corte, o festeiro e dezenas de outros devotos carregando suas bandeiras, dão uma volta pela cidade arrecadando donativos e seguem para assistir missa. Em seguida, o Imperador assiste à Congada (conhecida como Marrá Paiá em Paraty). A última procissão acontece à tardinha, após a qual o festeiro passa a Bandeira Mestra para o festeiro do ano seguinte. A folia acompanha a passagem com versos e música.

A Festa do Divino de Pirenópolis – Goiás

A primeira Festa do Divino de Pirenópolis foi realizada em 1819. Em maio de 1826, o Festeiro, como também é chamado o Imperador, Padre Manuel Amâncio da Luz introduziu as Cavalhadas e mandou confeccionar uma coroa de pura prata, a Coroa do Divino, oferecida à Igreja Matriz. Distribuiu de casa em casa, pãezinhos e alfenins – docinhos feitos de açúcar puro chamados de Verônicas – uma tradição que permanece até os dias de hoje.

A Procissão do Divino retrata uma simbologia onde o Rei, a Rainha e a Corte portuguesa – autenticados pela Coroa, pelo Cetro e pelas virgens vestidas de branco que os antecedem na procissão – caminham pelas ruas da cidade, circundados por quatro varas sustentadas por quatro virgens, seguidos pela banda de música à frente da população.

Introduzida em Pirenópolis em 1826 pelo padre Manuel Amâncio da Luz como um espetáculo chamado de “O Batalhão de Carlos Magno”, a cavalhada tornou-se uma das características mais marcantes e principal atrativo da Festa do Divino de Pirenópolis.

Incorporada ao folclore, durante séculos a História de Carlos Magno era atração nas vozes dos trovadores, mas somente em idos do século XIII em Portugal é que a Rainha Isabel resolveu instituí-la como uma festividade, aos modos de uma representação dramática, quase que como um jogo de xadrez, a fim de incentivar a instituição cristã e o repúdio aos mouros. Num grande campo de batalha, doze cavaleiros cristãos vestidos de azul (a cor do cristianismo) lutam contra 12 cavaleiros mouros vestidos de vermelho.

As Cavalhadas de Pirenópolis, considerada uma das mais expressivas do Brasil, é um longo ritual de três dias seguidos, cujos preparativos começam uma semana antes no início da Festa do Divino que é marcada pela saída da folia. Na abertura solene das Cavalhadas ingressam no campo todos os grupos folclóricos da Festa do Divino que fazem sua própria apresentação: Catireiras, Congados, Pastorinhas, Dança de Fitas, Banda de Couros, a Banda de Música Phoenix e os Cavaleiros Mascarados.

Um dos momentos mais emocionantes da abertura é a evocação ao Divino sob execução do Hino do Divino pela Banda de Música. Toda a população fica de pé com chapéus na mão. No campo, voltados para os camarotes oficiais, os grupos folclóricos formam blocos à frente dos “mascarados” (pessoas que se vestem com máscaras, roupas coloridas, luvas, botas) que se sustentam em pé sob o dorso de seus cavalos.