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Cinema | Alfred Hitchcock: O Mestre do Suspense

21 maio 2021

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Aos cinéfilos, em especial aos amantes de filmes de suspense, o nome Alfred Hitchcock (1899-1980) dispensa maiores apresentações. Seu sucesso e desenvoltura na profissão foram fruto de seu início bem jovem, aos 20 anos, quando começou a trabalhar para o estúdio da Players-Lasky, em Londres. Ali ele aprendeu a roteirizar, criar, editar e dirigir filmes.

Diretor talentoso e promissor, as primeiras aparições do nome de Hitchcock, em notícias brasileiras sobre cinema, acontecem já no ano de 1925, em uma nota que informava a produção de um filme anglo-alemão, sob sua direção - Der Gärten der Lust, com tradução para português como O Jardim do Desejo (Jornal do Brasil).

Logo aflora a predileção pelos filmes de suspense e, em 1937, o estilo seria apontado como aquele que tornou Hitchcock célebre (Fon Fon). Emoção, amor, intrigas, são habilidosamente mesclados nas películas roteirizadas ou dirigidas pelo cineasta britânico que, influenciado pelos estudos de psicanálise freudiana, procura cada vez mais imprimir emoções realísticas em seus personages (Fon Fon).

O conjunto de sua obra pode ser subdividido em dois momentos: o primeiro quando produzia seus filmes no Reino Unido, na chamada fase britânica; e segundo iniciado com o filme Rebecca (1940), quando passaria a atuar nos estúdios de Hollywood, Estados Unidos. Sua atuação foi responsável por uma sensível diferenciação entre obras de mistério, onde todos são pegos de surpresa pelo desenrolar dos acontecimentos do filme, e obras de suspense, onde somente os personagens não sabem o desfecho da trama, mas os espectadores já vislubram os acontecimentos antes mesmo que as cenas finais sejam exibidas. Contudo, a genialidade de Hitchcock está, sobretudo, em alinhavar um roteiro bem estruturado às técnicas de alternância entre os planos de filmagem, fazendo com que o espectador sinta-se como um voyeur, praticamente imerso aos acontecimentos da trama, como se fizesse parte dela. De acordo com Sérgio Augusto, em reportagem sobre Hitchcock para a revista O Cruzeiro:

Para Alfred Hitchcock (o primeiro autor cinematográfico a impor seu nome acima dos de seus atores), um filme não foi bem sucedido se não obteve êxito popular. Em seus 40 anos de cinema, ele conseguiu fazer coincidir suas preferências com as do público. Cada uma de suas fitas constitui uma nova experiência na área do suspense e da ironia, ou até mesmo do "horror" [...], e também, o que é mais importante, um novo "record" de bilheteria (O Cruzeiro).

Exigente descobridor de talentos (O Cruzeiro), notabilizou-se por encontrar e apresentar, ao mundo das produções cinematográficas, somente atores e atrizes cujo talento fosse indiscutível. Nomes como Ingrid Bergman, Vera Milles, Grace Kelly, Gregory Peck, Cary Grant, eram presença garantida em suas obras (Careta). Grace Kelly foi considerada, por Hitchcock, como “a mais valiosa aquisição do cinema desde o aparecimento de Ingrid Bergman” - um grande elogio, vindo desse diretor que selecionava criteriosamente as estrelas de suas produções (Guanabara Fluminense). Preferia uma beleza sutil, de modo que o "sex-appeal" da atriz escolhida não se sobrepusesse ostensivamente às características das personagens por ele imaginadas (O Cruzeiro).

Descobridor também de novas possibilidades para cenários de seus filmes, em 1946, produz a obra Notorious (Difamação), em que contracenam Ingrid Bergman e Cary Grant, em uma trama que se passa no Brasil. Uma das primeiras obras de Hollywood filmada em terras brasileiras, mais especificamente no Rio de Janeiro - apresentando bairros como Tijuca, Gávea e Copacabana, em suas imagens de pano de fundo (O Cruzeiro).

Durante quase setenta anos de carreira, deixou uma herança cultural de cerca de 60 filmes, estrelados por atores consagrados do cinema norte-americano. Também participou em alguns de seus filmes, como Um Barco e 9 Destinos (1944), Janela Indiscreta (1954) e Psicose (1960), como figurante - aparições essas ansiosamente esperadas pelo público e que ocorriam no início das películas para não desviar o interesse, do público, pelo filme (O Cruzeiro). O conjunto da obra recebeu o prêmio Irving Thalberg, da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, em 1968. Considerado pelo The Screen Dicretory, publicação sobre cinema, o melhor diretor de cinema de todos os tempos, foi indicado ao Oscar por cinco vezes sem, contudo, ganhar a estatueta.Recebeu, das mãos da Rainha Elizabeth II, a Ordem do Império Britânico, sagrando-se Sir Alfred Hitchcock, em 1980, ano de sua morte (Manchete).

Faleceu no dia 29 de abril de 1980, em razão de falência renal, em sua residência na Califórnia (Manchete).

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