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Entretenimento | Augusto Temístocles da Silva Costa: Tião Macalé, o Nojento!

26 out 2020

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Isso mesmo. Você não leu errado! Ih, Nojento… Tchan!! Era o principal bordão desse humorista brasileiro, igualmente marcado pelas expressões faciais e performances corporais exageradas que acentuavam consideravelmente a ausência de parte frontal de sua dentição.

Nascido no Rio de Janeiro, Augusto Temístocles da Silva Costa (1926-1993), o Tião Macalé, iniciaria sua vida artística na década de 1950. Em 1959, participou do premiado filme Orfeu Negro, de Vinícius de Morais, fazendo uma ponta como vendedor. Ator, músico, e comediante, fugindo aos padrões estéticos de sua época encarnava, em seus personagens, uma caricatura de indivíduo simples, com ares que transitavam entre o ingênuo e o irônico, aproximando-se do chamado povão. Sua parceria com a atriz Marina Miranda (Manchete) caiu na boca do povo através das peças publicitárias dos supermercados Disco (Jornal do Brasil), onde aparecia com seu bordão, sorriso afrontosamente desdentado e deboche.

No programa de calouros de Ary Barroso - o Show do Gongo, na TV Rio -, nos anos 1960, atuava dando estrondosas “gongadas” sinalizando que o candidato não havia se saído bem e deveria deixar o palco. Em uma dessas ocasiões, entretanto, Macalé deixou a baqueta de lado: havia acabado de se apresentar a jovem Elza Soares que, com sua voz e ousadia, irradiava talento. Não haveria gongo para Elza, somente aplausos (O Fluminense).

Apaixonado por futebol, torcedor fanático do Fluminense - embora não acreditassem na sua paixão pelo time tricolor (O Cruzeiro) -, Tião participou, na década de 1950, da fundação de um time de futebol de praia, em Botafogo (RJ): o Dínamo (O Fluminense).

Além de comédias brasileiras, típicas da década de 1970 - com cenas impróprias para menores de idade -, Macalé ainda participou maciçamente dos filmes e programas televisivos da trupe de comédia circence Os Trapalhões, liderada pelos humoristas Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias. Sempre como coadjuvante e com sua marca debochada: Ih, Nojento... Tchan! (O Fluminense). Querido pelo público, e superando as críticas sobre sua aparência, atuou em grande parte dos cerca de 40 filmes do grupo de comediantes.

O ator, de tão imerso na persona Tião Macalé, já não mais reconhecia o Temístocles, como conta Stanislaw Ponte Preta, na sua coluna da revista O Cruzeiro:

Tião Macalé foi à televisão onde trabalha para tentar receber um cachê. Foi chegar à estação e ir direto ao Caixa. Pediu o seu cache e ficou aguardando. Já tinham passados bem uns trinta minutos e nada do Tião receber. Foi aí que o crioulo levantou, chegou no guichê e perguntou: “Como é que é, vai pagar meu tutu ou não?” O Caixa disse que já tinha chamado o nome dele umas dez vezes e perguntou se ele não se chamava Temístocles. Foi aí que o crioulo disse: “É verdade. Mas me chama de Tião mesmo, senão não atendo. Temístocles foi gozação do meu velho.”

Rio 40º, verão de 1989: um casal chama a atenção. Macalé, sempre carismático, anunciava seu noivado com a jovem Edmara Pascoal, eleita primeira princesa de Botafogo para o Carnaval (Jornal do Brasil). Aquele ano foi particularmente agitado para o ator que participaria, ainda, do Carnaval da Escola de Samba de Santa Cruz, homenageando Stanislaw Ponte Preta e abraçado a duas das Certinhas do Lalau (Manchete) e seria cabo eleitoral de um dos candidatos às eleições presidenciais (Manchete).

Em 1992, aos 65 anos, diabético, foi acometido por um derrame que o afastou do trabalho (O Fluminense). Retornou às gravações ainda com certa dificuldade de memorizar falas e realizar as expressões e performances, sua marca registrada. No ano seguinte, em 26 de outubro de 1993, dava seu adeus definitivo devido a uma grave infecção pulmonar (O Fluminense).


Explore outros documentos:

Jornal do Brasil
Notícia sobre o derrame

O Cruzeiro
Coluna Arte & Manhas de Stanislaw Ponte Preta,

http://memoria.bn.br/docreader/003581/160149

http://memoria.bn.br/docreader/003581/160277

http://memoria.bn.br/docreader/003581/162148



Tião Nojento Macalé, da ironia ao carisma - Manchete