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Memória | Inauguração da confeitaria Colombo - 17 de setembro de 1894

17 set 2020

Artigo arquivado em Memória
e marcado com as tags 1894, Biblioteca Nacional, Confeitaria Colombo, Cultura, Pontos Turísticos, Rio de Janeiro

Localizada no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro, a Confeitaria Colombo surge aliada ao projeto de urbanização e modernização da cidade, que à época almejava a implementação de edifícios e estabelecimentos comerciais aos moldes da celebrada arquitetura parisiense. Fundada em 1894 pelos imigrantes portugueses Joaquim Borges de Meireles e Manuel José Lebrão, a Colombo viria a se tornar uma das principais referências culturais da então capital brasileira.

Para melhor atender a “fina concorrência”, reformas foram realizadas durante as primeiras décadas de existência. Os salões foram ampliados. Pratarias finas e espelhos de cristais foram especialmente encomendados da Antuérpia e emoldurados com frisos de madeira nobre. A criação de um segundo pavimento destinado ao salão de chá e banquetes e a construção de uma claraboia decorada por vitrais, que permitiam uma vista do térreo, conferia ao lugar o título de “o magestoso [sic] edifício”. O mobiliário esculpido pelo artesão Antônio Borsoi, inspirado no padrão Luís XVI e os detalhes em estilo “Art nouveau” podem ser vistos por todas as dependências da confeitaria.

Com capacidade para até 300 pessoas, a Colombo era o reduto da dita Boa Sociedade fluminense durante a Belle Époque tropical. “A causadora dos atrasos dos maridos para o jantar da família”, conforme noticiava os jornais, revelava como sintoma o conservadorismo, estimulado pelos membros da elite carioca. A confeitaria reproduzia uma espécie de ordem quanto ao tempo e o espaço ocupado pelos visitantes. De dia a ocorrência de “lunchs” e chás da tarde, frequentados prioritariamente por moças e senhoras distintas. À noite, o estabelecimento cedia lugar à boemia carioca. Literatos, artistas e intelectuais em geral dominavam o grande salão no pavimento térreo. João do Rio, em “A alma encantadora das ruas” trouxe à baila os prazeres boêmios vividos entre as artérias elegantes da cidade. A Colombo certamente foi testemunha do “frenesi” da vida mundana.

A Colombo permanece como ponto de encontro dos apaixonados pelas iguarias portuguesas, pelo famoso chá da tarde, pela curiosidade dos transeuntes, que de passadas mais pausadas se permitem espiar mais uma vez o imponente saguão. Aniversários, casamentos são realizados frequentemente. O sucesso comercial permitiu a inauguração de uma filial localizada no Forte de Copacabana, cujo cardápio preserva a produção artesanal e conta com larga adesão de turistas, unindo o chame da confeitaria a uma das mais belas paisagens da cidade.

Em 2002, a confeitaria inaugurou o Espaço Memória para exibição de fotografias do Rio Antigo e todo o tipo de memorabilia: louças, baixelas, cardápios, rótulos de produtos que fizeram parte da trajetória desse edifício histórico. A plataforma digital “U City Guides” elegeu a Confeitaria Colombo um dos 10 mais belos cafés do mundo!

Na imagem, comemoração dos 30 anos da confeitaria sob a direção do proprietário França & Cia.


Hemeroteca Digital: Careta, 1924



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