BNDigital

Periódicos & Literatura

< Voltar para Dossiês

O Sorriso: jornal scientifico, litterario e recreativo: dedicado ás moças brasileiras

por Maria Ione Caser da Costa
O periódico O Sorriso, que se auto nomeou como jornal scientifico, litterario e recreativo, foi lançado no período imperial, no dia 2 de outubro de 1880, na então capital do Brasil, o Rio de Janeiro.  Era “dedicado ás moças brasileiras”.

Foi impresso pela Typographia Economica, localizada no número 28, da rua de Gonçalves Dias, local onde também funcionava o escritório e a redação de O Sorriso. Teve como proprietários M. J. Machado e F. Arthur Costa.

O Sorriso, em seu primeiro editorial, sem indicação de autoria, apresenta um texto onde dialoga com suas leitoras e informa de que forma “a empreza” pretende lhes ser útil.

Ás Moças Brasileiras.
Exmas. Sras.
Como vêdes, este jornalzinho, que vos é dedicado, nasceu com a idéa de ser-vos útil e proporcionar-vos, alguns instantes amenos com a leitura de seus escriptos que serão, crêmos, dignos de vossa sympathia.
A empreza não vacillou em dedicar-vos o “Sorriso” porque, vendo em vós um forte esteio de todos os commettimentos tendentes ao progresso da civilisação acoroçoando toda a idéa que tem um fim utilitario, especialmente aquellas cuja acção reflecte em vosso espirito, sabe não o deixareis morrer á mingua da seiva que carece para alimentar-se.
A publicação dos melhores romances, artigos instructivos, recitativos, biographias das principaes notabilidades litterarias de um e outro sexo; enfim, as melhores producçoes e seus illustrados collaboradores, naturalmente adaptadas à vossa indole e gosto, é tudo quanto vos póde offerecer o “Sorriso” em troca da benevolencia que vos dignardes dispensar-lhe.

A Biblioteca Nacional tem em seu acervo os 26 fascículos publicados no ano de 1880, dois fascículos de 1881 e apenas um de 1882, o último da coleção preservada, publicado no dia 28 de janeiro. Todos possuem 8 páginas, cada uma delas dividida em duas colunas, separadas por um fio simples. Uma particularidade na paginação é a numeração, que é sequencial, retornando ao número 1 apenas no ano seguinte.

Inicialmente o periódico era publicado duas vezes por semana. A partir do final de 1881, passa a ser semanal.  Aos assinantes era permitido enviar suas colaborações para serem publicadas nas colunas d’O Sorriso, desde que fossem “julgados dignos de publicidade”.

O valor para compra do exemplar avulso era de 100 réis, com edição especial para os assinantes pelo valor de 200 réis. As assinaturas poderiam ser anuais, semestrais, trimestrais ou mensais, conforme a opção do leitor, e os valores cobrados eram de 10$000, 5$500, 3$000, ou 1$000, respectivamente, para os interessados residentes na corte. Para os residentes nas demais províncias, os valores sofriam um acréscimo. Todas as assinaturas, precisariam ser adquiridas com pagamento adiantado.

Os colaboradores efetivos da publicação, listados logo abaixo do cabeçalho foram: Mello Moraes (1816-1882), Mello de Moraes Filho (1844-1919), Luiz Cardoso, Bernardino Bormann (1844-1919), Macedo de Aguiar, Agostinho de Araujo, Alfredo Gomes, Symphronio Cardoso (1850-?), Comendador Constantino do Amaral Tavares (1828-1889), Augusto Emilio Zaluar (1826-1882), J. M. Tavares e F. Arthur Costa.

O Sorriso publicou contos, poesias, romances, motes, charadas e pequenos textos com fundo moral. Dentre os poemas encontrados em suas páginas, selecionamos um soneto de Symphronio Cardoso, publicado no número 22:


Soneto

Ao pé da porta do quintal, - costura
O anjo, a boa mãe, o ser vidente;
Arredado dormita uma innocente,
Qu’ella guarda, - o anjo seu, sua ventura.

Repousa no alvo ninho da candura,
Como a ave na selva a mais frondente;
Sonha que a vão levando incontinente
Além do mundo, a região mais pura.

Vendo-se presa, vendo-se desherdada
De quem tanto, oh delicia! a estremece,
Franze o beicinho... e chora contristada:

- Ma... mãe! e n’isto acorda, á terra desce
Vendo á borda do berço debruçada
A mãe que rindo a beija, - o susto esquece.

Parceiros