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Actualidade: jornal critico, litterario e noticioso

por Maria Ione Caser da Costa
Impresso pela Typographia Rio-Grandense, localizada em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, o periódico Actualidade: jornal critico, litterario e noticioso foi publicado pela primeira vez no dia 7 de julho de 1867.

O semanário saía sempre aos domingos e teve como chefe da redação o senhor Miguel de C. de Werna e Bilstein que contou com a colaboração de diversos redatores.

O primeiro editorial, que recebeu o título de “Programma”, imprime como base para o surgimento de Actualidade, a necessidade de fomentar os dotes literários de seus colaboradores e colocar a literatura num patamar que lhe é merecido.

Sob miragens sombrias transparecia até aqui occulto o littoral do futuro.
Ante as negras e espessas espiraes do materialismo, á impregnar o ambiente, estacou a caravana que prosseguia á sua conquista – sufocada e abatida. [...]
Secundamos tambem os varonis esforços dessa pleyade nobre do futuro, que, combatendo as velhas usanças descerra as portas do templo da luz!
Para tão grandioso intento, surge hoje a Actualidade!
Sem títulos que a nobilitem, ella surge temerosa, e só o bafejo publico poder-lhe-há dar seiva e animação.
Para a secção litteraria, a principal da Actualidade, além dos redactores, contamos com o concurso valioso de algumas penas conhecidas do publico porto-alegrense e por elle devidamente acatadas. [...]
Occupar-nos-hemos tambem da critica; não da que penetra no sanctuario da família, escarnecendo do que elle encerra de mais nobre e sacro; não da critica mordaz, que assassina a reputação e procura empalidecer o mérito; mas dim da justa e comedida, que ensina, que morigéra e que regenera. [...]
Não trepidaremos sacrificar-nos para corresponder á confiança publica, que humildemente imploramos.

Na Hemeroteca Digital podem ser consultados 12 fascículos dessa coleção. Do número 1 ao 8, o número 14, o 17, 18 e o 19. Este último publicado no dia 10 de dezembro. Os originais não pertencem ao acervo da Biblioteca Nacional. Um carimbo na capa do primeiro exemplar indica que a coleção pertence a “Bibliotheca Publica do Estado – Porto Alegre”. Actualidade durou, portanto, cinco meses. A pesquisa feita a partir do título não encontrou outros exemplares.

A publicação foi diagramada em duas colunas divididas por um fio simples. Não apresentou ilustrações. A seguir o poema datado de 31 de julho de 1867 e escrito por M. S. de Paula


Como é que eu amo

Permitte bella qu’eu imprima um beijo
Na face tua, de carminea côr,
E que esse beijo seja o juramento
Entre nós ambros, de perpetuo amor.

Permitte bella que esta fronte ardente
Descanse frouxa sobre o collo teu,
Dá-me essa prova por consescendencia,
Recebe em troca tudo quanto é meu.

Mas ah! não creias que gozar te quero
Sem que respeite meu amor em ti;
Eu quero o gozo, mas o gozo santo,
Gozo decente com respeito em si.

Jura-me bella que pureza tenta
Planta em teu peito sentimento igual,
Eu quero amar-te com as véras d’alma,
Sem vicio ou raiva, sem paixão p’ra o mal.

Quero adorar-te como minha estrella,
Ser teu amparo como és meu condão,
Quero que saibas que, zelada sempre,
Só tu imperas em meu coração.

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