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Esperança: periódico litterario e critico

por Maria Ione Caser da Costa
Esperança: periódico litterario e critico foi editado na cidade de Manaus no ano de 1876. Mais um título que circulou em nosso país no século dezenove. Naquela época, na distante Manaus, capital do estado do Amazonas, acontecia um considerável crescimento da população, marcado pela exploração e fabricação da borracha que começava a atrair migrantes interessados.
O periódico Esperança foi “dirigido por uma associação”, e era publicado aos domingos. O valor da assinatura mensal valia 1$000. Sua impressão foi executada pela Typographia do Commercio do Amazonas.

Muito provavelmente por causa da distância que a capital amazonense se encontra do Rio de Janeiro, não são muitos os títulos daquela localidade que podem ser encontrados no acervo da Biblioteca Nacional. E do periódico Esperança só existe um exemplar, o número 50, do segundo ano de existência da publicação. Portanto o ano 2, n. 50, que foi publicado no dia 21 de janeiro de 1877.

Para os responsáveis pelo periódico, a cultura e o desenvolvimento deveriam caminhar juntos. De acordo com as matérias encontradas em suas páginas, existia a preocupação de ilustrar seus leitores focando principalmente na parte literária.

Uma nota no pé da última página solicitava: “rogamos aos nossos assignantes que ainda estão devendo as suas assignaturas, o favor de mandal-as pagar o mais breve possível, pois, como sabem, é só com ella que contamos para fazer face as despesas que demandam a publicação da folha. ”

Esperança publicou crônicas, poesias e folhetim. Nesse número são encontrados vários artigos. O primeiro deles, na página inicial dá um histórico dos partidos políticos até aqueles dias do século XIX. O folhetim, que tem apenas como título a primeira letra do alfabeto acompanhada de reticências, “ A ...”, é continuação do número anterior, e também informa que continua no próximo exemplar. Uma seção literária apresenta parte do ensaio histórico: “Drama, um poema”. E, encerrando o fascículo, uma crônica na seção do mesmo nome.

Esperança é composto por quatro páginas que foram diagramadas em duas colunas. Não apresentou ilustrações. Seus artigos não apresentam assinatura, e quando o fazem, são pseudônimos.
A seguir um poema de A. Baptista com o título “A minha estrella” extraído das páginas da publicação.


A minha estrella

Lucida estrella que me ouviste os cantos,
Atende os prantos que meu peito tem!
Lança um teu raio, que amenize as dôres
E alente as flores que já murchas vem!...

Outr’ora foste, quem brilhante e bella,
Luzida estrella, que me guiava o norte!...
Deixa que ao menos, o que gozei recorde
O doce acorde, d’um abysmar de morte.

Deixa que ao menos no silencio esperto;
Deste dezerto em que me vejo agora,
Relembre os tempos que logrei tão belos,
Entre os anhelos que gozei-te outr’ora

Vem pois estrella, me revelar segresos,
Tantos enredos que minh’alma oprime,
Lembrança eterna d’essa imagem pura,
Doce ternura, que meu peito estime!...

Traz-me um suspiro desse ar suave,
Que bem me lave deste peito a dôr!...
Lembra-te sempre que penando embora,
Vivo ainda agora, alentando amor...

De tanto espinho que me criva á alma,
Não gozo a calma que tu tens nos céus!
E só quizéra, que meus ais pungidos;
Fossem ouvidos do supremo Deus!...

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