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O Arrebol: periodico litterario, scientifico e satyrico órgão de uma associação  

por Maria Ione Caser da Costa
O Arrebol: periodico litterario, scientifico e satyrico iniciou sua publicação em 30 de agosto de 1884, em Recife capital do estado de Pernambuco, com periodicidade trimestral. Entretanto logo finalizou com a edição do segundo exemplar no dia 10 de setembro do mesmo ano. Era órgão "de uma Associação”, tendo como diretor Julio Hancem.

Foi impresso pela Typographia Industrial, que estava localizada na rua do Imperador n° 14. Trazia logo abaixo do título as informações: "Collaboração franca aos assignantes" e "Libertas et lux", que traduzindo do latim temos “A luz da liberdade”.

O cabeçalho trazia o título na parte central, ladeado por informações. No lado direito “toda a correspondência deve ser dirigida á esta typographia”, e no lado esquerdo apresentava os valores para a assinatura que eram de 1$500 para as trimestrais, 3$000 as semestrais e 5$000 aquelas anuais.

O Arrebol, que se autointitulava político e literário, se apresentou no formato de 32cm x 21cm, com quatro páginas diagramadas em duas colunas, sendo a impressão feita em papel especial. Os dois únicos fascículos da coleção podem ser consultados na Hemeroteca Digital.
O pequeno editorial é assinado por A Redação, assim iniciou:

Dizer-se que o Jornal é a alma do povo, dizer-se que a imprensa é a fonte de tudo quanto é grande e importante, é desnecessário, pois, mais que nos sabem aquélles que lêem estas insignificantes linhas.
O Jornal que é a alavanca ingente que tende a levantar a terra dos seus gonzos, o Jornal que é, na frase do grande Alencar, a toalha do povo, é também, muita vez o retrato fiel do que de nobre se passa no cérebro do moço, é tambem muita vez a synthese sublime de tudo que de arrebatador contém o coração d’aquelles que nos seus arroubos de enthusiasmo, nos seus momentos de locubração conhecem que – quem não trabalha não tem direito á vida. [...]
N’uma época de transição, como esta que atravessamos, é impossível ao maior pensador o destino d’este nosso paiz essencialmente agrícola.
Portanto, nós, que não temos a veleidade de sermos pensadores, promettemos unicamente, a aquelles que se dignarem auxiliar-nos, o cumprimento do nosso dever tendo como divisa a phrase gigante do pensador profundo do Calvario – Igualdade - Liberdade e Fraternidade.

Divulgou assuntos locais, em artigos assinados por Arthunio Vieira, J. Pinheiro, Manoel Chaves e Orion. Arthunio Vieira era responsável pelo folhetim literário, que inicia no segundo número a novela "Como eu fui a Torre". Ao final do texto a palavra "continua" indica que pretendiam continuar com a publicação.

Publicou também versos de Jose de Castro, Manuel Chaves e Pacifico dos Santos. E o soneto selecionado para ilustrar O Arrebol é de Pacifico dos Santos com o título “Um raio condemnando a justiça humana”.


Um raio condemnando a justiça humana

Em Florença uma vez, a grande populaça,
P’ra pagar com louvor de um rei uma victoria,
Uma estatua erigiu alli, em plena praça,
Em honra da Justiça, em honra á sua gloria.

Uma vez se peibeu do collo de uma bella...
Um custoso collar de per’las preciosas,
E accusaram de roubo uma gentil donzella
Que soltava p’ra o ceu angustias dolorosas.

Enforcaram-na emfim,,, Sem dó, barbaramente,
Junto ao grande perfil da deuza consciente
E a pobre sucumbiu soltando um ai magoado.

Um raio feriu o busto como u’a lança...
E fez cahir no chão, de dentro da balança.
Um ninho que occultava o tal colar roubado.

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