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Recreio: periodico critico, poetico e noticioso

por Maria Ione Caser da Costa
O Recreio: periodico critico, poetico e noticioso foi editado em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte no ano de 1861. A coleção existente na Biblioteca Nacional inicia com o número 13, publicado no dia 15 de setembro daquele ano, continuando ininterrupta até o número 18, falta o número 19, continua com os números 20 e 21, não tem o 22 e finaliza com o número 23, que sai editado no dia 1º de dezembro de 1861. As pesquisas apontam que O Recreio terminou sua publicação com o número 25, também em dezembro de 1861.

Logo abaixo do título, entre duas linhas horizontais separadas por um pequeno traço vertical lê-se ao lado esquerdo as informações que O Recreio “sahira uma vez por semana. Preço da assignatura 2$000 por trimestre”. E ao lado direito está a epígrafe “Honni soit qui mal y pense”, uma expressão francesa que significa “maldito seja quem nisto vir maldade”.

Com quatro páginas cada exemplar, a publicação foi diagramada em duas colunas separadas por um fio simples. Foi impressa pela Typographia do Dous de Dezembro. Não apresentou ilustração. Seus artigos e crônicas foram quase que em sua maioria, publicados de maneira seriada.

O periódico O Recreio publicou poemas, crônicas, enigmas e charadas, sempre privilegiando os escritores norte-rio-grandenses. Como mencionado acima, os primeiros exemplares publicados não constam no acervo da Biblioteca Nacional, portanto, não é possível conhecer seu programa, geralmente revelado no primeiro editorial. Tomando como base título e subtítulo é possível definir que seus editores dão destaque a um gênero literário, que é a poesia.

O semanário reuniu na lista de colaboradores pessoas que inauguraram a literatura potiguar. São eles Francisco Otílio Alvares da Silva, Isabel Urbano Albuquerque Godim, Jesuino Rodolfo do Rêgo Monteiro, João Manuel de Carvalho, Lourival Açucena e Pedro J. de Alcântara Deão.
E é do poeta Rego Monteiro que selecionamos o poema “O Meo suspiro” publicado no número 15 e datado de 12 de agosto de 1861.


O Meo suspiro

Meo suspiro corre, vôa,
Vai dizer quanto padeço;
Vai dizer áquella ingrata,
Q’eu ainda lhe obedeço:
Diz-lhe tudo, meo suspiro
Diz-lhe senão desfalleço.

Diz-lhe que minha’alma sente
Inda o mesmo estreme amor,
Diz-lhe que só ella pode
Monorar a minha dor:
Não t’esqueças, meo suspiro,
Do meo mal sê relator.

Se te receber sorrindo
Implora-lhe compaixão,
Faz que terna ella se mostre,
Faz-lhe brando o coração:
Diz-lhe, qual humilde escravo,
Eu lhe supplico o perdão.

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