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Escola Politécnica – UFRJ

A Escola Politécnica da UFRJ

Heloi José Fernandes Moreira
Professor da Escola Politécnica/UFRJ
Presidente do Clube de Engenharia
Superintendente do Museu da Escola Politécnica


A origem do ensino de engenharia no Brasil, em caráter formal e contínuo, ocorreu em 17 de dezembro de 1792 quando D. José Luís de Castro, o 2º Conde de Resende, instituiu a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho. Esta instituição funcionou até 1810 na Casa do Trem, prédio hoje parcialmente preservado e que faz parte do conjunto arquitetônico do Museu Histórico Nacional na Cidade do Rio de Janeiro.

Apesar de o seu Estatuto apresentar um conjunto de disciplinas com forte conotação militar, o seu Artigo 2º determinava que: “Para a instrução do sexto ano nomearei outro Lente, o qual será obrigado a ensinar a Arquitetura Civil, o corte das pedras e madeiras, o orçamento dos edifícios, e tudo o mais que for relativo ao conhecimento dos materiais que entram na sua composição; como também explicará os melhores métodos, que hoje se praticam nas construções dos caminhos e calçadas. No mesmo ano se ensinará igualmente a Hidráulica e as mais partes que lhe são análogas, como a Arquitetura das Pontes, Canais, Portos, Diques e Comportas, e os que quiserem seguir a profissão de Engenheiros ... só terminarão o tempo de sua aplicação no fim do sexto ano”.

Comprova-se portanto que a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho de 1792 ensinava de modo formal, e estatutariamente, a engenharia, em especial também sobre um conhecimento de engenharia não-militar, ou seja, de engenharia civil.

Curiosamente, o Artigo 6º informava: “os discípulos que aspirarem a ser promovidos a profissão de Engenheiros, serão obrigados a mostrar por exame que sabem a doutrina correspondente ao primeiro ano (ao menos) [sic] e que tenham constituição robusta, sem defeito algum na vista ou tremura de mãos”. Certamente naquela época eram raros os equipamentos de desenho disponíveis na então América portuguesa (esquadros, réguas, etc.), o que tornava imprescindível a acuidade visual e a firmeza no traço para a confecção das plantas.

Percebe-se aí que os responsáveis pelo ensino militar, então destinado para a defesa do território brasileiro contra as constantes invasões estrangeiras, já consideravam a necessidade de se ocupar convenientemente o solo pátrio, construindo-se edificações não-militares com o uso de materiais apropriados às construções, abrindo estradas e construindo pontes, utilizando-se dos caminhos hidrográficos naturais para o movimento e atracação das embarcações, que na época era o meio mais conveniente para a locomoção de cargas e de passageiros.

Em 04 de dezembro de 1810, aí então sob a iniciativa do Conde de Linhares e com a presença da Família Real na cidade do Rio de Janeiro, a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho foi transformada, por carta régia de D. João VI, em Academia Real Militar. E essa carta régia, além de ampliar o ensino com a introdução de cadeiras de ciências matemáticas, físicas e naturais manteve textualmente, no seu Título Segundo, também para o sexto ano, a seguinte cadeira: “Princípios da Arquitetura Civil, traço e construção das estradas, Pontes, Canais e Portos, Orçamento das obras, e tudo o que mais pode interessar, seja sobre corte das pedras, seja a força das terras para derrubarem os edifícios, ou muralhas que lhe são contíguas".

Embora a Academia Real Militar tenha sofrido várias alterações de conteúdo e de denominação ao longo da sua existência, em meados do século XIX, sob o nome de Escola Militar da Corte, acirrava-se uma discussão institucional que havia se iniciado nos anos 20 e perduraria até 1874, quando houve a separação definitiva dos ensinos militar e civil. Segundo Pedro Carlos da Silva Telles, “parecer enviado ao Imperador Pedro I, em outubro de 1823, pelo Coronel Engenheiro Francisco Villela Barbosa, futuro Marquês de Paranaguá, assinalava a contradição fundamental do programa da Academia Real Militar, por destinar-se essa Escola tanto à formação de oficiais, como também de engenheiros, para os quais os programas deveriam ser completamente diferentes. Salientava, também, que conviria a criação de “uma classe de engenheiros privativa para as obras hidráulicas e de pontes e calçadas, ficando os engenheiros militares desonerados de semelhantes trabalhos, que além de serem mais civis do que militares, exigem uma aplicação e prática particular”. A questão era decorrente desse conflito entre os dois ensinamentos em uma só instituição: Primeiro, a crescente importância dos problemas militares da Bacia do Prata na década de 50 e que culminaram com a Guerra do Paraguai em 1865. Segundo, nessa mesma década, “entrávamos na época da estrada de ferro, do telégrafo, da navegação a vapor, isto é, no mundo da engenharia civil e dos engenheiros”.

Assim, encontramos no relatório de 1851 do Ministro da Guerra Manoel Felizardo de Souza Melo, a seguinte observação: “A nossa Escola Militar tem todos os elementos para fazer sábios; poucos, porém, para formar oficiais”. Por outro lado, o Deputado Lisboa Serra, na sessão da Câmara de 17 de junho de 1854, assim discursou: “O País reclama urgentemente um pessoal idôneo para cuidar do seu desenvolvimento material e industrial, e nenhuma das nossas instituições pode ministrá-lo a não ser a Escola Militar, onde já se ensinam todas ou quase todas as disciplinas que constituem a parte teórica da engenharia civil”.

Assim é que, para melhor atender aos anseios militares e ainda responder às necessidades da sociedade civil é criada, em 1855, na Fortaleza da Praia Vermelha, uma Escola de Aplicação que se responsabilizou pela parte prática dos exercícios militares. Segundo Jehovah Motta “se, em 1855, a Praia Vermelha era o mundo das coisas nascentes, ainda em busca de afirmação e estabilidade, o Largo de São Francisco já era a obra adulta, dona da sua experiência e do seu estilo. Com a reforma desse ano o velho instituto do Conde de Linhares vê restritas “as suas tarefas, mas sentir-se-á mais senhor de si mesmo, pois que melhor aparelhado para fazer aquilo que vinha sendo, há tempos, a sua inclinação mais forte: as matemáticas, as ciências, a engenharia. Cedeu à Praia Vermelha parte do seu currículo, as matérias da técnica militar, mas nada do seu patrimônio material. De agora em diante o seu problema será constituir-se, cada vez mais e melhor, num centro de altos estudos científicos e de formação de engenheiros”.

Apesar disso a disputa entre as duas vertentes de ensinamentos continuou. Como assinalou Nascimento Brito, “dois ilustres militares, o Gen. Bellegarde e o então Marquês de Caxias, quando Ministro da Guerra, em seus relatórios de maio de 1855 e de maio de 1856, insistiram na necessidade de se separar completamente o ensino militar do ensino civil, na criação de um curso com as disciplinas essenciais à engenharia civil, e na mudança do nome da Escola”.

Em 1 de março de 1858, o Decreto 2.116 determinou que a “Escola Militar da Corte passa a se denominar Escola Central”, mas mesmo assim manteve ainda o dilema de ministrar, em uma única instituição, os ensinamentos militar e civil. Segundo o relatório do General Jerônimo Francisco Coelho, seu primeiro Comandante em 1858, as linhas mestres de seu trabalho seriam:

1. A Escola Central deve ser uma espécie de centro ou tronco para o ensino das doutrinas comuns às diferentes especialidades, e tomar a si, de modo específico, as ciências matemáticas, físicas e naturais;

2. A distinção entre a engenharia civil e militar acabará com os inconvenientes da acumulação destas duas espécies em um só indivíduo, que ficava sendo um engenheiro enciclopédico mas sem habilitações perfeitas.

Como observou Silva Telles, “mesmo assim a Escola Central continuou a ser um estabelecimento militar, subordinada ao Ministério da Guerra, e onde os professores e alunos militares eram obrigados a freqüentar fardados. A disciplina era rígida, não só para os alunos como também para os professores, cujos atos de indisciplina seriam punidos segundo os Regulamentos Militares. Havia atividades escolares mesmo durante as férias quando eram feitos, em caráter obrigatório, trabalhos práticos de topografia e geodésia e, também, visitas a obras e indústrias”.

Evidentemente, o conteúdo da cadeira original de Arquitetura Civil permaneceu no curso da Escola Central, desdobrando-se em várias matérias segundo o aprimoramento acadêmico e o desenvolvimento tecnológico da época.

Durante a Guerra do Paraguai a Escola esvaziou-se, porque muitos professores e alunos foram combater em defesa da Pátria. Os comandantes militares continuaram reclamando que a oficialidade possuia bastante base matemática, mas permanecia a pouca aplicabilidade para as operações militares. Finalmente, em 1874, houve a separação definitiva dos dois cursos, sendo criada a Escola Polytéchnica do Rio de Janeiro e encarregada de ministrar o curso de engenharia civil. Mais uma vez o conteúdo do curso foi ampliado, desdobrando-se em diversas disciplinas correlatas.

A Escola Polythéchnica do Rio de Janeiro

O desenvolvimento industrial ocorrido no Brasil durante o século XIX provocou também a necessidade de se estudar novas áreas do conhecimento e aplicações tecnológicas. Estas deveriam ser atendidas com mão de obra mais especializada. Assim é que várias alterações acadêmicas foram feitas no curso de engenharia da Escola Polytéchnica (anos de 1874, 1896, 1911, 1925) quando foram criadas, além da Engenharia Civil já existente, outras especialidades: Engenheiro Geógrafo, de Minas, de Artes e Manufaturas, Mecânico, Industrial e Eletricista.

O objetivo era formar engenheiros politécnicos, ou seja, com múltiplos conhecimentos técnicos para atender a diversidade dos novos campos de atuação. A rigor o aluno continuava formando-se em engenharia civil, na medida em que esse era o maior campo de trabalho, mas especializava-se também em uma outra área de conhecimento. Eram também conhecidos como “engenheiros enciclopédicos”.

No conteúdo das primeiras reformas houve uma fortíssima influência francesa. A rigor essa influência já vinha ocorrendo desde a Escola Central, pois até o seu nome foi evidentemente influenciado pela École Centrale des Arts et Manufactures, criada em Paris em 1828. Não só os livros eram importados da França, mas também foram contratados vários professores franceses (Charles Ernest Guinet, Clément Joubert, Émile Grandmasson, Louis Couty, Eugène Tisserandot e outros). Mais ainda, desde a época da Escola Central até o primeiro quartel do século XX, o Positivismo de Augusto Comte exerceu influência nos ensinamentos da Escola Polytéchnica. Conforme Roberto Marinho de Azevedo, “A influência de Comte fazia-se sentir no curso de cálculo diferencial e integral de Ferreira Braga e no de Licínio Cardoso. A geometria analítica de Comte, a geometria geral como ele preferia chamá-la, era muito lida”.

Nesse recorte, dois grandes momentos da Escola Polytéchnica do Rio de Janeiro merecem ser citados. O primeiro, de âmbito nacional e social, refere-se à campanha abolicionista. Sob a influência de André Rebouças, um dos professores mais admirado pelos alunos, o corpo discente participou ativamente do movimento. Como forma de chamar mais ainda a atenção da sociedade, os alunos “decretaram” que qualquer escravo que passasse pelo Largo de São Francisco de Paula seria alforriado. “No dia 15 de maio de 1888 André Rebouças foi carregado pelos alunos em delirante ovação pelo peristilo da Escola”. Já o segundo momento, técnico e restrito à Cidade do Rio de Janeiro, ocorreu no início do século XX, e refere-se a participação dos ex-alunos e então professores Paulo de Frontin e Pereira Passos, na modernização da cidade e construção da Avenida Central.

Ainda sob a denominação de Escola Polytéchnica do Rio de Janeiro, professores e alunos comemoraram a outorga pelo Chefe do Executivo, do Decreto-Lei nº 23.569, de 11 de dezembro de 1933, que regulamentou a profissão de engenheiro.

A Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil

Em 1937 o Presidente Getulio Vargas cria “instituições nacionais”. A revelia da Congregação e do corpo social da Escola Polytéchnica, a Lei nº 452 de 5 de julho de 1937 altera o seu nome para Escola Nacional de Engenharia.

A despeito da alteração do seu nome, a Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil manteve o seu papel de formadora de cidadãos-engenheiros da mais alta qualidade. E a indústria nacional crescia a passos largos. Seus ex-alunos e professores participavam dos mais importantes empreendimentos: na indústria siderúrgica que se desenvolvia e que culminou com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, na construção de portos, em particular o Porto do Rio de Janeiro, nas obras de saneamento e abastecimento de água, na consolidação do sistema elétrico brasileiro, no desenvolvimento do concreto armado, permitindo a construção de grandes estruturas, na expansão da malha rodoviária brasileira, na criação da Petrobrás, etc. E inúmeros outros campos da engenharia poderiam ser citados.

Para se ter idéia da preocupação dos professores da Escola na formação de seus alunos, cabe aqui transcrever parte do discurso do formando José Pedro Canabarro de Faria Alvim, orador da turma de 1956:

“Durante a administração do Prof. Francisco de Sá Lessa, foram iniciadas as obras de ampliação, com a construção de dois novos andares, contendo 15 laboratórios e 8 salas de aulas, resultando num acréscimo de 70%, sobre a área útil da Escola. Foram também adquiridos novos equipamentos e máquinas modernas”. O engenheirando se referia às anteriores dificuldades que o prédio do Largo de São Francisco de Paula oferecia ao crescimento da instituição, apresentando escassez de laboratórios e acanhadas salas de aula. E continuou:

“Futuramente, com a transferência da E.N.E. para a Cidade Universitária, onde ficará alojada em prédios amplos e confortáveis, projetados de acordo com os últimos ditames da técnica arquitetônica, ficará solucionado, em definitivo, este velho problema, que tanto preocupa professores e alunos”. O recém-formado traduzia em palavras um antigo sonho do corpo social da E.N.E. da U.B.

A Escola de Engenharia da UFRJ

Em 1966, na reforma universitária ocorrida durante o regime militar, mais uma vez a Escola teve sua denominação alterada e, novamente, a margem da sua Congregação. Mesmo convivendo com os anos sombrios e muita repressão aos movimentos políticos e reivindicações estudantis, ocupando um imenso prédio ainda em obras e com enormes dificuldades de acesso, obrigada a realizar um aumento desordenado de vagas no vestibular sem estar preparada pedagógica e administrativamente para tanto, com o Governo Federal investindo muito pouco na graduação e praticamente destinando a maior parte dos recursos para a pós-graduação, o seu corpo docente, ainda que desmotivado em termos salariais e com enormes dificuldades para exercer a sua docência, soube ultrapassar as enormes dificuldades que lhes foram impostas.

Enquanto nos anos 60 a Escola formou 2.438 engenheiros, na década seguinte, com todas as dificuldades acima apontadas, esse número aumentou 78%, passando para 4.352 engenheiros recém-formados. Atendendo à crescente especialização do mercado de trabalho, ao final dos anos 90 formava engenheiros civis, mecânicos, metalúrgicos, de materiais, navais, de produção, eletricistas e eletrônicos.

A Escola Politécnica da UFRJ

No ano de 1999 ocorreu na Escola de Engenharia um movimento para se resgatar o nome original da instituição civil: Escola Politécnica. O Prof. Pedro Carlos da Silva Telles, autoridade reconhecida em história da engenharia no Brasil, ex-aluno e professor aposentado, encaminha à Congregação um documento intitulado “O nome Escola Politécnica”, para que este seja analisado e discutido pelo colegiado superior da Escola.

Entre outros pontos, textualmente é colocado:

“Novas exigências como proteção ambiental, normas de segurança mais rígidas, imposição de normas e padrões de qualidade e aumento de competitividade, fruto da internacionalização da economia, impõem a busca de novas soluções e de reformulações dos padrões e referências adotadas. Não há mais dúvidas a respeito da necessidade da ciência na prática cotidiana da engenharia, mas ainda existem questões em aberto, principalmente as relativas à apropriação de novos campos de conhecimento, das questões gerenciais e das relações humanas, em especial as de natureza política.

O resgate da tradição da politecnia se afirma na necessidade de encontrar um caminho de síntese e técnica em torno dos problemas contemporâneos da engenharia no Brasil.

Ao propor mudar o nome da Escola de Engenharia para Escola Politécnica não se quer apenas resgatar uma tradição, por mais importante que possa vir a ser esse resgate, mas forjar uma nova identidade a partir de uma poderosa referência do passado com o objetivo de realizar a superação dos desafios do presente – produzir conhecimento e formar profissionais capazes de apontar as soluções mais adequadas para os problemas tecnológicos do Brasil”.

A alteração da denominação foi aprovada pela Congregação em 04 de agosto de 1999, em seguida também o foi pelos colegiados superiores da UFRJ até que finalmente, em 18 de outubro de 2004, pela portaria ministerial nº 3.239 do Sr. Ministro da Educação, a nova designação ESCOLA POLITÉCNICA da UFRJ foi definitivamente aprovada.

Após praticamente 70 anos, duas injustiças históricas e desrespeitosas para com a Escola e a sua Congregação foram finalmente reparadas.

Atualmente a Escola Politécnica da UFRJ forma engenheiros em 12 diferentes habilitações: civil, naval, ambiental, petróleo, metalurgia, materiais, produção, mecânica, elétrica, controle e informação, eletrônica e computação, apresentando o curso de engenharia civil quatro grandes ênfases: construção civil, recursos hídricos e meio ambiente, transportes e grandes estruturas. Apresenta também diversos cursos de pós-graduação em nível de Mestrado Profissional (stricto sensu) e de lato sensu. Possui inúmeros convênios com importantes instituições internacionais de ensino, recebendo estudantes de todas as partes do mundo e também enviando alunos para a Europa e as Américas, em programas de duplo diploma ou obtenção de créditos externos.

Passando por diferentes denominações e ocupando diversos prédios, na Casa do Trem, no Largo de São Francisco de Paula e na Cidade Universitária, ministrando ininterruptamente as bases do saber na área da engenharia, esta é a mais antiga instituição de ensino de engenharia e, também, de ensino superior do Brasil.

Nela, ao longo dos seus 216 anos, estudaram e lecionaram notáveis e numerosos nomes da engenharia e da ciência nacional. Mais ainda, nos seus laboratórios foram feitas experiências pioneiras no Brasil, tais como a iluminação a gás de mamona, as primeiras aplicações de raios X, as primeiras ligações telefônicas, a primeira transmissão telegráfica elétrica, a primeira iluminação elétrica no Brasil, etc.

A história da Escola Politécnica da UFRJ é rica em fatos, feitos e personagens. Figuras notáveis como os irmãos André, Antônio e José Rebouças, Paulo de Frontin, Pereira Passos e muitos e muitos outros tiveram intensa participação na vida nacional desde o século XIX até os dias atuais. Através dos seus personagens, a sua história, além daquela que se refere ao ensino e a técnica, permeia por inúmeras outras áreas do saber e das atividades humanas. Pode-se citar na educação Heitor Lyra e Paula Freitas, na literatura Lima Barreto, na geografia, etmologia e toponomia Teodoro Sampaio, na biblioteconomia Bastos Tigre, nas artes Leon Hirszman, Zelito Viana, Francis Hime, na religião D. Irineu e Gustavo Corção, na política Visconde do Rio Branco, Miguel Calmon, Mauro Thibau, Maurício Joppert e Helio de Almeida, na economia Eugenio Gudin, Jorge Felipe Kafuri e Mario Henrique Simonsen, na geopolítica Everardo Backheuser, na matemática Joaquim Gomes de Souza, Jacob Pallis Júnior, Leopoldo Nachbin, Otto de Alencar, Malba Tahan, nas ciências físicas Henrique Morize e Lélio Gama e tantos e tantos outros exemplos que, por razões óbvias, somos obrigados a limitar as citações.

Diante disso, pode-se afirmar que a história da engenharia brasileira confunde-se, em grande parte, com a história da Escola Politécnica da UFRJ.