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ANTONIO FIRMINO DE PROENÇA (1880 – 1946)

por Larissa Laus

Antonio Firmino de Proença filho de Francisco de Proença e Francisca Amélia de Proença nasceu em São Paulo, na cidade de Sorocaba no dia 26 de junho de 1880. Ao longo de sua vida, casou-se com Isaura Ciriaco de Arruda Proença, com a qual teve quatro filhos: Aristofanes de Proença, Fátima de Proença Nogueira da Silva, Alaor de Proença e Cleofanes de Proença. (GAZOLI, 2015, p. 136)


Diplomou-se pela Escola Normal da Praça em 1904 e no ano seguinte iniciou sua carreira como docente na Escola Complementar de Guaratinguetá. Em 1913 assumiu o cargo de professor na Escola Normal Secundária de São Carlos, na qual atuou como diretor interino neste mesmo ano, sendo que em 1916 e 1917 atuou novamente como diretor nesta mesma escola, retornado algo cargo de professor logo depois, mas assumindo novamente a direção de 1922 á 1927. (GAZOLI, 2015, p. 137 - 138)


Antonio Firmino também lecionou e dirigiu a Escola Normal Primária de Pirassununga e o Ginásio do Estado de São Paulo. Em 1929 foi efetivado como inspetor-geral do Ensino no estado de São Paulo tendo permanecido no cargo até 1930, ano em que atuou como diretor da Escola Normal da Praça da República, assumindo o mesmo cargo no ano seguinte no Instituto Pedagógico “Caetano de Campos” onde permaneceu até 1933. Antonio Firmino de Proença se aposentou em 1939 e faleceu em São Paulo no dia 4 de abril de 1946. (GAZOLI, 2015, p. 138 – 141)


A expertise de Firmino Proença emerge em meio a um cenário de muitas mudanças e disputas sociais e políticas no país e na educação, a década de 30. Na educação esse período é marcado pela Reforma Francisco Campos, 1931 que:


Estabeleceu oficialmente, em nível nacional, a modernização do ensino secundário brasileiro, conferindo organicidade à cultura escolar do ensino secundário por meio da fixação de uma série de medidas, como o aumento do número de anos do curso secundário e sua divisão em dois ciclos, a seriação do currículo, a freqüência obrigatória dos alunos às aulas, a imposição de um detalhado e regular sistema de avaliação discente e a reestruturação do sistema de inspeção federal. (DALLABRIDA, 2009, p. 185)


Esse período possui também, outro marco muitíssimo importante para a História da Educação, a chegada do método escolanovista no Brasil, o qual ganhou muita força com o Manifesto da Escola Nova, comumente conhecido como “Manifesto dos Pioneiros”, aqui cabe citar:


Com o subtítulo A reconstrução educacional no Brasil: ao povo e ao governo, o documento foi publicado simultaneamente em vários órgãos da grande imprensa brasileira no dia 19 de março de 1932 (...) O Manifesto reivindicava a direção do movimento de renovação educacional brasileiro, como se indicia em seu próprio título. Vinha a público no âmago das disputas pela condução das políticas do recém-criado Ministério da Educação e Saúde no Brasil (VIDAL, 2013, p. 579)


Como dito por Vidal, o Manifesto, visava mudanças na educação tradicional, e buscava novos ideais educacionais, ou seja, modernizar o sistema de ensino do Brasil, e:


Além da laicidade, da gratuidade, da obrigatoriedade e da coeducação, o Manifesto propugnava pela escola única, constituída sobre a base do trabalho produtivo, tido como fundamento das relações sociais, e pela defesa do Estado como responsável pela disseminação da escola brasileira. Nesse sentido, distinguia-se do que denominava educação tradicional, particularmente no que considerava como a maior contribuição da Escola Nova: a organização científica da escola. (...) Nesse percurso, a Escola Nova evidenciou-se como fórmula, com significados múltiplos e distintas apropriações constituídas no entrelaçamento de três vertentes: a pedagógica, a ideológica e a política. No que tange ao primeiro aspecto, a indefinição das fronteiras conceituais havia permitido que a expressão Escola Nova aglutinasse diferentes educadores — católicos e liberais — em torno de princípios pedagógicos do ensino ativo. No segundo caso, a fórmula oferecera-se como meio para a transformação da sociedade, servindo às finalidades divergentes dos grupos em litígio. Já na terceira acepção, tornara-se bandeira política, sendo capturada como signo de renovação do sistema educacional pelo Manifesto e por seus signatários. (2013, p. 579- 581)


O contexto social e político do Brasil também foi marcado por muitas questões importantes, como a queda da República Velha (1930), e consequentemente das Oligarquias presentes no país durante aquela época, que perderam boa parte de seu poder nas decisões do Estado.


O fim da República Velha se deu por conta da Revolução de 30, que colocou o Presidente Getúlio Vargas no poder, sendo que após uma acirrada eleição, Getúlio e seu vice João Pessoa, perdem para o candidato indicado pelo atual Presidente Washington Luis, porém muitos insatisfeitos com o resultado e juntamente com chamada “Aliança Liberal” começam a formular estratégias para reverter à situação, quando em julho do mesmo ano, João Pessoa, vice de Getúlio foi assassinado, gerando o grande estopim para a revolução armada que no mês de outubro retirou o Presidente Washington Luis do poder, posteriormente o exilando.


Este período foi marcado por muitas disputas de poder, e incertezas para a população, onde o país quase enfrentou um regime ditatorial, Getúlio instaurou um governo provisório e também derrubou a Constituição Federal vigente até o momento, instituindo assim uma nova Constituição, a Constituição Federal de 1934.


Vemos que o contexto histórico, político e social onde Antonio Firmino Proença emerge como expert é marcado por diversas disputas ideológicas, mudanças no governo, a criação de uma nova Constituição, a queda da antiga forma de governo, bem como novos ideais de educação que resultam em um importante Manifesto que tem por objetivo modernizar o sistema de ensino do Brasil. Portanto, considerando esse contexto vemos a necessidade da formulação de um novo currículo para a educação que se adequasse as modernizações exigidas pela Escola Nova e também aos novos ideias representados pelo Governo de Getúlio Vargas, visto que:


O currículo nunca é apenas um conjunto neutro de conhecimentos, que de algum modo aparece nos textos e nas salas de aula de uma nação. Ele é sempre parte de uma tradição seletiva, resultado da seleção de alguém, da visão de algum grupo acerca do que seja conhecimento legítimo. É produto das tensões, conflitos e concessões culturais, políticas e econômicas que organizam e desorganizam um povo (APPLE, 2002, p. 2001)


De modo que em meio a esse cenário, no Estado de São Paulo, Antonio Firmino de Proença tem sua expertise solicitada para a elaboração do currículo para a formação de professores, ou seja, mobilizando os saberes da matemática para ensinar, no que tange as disciplinas de Geometria e Aritmética. De modo que se constatou sua participação na elaboração do Programa para a Escola de Professores do Instituto de Educação de São Paulo, que foi publicado pelo Diário Oficial do Estado de São Paulo em março de 1934.



Referências


APPLE, M, W. A política do conhecimento oficial: faz sentido a ideia de um currículo nacional? In: MOREIRA, Antonio F; SILVA, Tomaz T. da (orgs.). Currículo, cultura e sociedade, São Paulo, Cortez: 2001.


RAZZINI, M. P. G. (Org.) Antonio Firmino de Proença: professor, formador, autor (Sorocaba 1880 – São Paulo, 1946). São Paulo: Porto de Ideias, 2010.


DALLABRIDA, N. A Reforma Francisco Campos e a modernização nacionalizada do ensino secundário. Educação, Porto Alegre, v. 32, n. 2, p. 185-191, maio/ago. 2009


VALENTE, W. R. et al. Experts: saberes para o ensino e para a formação de professores. São Paulo: Livraria da Física, 2021.


GAZOLI, MR. Aspectos da vida, da atuação profissional e da bibliografia de e sobre Antonio Firmino de Proença (1880-1946). In: MORTATTI, MRL., et al., orgs. Sujeitos da história do ensino de leitura e escrita no Brasil [online]. São Paulo: Editora UNESP, 2015, pp. 135-152. ISBN 978-85-68334-36-2.


GAZOLI, MR, Um estudo sobre Cartilha Proença (1926), de Antonio Firmino De Proença.Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 7, n. 3, p. 246-257, 2007.


VIDAL, D, G. 80 anos do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova: questões para debate. Educ. Pesqui., São Paulo, v. 39, n. 3, p. 577-588, jul./set. 2013.

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