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REGINA MARIA PAVANELLO (1943 - ...)

por Camila Bonini de Araújo Cassoli, Mariana Moran, Raquel Polizeli, Vanessa Cristina Rhea

Regina Maria Pavanello nasceu no dia 19 de janeiro de 1943, em Amparo, São Paulo. Nos quatro primeiros anos de estudos foi aluna nas redes particular e pública de ensino. Cursou o ginásio (correspondente aos anos finais do Ensino Fundamental) em um colégio particular e voltou a estudar na rede pública, onde fez um curso voltado para ciência, pois já tinha a pretensão de atuar com o ensino de Matemática. Na década de 50, a Matemática era frequentemente ensinada dentro do contexto de cursos de ciências, especialmente no ensino secundário. Posteriormente graduou-se em Matemática pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiae (1964), cursou Mestrado (1989) e Doutorado (1995), ambos pelo Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP). Antes mesmo de cursar o Mestrado iniciou a carreira docente na Educação Básica em São Paulo, nas redes particular e pública e trabalhou na Secretaria de Educação de São Paulo, em São Paulo.


Regina Maria Pavanello relata que no período em que atuou, a Secretaria da Educação de São Paulo havia produzido uma série de materiais educacionais, incluindo “Cadernos” para apoiar o ensino nas escolas do estado. Em relação à Matemática, esses Cadernos continham orientações referentes ao conteúdo programático, exercícios e atividades, orientações didáticas e sobre avaliações e testes, visando garantir que os professores tivessem um material de qualidade para os apoiar e melhorar o ensino de Matemática. Porém, a distribuição de materiais educacionais poderia enfrentar desafios como: problemas de comunicação, políticas e administração governamental, entre outros, que dificultavam sua chegada até os professores das escolas. Para assegurar que estes cadernos fossem entregues aos professores foi estabelecido que eles fossem entregues em cursos com duração de uma semana, ministrados por professores ligados à Secretaria de Educação. Nesse contexto, a professora Regina foi convidada a participar dos grupos que eram responsáveis por tais entregas. Posteriormente, Pavanello foi convidada para trabalhar na Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP), que segundo ela, era o órgão responsável por produzir material para os professores da rede do Estado. Esta Coordenadoria, esteve à frente das discussões e elaboração da Proposta Curricular para o Ensino de Matemática 1⁰ e 2⁰ grau do estado de São Paulo. Regina Maria Pavanello trabalhou por anos e se aposentou como professora neste mesmo estado.


A atuação como docente no Ensino Superior aconteceu em 1988, quando estava cursando o Mestrado e foi aprovada no concurso público para o ingresso na Universidade Estadual de Maringá (UEM/PR). Pavanello relata na entrevista concedida a Moran et al. (2023), que trabalhou na Educação Básica e no Ensino Superior de forma concomitante por cerca de dois anos. A partir daí, deixou o estado de São Paulo e se mudou para Maringá, no Paraná. Mudança a qual favoreceu a abertura de mais uma área de pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPE) da UEM, em que atuou no período de 2000 a 2003. Posteriormente, também foi docente no Programa de Pós-graduação em Educação para a Ciência e a Matemática (PCM), no período de 2004 a 2015. Atua, desde 2018, no Programa de Pós-graduação em Educação Matemática (PRPGEM) da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR/Campo Mourão) como docente convidada. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Tópicos Específicos de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: Educação, Educação Matemática, Ensino Fundamental, Formação de Professores, Geometria, e Comunicação e Linguagem nas aulas de matemática.


Como já relatado, quando ainda residia em São Paulo, Regina Maria Pavanello colaborou na elaboração de duas propostas curriculares para a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo - a Proposta Curricular para o Ensino de Matemática no 2o grau (1991) e a Proposta Curricular para o Ensino de Matemática no 1o grau (1992). Como se pode notar a Proposta Curricular para o Ensino de Matemática no 2o grau antecedeu a do 1º grau. Tais propostas foram parte de um projeto da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP), responsável pela organização e realização de debates e reflexões acerca do ensino oferecido pelas escolas de São Paulo. Segundo Pavanello, na época o governo de São Paulo decidiu produzir um novo currículo para as escolas paulistas. Os profissionais que trabalhavam na CENP, após demonstrarem não ter ligação com a ditadura (o regime de governo que vigorava anteriormente) foram convocados para, em conjunto com professores da rede pública e de Universidades Estaduais, iniciarem um processo de elaboração de uma nova proposta para a escola paulista.


No que diz respeito à Proposta Curricular para o Ensino de Matemática no 2o grau, publicada em 1991, esta contou com a colaboração dos seguintes educadores matemáticos: José Carlos Fernandes Rodrigues, José Jakubovic, Nilson José Machado, Roberto Barbosa, Suzana Laino Cândido, além da protagonista deste texto, Regina Maria Pavanello. Tal proposta teve como objetivo a divulgação do conhecimento da Matemática, o apoio e a atualização da prática docente. A equipe responsável pela elaboração deste documento trouxe destaque a questões como a autonomia da escola e a ampla participação do magistério no processo de descentralização no repensar o Estado e a sociedade.


No ano seguinte, em 1992, também com educadores envolvidos nas discussões de um novo currículo, constituiu-se a Proposta Curricular para o Ensino de Matemática no 1o grau. Os responsáveis foram Antonio Miguel, Marília Barros de Almeida Toledo, Mário Magnusson Junior, Nilson José Machado, Roberto Barbosa, Ruy Cesar Pietropaolo, Suzana Laino Candido, Vinício de Macedo Santos e Regina Maria Pavanello. Os autores deste documento se preocuparam, principalmente, em produzir uma proposta que contribuísse na resolução de alguns dos problemas no ensino da Matemática da época, evidenciados por professores da área.


Em uma escrita datilografada, as propostas se apresentaram em um texto de fácil entendimento. Tais documentos trouxeram orientações que serviriam de apoio aos professores ao ministrarem o que chamavam na época de três grandes temas na Matemática para o 1º grau: Números, Geometria e Medidas; no caso do 2º grau abordavam: Funções, Trigonometria, Análise combinatória, Probabilidade, Geometria, Potências e Expoentes e Matemática Financeira.


A Proposta Curricular para o Ensino de Matemática no 2o grau foi elaborada para refletir e discutir sobre as questões referentes à organização curricular da escola do 2ograu da rede oficial de ensino do Estado de São Paulo.


O final de 1983 ficou marcado pela possibilidade conferida às escolas de 2ograu do Estado de reformularem suas grades curriculares. [...] As escolas tiveram autonomia para modificarem seus currículos de acordo com a necessidade e interesse de seus alunos e disponibilidade de seus professores, para adequarem o enfoque dado a este ensino, tendo em vista a sua realidade. [...] Estes fatos inviabilizaram a Proposta de Matemática, até então vigente [...] assim dentre as ações concretizadas pela SE no sentido de reorganizar a escola pública do 2o grau, tendo em vista a melhoria de seu ensino, inclui-se a elaboração de uma nova Proposta Curricular para as disciplinas que compõem esse grau de ensino, em particular, a de Matemática (SÃO PAULO, 1991, p. 8-9).


Sendo assim, os temas Funções, Trigonometria, Análise combinatória, Probabilidade, Geometria, Potências e Expoentes e Matemática Financeira, na proposta para o 2o grau, foram distribuídos ao longo das três séries que o compunham. A formação desejada para o aluno era tal que ele devesse adquirir um certo grau de criticidade, participação, criatividade e iniciativa.


O tema de Geometria, em particular, ganha destaque nestas modificações, pois já vinha sendo motivo de atenção nas décadas anteriores à implementação da proposta e isso se justifica em partes pela promulgação da Lei 5692/71, que concedia certa ‘liberdade’ às escolas quanto a decisão sobre os programas a serem trabalhados de diferentes disciplinas. Com isso, professores podiam escolher qual a estrutura de suas disciplinas e organização da sequência dos temas que iriam trabalhar. Assim sendo, segundo Pavanello (1993), muitos dos professores, por se sentirem ‘inseguros’ em abordar tópicos da Geometria, retiravam-nos de seus programas de disciplinas, ou simplesmente, organizavam-no por último, para que fossem trabalhados apenas se houvesse carga horária suficiente, o que nem sempre acontecia. Em vista deste contexto, a pesquisadora se empenhou em trazer foco para as dificuldades em aprender Geometria dos estudantes da Educação Básica. Regina Pavanello se dedicou em investigar motivos que poderiam ter contribuído para o abandono da Geometria e, por meio de pesquisas orientadas por ela, diversos cursos e projetos de extensão para professores foram executados auxiliando na formação destes professores com enfoque na importância da aprendizagem da Geometria. Principalmente no estado do Paraná, ampliaram-se as pesquisas em Geometria e houve uma redução significativa deste abandono. Atualmente, ainda são realizadas pesquisas e projetos para contribuir com o ensino da Geometria, assim como nas demais áreas da Matemática.


Neste sentido, a contribuição de Regina Maria Pavanello para a Proposta Curricular para o Ensino de Matemática no 2o grau, foi relevante uma vez que tal proposta tinha, entre outras, a grande responsabilidade de tentar reorganizar as abordagens da Geometria na sala de aula, inserindo-a novamente nos programas que haviam sido retiradas ou trazendo a possibilidade de uma reorganização que permitisse a sua abordagem nas aulas de Matemática.


Quanto à Proposta Curricular para o Ensino de Matemática no 1o grau, os temas Números, Geometria e Medidas, se estendem no decorrer das oito séries que compunham o então chamado Primeiro Grau. Pretendiam por meio destes temas alcançar o que foi indicado na proposta como as grandes metas para o ensino de Matemática no Ensino Básico: as aplicações práticas e o desenvolvimento do raciocínio lógico.


Foram levantados na proposta alguns problemas relativos ao ensino de Matemática que eram destacados por alguns professores da época: um ensino mecânico de algoritmos com a memorização de regras e repetições sem que se explorassem a criatividade e intuição dos alunos; uma generalização precoce de temas abstratos da matemática; a priorização de temas algébricos e a redução, ou muitas vezes eliminação de visualizações envolvendo a geometria. Este último item citado, sobre a pouca utilização de aspectos da geometria no ensino da Matemática, vem ao encontro do que descreveu Pavanello na entrevista concedida a Moran et al. (2023), na qual citou que a ideia central discutida em sua dissertação de Mestrado intitulada “O Abandono do Ensino de Geometria: uma visão histórica” (1985 - 1989), era oriunda de sua vida profissional da época. Em que presenciou o abandono desse ensino por parte de muitos professores. Pavanello também explicou que tal fato contribuiu com o desinteresse e a dificuldade dos alunos da Educação Básica com tópicos da Geometria, justamente por estes não serem abordados nas salas de aula.


Entende-se que esta preocupação de Pavanello com a ausência de abordagens da geometria nas escolas, juntamente com esse início de pesquisas da professora que destacavam a importância dos trabalhos com estes temas em sala de aula, foram um dos motivos que a levaram a ser convidada a compor o grupo de autores das Propostas Curriculares para o ensino de Matemática aqui citadas.


Nota-se que esta preocupação com o resgate da geometria no ensino de matemática fica claro em vários momentos no decorrer do que foi publicado na proposta curricular, pois em diversos tópicos são sugeridas abordagens geométricas que justifiquem ou que relacionem alguns dos temas trabalhados. Elucida-se esta informação com a seguinte citação:


O tratamento geométrico das operações, e consequentemente de suas propriedades, oferece um campo de experiências bastante rico para a integração entre os diferentes ramos da Matemática, quando utilizada a Geometria, via construções geométricas, para a verificação destas propriedades. Além disso, as representações geométricas são, neste caso, mais concretas do que demonstrações algébricas. Assim, questões como: “__ Qual o significado de 1 mais raiz de 2?; "raiz de dois mais raiz de três não é raiz de cinco“; "raiz de dois vezes raiz de três é raíz de seis"; etc., quando trabalhadas inicialmente sob o ponto de vista geométrico tornam esses fatos inesquecíveis para o aluno e menos árida sua justificativa algébrica [...] (SÃO PAULO, 1992, p. 164).


Na proposta, este excerto segue com uma especificação de como pode ser feita a verificação geométrica de que "raiz de dois vezes raiz de três é raiz de seis", decorrente do teorema de Pitágoras e de propriedades de radiciação. Nota-se que com indicações como estas, há de fato a efetivação do objetivo de se inserir novamente a Geometria nos ensinos de Matemática, uma vez que há orientações detalhadas que serviriam para nortear o trabalho do docente com a Geometria na sala de aula, e o mais importante, estas abordagens perpassariam os limites de tal tópico, se relacionando também com os demais, que eram Números e Medidas, como objetivava-se. É importante salientar aqui, o contexto histórico no qual as discussões sobre estas novas Propostas Curriculares de ensino de Matemática ocorreram. Tais propostas se deram em meio a uma redemocratização do país, que anteriormente a este período sofreu uma política de ditadura, que não abria espaço para tais discussões. Gouvêa (2023), ao organizar informações acerca do ‘expert Antonio Miguel’ sobre a sua contribuição na proposta curricular para o 1o grau, relata sobre o contexto histórico da época:


As discussões sobre a elaboração de um novo documento curricular ocorrem em meio a um contexto de redemocratização do país. O primeiro governador eleito pelo voto direto, depois de décadas de ditadura, no estado de São Paulo, foi André Franco Montoro, para o período de 1983-1987. Na época dos anos de chumbo era impensável uma discussão ampla acerca dos currículos, e é no período do mandato do primeiro governador escolhido pela população que surgem as primeiras ideias de modificar os currículos que vigoravam em nosso país (GOUVÊA, 2023, p. 1).


Foi neste contexto pós ditadura militar, que se organizaram as propostas curriculares para o ensino de Matemática no 1o e 2o grau para o estado de São Paulo.


Diante do processo de redemocratização do país, ocorreram a manifestação de diferentes organizações e associações que, por meio da Educação, procuraram conscientizar os cidadãos do seu papel como cidadão crítico, e também dos seus direitos e deveres. Algumas organizações e associações foram criadas, com o intuito de realizar debates da educação em todos os aspectos, como a Associação Nacional de Docentes do Ensino. É importante ressaltar também, que as tendências educacionais que emergiram nessa década, estavam fundamentadas nas ideias de Paulo Freire. Ideias estas que imbricam a educação à luta e à condição de libertação da classe do oprimido, por meio da elaboração de uma consciência crítica, ou seja, estavam pautadas na Pedagogia Libertadora, Pedagogia sócio-crítica dos conteúdos e a Pedagogia da autonomia. Tendências essas que enfatizavam as discussões, a problematização dos conceitos, a conscientização e a emancipação dos educandos.


As Propostas Curriculares para o ensino de Matemática do 1o e 2o grau, trouxeram discussões que podem ser consideradas, de certa forma atuais, apesar de datar quase quarenta anos atrás. Uma vez que seus autores se preocuparam em ressaltar a necessidade de direcionar uma autonomia para os alunos quando se trata do ensino de Matemática, com um incentivo à criatividade, alguns focos em resoluções de problemas, e também a abordagem de questões que se relacionam de modo crítico com a vida em sociedade. Aspectos esses demonstram para onde o olhar dos pesquisadores estavam se direcionando neste contexto de transição política ao qual o Brasil passava. Segundo informações constantes nos documentos, a elaboração de tais propostas, estavam diretamente relacionadas à discussão sobre a qualidade do ensino oferecido pelas escolas públicas de São Paulo até então.


Ressalta-se também, a importante relação destas propostas com o incentivo ao resgate do ensino de Geometria nas escolas. Fator este, que destaca a ‘expert’ Regina Pavanello, por já naquela época, se despontar quando o assunto era o ensino de geometria e atuar em pesquisas relacionadas ao ensino da Geometria. Com isso, ter podido então, contribuir na elaboração de propostas que tivessem entre outros, o intuito, de resgatar a Geometria e inseri-la novamente em seu lugar, que é de crucial importância na composição de aulas de Matemática e em muitos momentos atuando de maneira transversal com outros temas.



Referências


BRASIL. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Dispõe sobre o ensino do 1º e 2º graus. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5692.htm#:~:text=LEI%20No%205.692%2C%20DE%2011%20DE%20AGOSTO%20DE%201971.&text=Fixa%20Diretrizes%20e%20Bases%20para,graus%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias. Acesso em: 20 set. 2023.


GÔUVEA, Gisele de. Antonio Miguel. In: Dicionário de Experts. 2023. Disponível em: https://www.ghemat.com.br/itens/antonio-miguel. Acesso em: 11 set. 2023.


MORAN, Mariana; POLIZELI, Raquel; RHEA, Vanessa Cristina; CASSOLI, Camila Bonini de Araújo. O ensino da Geometria: entrevista com a professora Regina Maria Pavanello.Educação Matemática em Revista, Brasília, v. 28, n. 79, p. 01-11, abr./jun. 2023.


PAVANELLO, Regina Maria. O abandono do ensino de geometria: uma visão histórica. 1989. 195 p. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1989.


PAVANELLO, Regina Maria. O Abandono do Ensino da Geometria no Brasil: Causas e Consequências. Zetetiké, Campinas, n.1, p. 7-17, jan.-dez. 1993.


SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Educação - São Paulo. Proposta Curricular para o Ensino de Matemática 2o grau. São Paulo: Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas, 1991. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/170520. Acesso em: 29 dez. 2023.


SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Educação - São Paulo. Proposta Curricular para o Ensino de Matemática 1o grau. São Paulo: Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas, 1992. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/170519. Acesso em: 29 dez. 2023.

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