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Eu Sei Tudo – Magazine mensal illustrado

04 Jul 2017

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e marcado com as tags Agricultura, Almanaque, Americanismo, anticomunismo, Antifascismo, Arte e cultura, Ciências geológicas, Ciências naturais, Ciências Ocultas, Ciências sociais, Cinema, Colunismo social, Comércio, Comportamento, Costumes tradicionais, Desenvolvimento rural, Economia, Entretenimento, Espiritualidade, Esportes, Ficção científica, Fotografias, História, Liberalismo econômico, Literatura, Militarismo, Moda, Poesia, Primeira Guerra Mundial, Publicidade, Questões morais, Questões sociais, Questões trabalhistas, Religião, Segunda Guerra Mundial

Eu Sei Tudo foi, de acordo com o seu subtítulo, um “Magazine mensal illustrado” lançado no Rio de Janeiro (RJ), em junho de 1917. Propriedade da Companhia Editora Americana, a mesma que editava a Revista da Semana (e depois A Scena Muda), sua sede funcionava no nº 12 da Praça Gonçalves Dias. Arthur Brandão assinava como diretor gerente da editora e da publicação.

Editado como grande almanaque, formato de sucesso no mercado editorial brasileiro da época, copiado da imprensa internacional, Eu Sei Tudo lançou seu nº 1 com 150 páginas, nas dimensões 26,5 x 17,5 cm, encardernado em brochura e impresso em papel de ótima qualidade. Algumas de suas páginas, em especial as com ilustrações, eram multicoloridas – outras saíam em preto-e-branco ou impressas em duas cores. Cada capa trazia a imagem de uma linda e exuberante mulher, ao passo que as “Chronicas” que abriam suas edições desfiavam verdadeiros louvores aos meses correspondentes à publicação, que se convertiam, às vezes, em divertidos textos mundanos ou avaliações de temas da atualidade – como a I Guerra Mundial. Ao preço de 2$000 o exemplar avulso “em todo o Brasil”, o periódico também era vendido através de assinaturas anuais, por 25$000 (nacional) ou 60 francos (para assinantes fora do Brasil). Já a partir de sua edição nº 3, de agosto de 1917, Eu Sei Tudo passou a vender suas assinaturas anuais a 30$000.

Como todo almanaque, a linha editorial de Eu Sei Tudo buscava dar conta “de tudo um pouco”, visando a atenção de públicos variados: masculino, feminino e infantil, para entretenimento no lar e também para comerciários. Assim, a variedade temática de suas edições – que já eram extensas – possibilitou a publicação de textos científicos e reportagens sobre uma infinidade de temas, sempre bem ilustrados, além de literatura em verso e prosa, curiosidades, cartuns, ilustrações, caricaturas de figuras importantes da política e da sociedade brasileiras, anedotas, parábolas, enigmas (com verdadeiros torneios entre leitores na seção “Quebra cabeças” – que, como se fosse um periódico independente, na década de 1930 tinha “Dr. Lavrud” como diretor e “Dabliú” como secretário), aforismos, fotografias (como fotojornalismo ou, em alguns casos, reproduzindo obras de arte, como na seção “Arte – Quadros célebres”), folhetins, trechos de peças teatrais, trívias, cartas de leitores, publicidade, etc.

Especialmente nos primeiros momentos do almanaque, era visível o verdadeiro fascínio de seus editores pelas maravilhas da ciência e da tecnologia modernas, na abordagem feita sobre veículos, máquinas e façanhas como “o phonographo, o aeroplano, o radium, a telegraphia sem fio…” (ver artigo “O que a sciencia ainda procura”, no nº 1). Em Eu Sei Tudo, aliás, não faltavam previsões e hipóteses científicas para o futuro tecnológico e para o destino da humanidade – incluindo o fim do mundo, a possibilidade de viagens para a Lua (ver texto de J. Lecornu na edição de outubro de 1943), o derretimento das calotas polares (ver edição de fevereiro de 1950) e a possibilidade da existência de extraterrestres (assunto muito explorado em edições da década de 1950). Fora tais assuntos, outros dos muitos temas abordados eram medicina e saúde, astronomia e observações espaciais, biologia e microbiologia, astronomia, botânica, história (mundial e nacional, referindo-se a vários períodos), estudos sociais, geografia, geologia, literatura (ver, no nº 1, a lista de “Pseudonymos de escriptores brasileiros”, na página 43), lendas e mitologia, matemática, assuntos militares (maquinário, estratégias, educação e disciplina militar, etc. – de certa forma, apesar de denunciar os horrores das guerras, o periódico via com bons olhos o militarismo – ver “O bom militarismo” no nº 6, de novembro de 1917), geopolítica, guerras e conflitos armados (como foi lançado durante a I Guerra Mundial, esta e suas consequências na sociedade ocidental eram assuntos recorrentes na publicação, sobre vários aspectos), fotografia, cinematografia, esportes (com grande destaque para o atletismo e para a luta greco-romana, ao menos nos primeiros momentos do almanaque), gramática, energia elétrica, indústria e métodos de produção variados, teatro (na seção “O theatro ao alcance de todos” eram transcritos textos de peças teatrais), expedições e aventuras, questões trabalhistas, perfuração do solo, anatomia humana, antropologia, física, química, higiene, arquitetura, (como na seção “As maravilhas de pedra”), paisagens naturais e grandes cidades ao redor do mundo, navegação marítima, alimentação, dança, agricultura, personalidades femininas históricas, ficção científica (ver “Uma esquadrilha de Zeppelins titanicos” do Kaiser alemão “levando a ruína e a destruição a todos os astros do universo” no nº 15, de agosto de 1918), o fundo do mar, atualidades e excentricidades do mundo estrangeiro,  costumes e tradições de sociedades variadas, a opulência de cortes e nobres, esoterismo, venenos e seus antídotos (entre vários outros conhecimentos de utilidade pública), pedras preciosas, preces e assuntos religiosos, entre outras coisas, incluindo assuntos amenos – como um concurso de fabricação de ninhos para passarinhos em uma cidade americana (também no nº 1), animais de estimação, jardinagem, divas e misses da época, artistas de “cinematographo” (ver a página 109 do nº 6), a alta sociedade internacional, horóscopo (na seção “O mez kabbalistico”), jogos e passatempos, viagens, datas comemorativas (ver o “Natal em todo o mundo” no nº 7, de dezembro de 1917 – nesta mesma edição lembra-se a confraternização entre soldados ingleses e alemães, nas trincheiras, em plena I Guerra Mundial, por ocasião do Natal de 1914). Ao fim de cada número do almanaque, era publicado ainda um calendário com curiosidades e acontecimentos históricos sobre cada dia do mês correspondente à edição (esses calendários, no entanto, não chegaram a ser publicados por mais de um ano).

Buscando o público feminino – pela suposição patriarcal, da época, de que assuntos científicos, históricos e geopolíticos atraíssem mais o público masculino – o almanaque também explorava, além das amenidades já expostas, muitos temas “do lar”, relegados ao “bello sexo”. Assim, abordava recorrentemente deveres e posturas conjugais, amor e romance, casamentos e noivados, educação infantil, as formas de uma mulher moderna se manter bela, receitas (na seção “Canhenho de uma gulosa”), crochê e bordados (em “Os dedos de fada”), moda masculina e feminina (ver, no nº 1, “O mais espantoso dos decotes – é simplesmente a suppressão do corpete”), jóias, utilidades domésticas, decoração e a elegância no lar, economia doméstica, entre outras coisas, normalmente enquadradas na seção “Conhecimentos úteis”. Ainda assim, Eu Sei Tudo chegou a abordar a inserção da mulher no mercado de trabalho (ver “As conseqüências da guerra – um novo perigo” e “O destino da mulher atravez dos séculos”, no nº 1) e mesmo o feminismo (ver “O feminismo caminha!”, no nº 11, de abril de 1918).

Muitas curiosidades e informações científicas, em reportagens ou publicadas em textos mais curtos na seção “Como é fácil saber tudo – Pequena Encyclopedia Popular” (que tempos depois publicaria a série “Dicionário de nomes próprios”, a “Biografia de todos os santos e personalidades históricas e lendárias), faziam referências diretas a invenções e experiências norte-americanas e europeias, imprimindo nas páginas de Eu Sei Tudo certo fascínio com o proveniente de tais países. Isso era ainda reforçado pelas frequentes fotografias e textos sobre paisagens urbanas e naturais de todo o mundo, além de narrativas importadas de culturas variadas (inclusive africanas e latinoamericanas, como se vê nos nºs 8 e 9, de janeiro e fevereiro de 1918) e reportagens sobre costumes pitorescos (ver “A psycologia da mulher japoneza” no nº 12, de maio de 1918). De qualquer maneira, Eu Sei Tudo não deixava de mostrar deslumbres com novidades americanas, inglesas e europeias em geral – já em seu nº 1 o almanaque se apresentava elogioso ao “espírito pratico dos yankees”: “O norte-americano, que se caracterisa pelo genio inventivo e simplificador, acaba de descobrir um novo processo de sommar, pelo qual é bastante conhecer a ‘casa dos nove’ na taboada”.

No início da publicação, os poemas tinham muito espaço em Eu Sei Tudo, mas começaram a rarear já em edições de 1918 – o nº 11, de abril daquele ano, chegou a trazer só um poema. A partir da 14ª edição, ainda do mesmo ano, a seção “Para recitar”, por vezes, deixa de aparecer no sumário, limitando-se a esparsos poemas em algumas páginas. Na publicação de poemas, contos e trechos de romances, o periódico trouxe textos de Orlando Teixeira, João de Deus, Belmiro Braga, E. Gonzalez Fiol, Gastão Leroux, Guy Chantepleure, Arthur B. Reeve, Grant Allen, Humberto de Campos, Augusto de Lima, Souza Viterbo, Ulysses Linz de Albuquerque, Edmond Pilon, Antonio Salles, Xavier de Carvalho, Hermann Scheffaner, J. Joseph-Renaud, H. G. Wells, Maurice Leblanc, Bocage, Adolpho Krunnacher, Charles-Henry Hirsch, Victor Margueritte, Magalhães Azeredo, Anthero de Quental, Arthur Conan Doyle, William A. Wolff, Cruz e Souza, Moreira de Vasconcellos, Margaret Cooper, André Linville, Thomas Lopes, Augustin Filon, Alberto de Oliveira, Anatole France, H. W. Hornung, Emilio de Menezes, Georges de Peyrebrune, Bulhão Pato, Henry de Bresay, André Couvreur, Victor Hugo, Raymundo Corrêa, “D. Xiquote”, Hildegard Hawthorne, S. P. Shiel, Max Reboul, Grazia Delledda, Stanislau Rzewnski, Ivan D’Urgel, André Smithson, José Luengo, Georges Dombre, J. Ortiz y Piñedo, Rudyard Kipling, Camille Marbo, Mauricio Lopez Roberts, H. Rider Haggard, George Casella, Marie Anne de Bovet, F. Perez Rueda, Georges Berr, Arsenio Lupin, Pedro de Repide, Horacio Van Offel, M. Diaz Barneda, Condessa Pardo Bazan, Tristan Bernard, Alfredo Marte, Germano Gomez de la Mata, René Maizeroy, Paul Bourget, François Coppée, Noelle Roger, Owen Oliver, Rodrigo Rey, Álvaro Real, Olavo Bilac, Rosita Forbes, Max Pemberten, Emma Lindsay Squier, R. L. Stevenson, Edgar Allan Poe, James Francis Dwyer, Frederick Boutet, H. Seton Merriman, Edouard de Keyser, Henrique Sieukiewiez, Pierre Villetard, Herbert Bishoff Henning, Roger Vercel, Patricia Wentworth, Anthony Armstrong, Carlton Jones, Jefferson Farjeon, Holloway Horn, Yves Pascal, Charles Dickens, Manoel de Gongora, Alice Campbell, Frank Brentano, Marie Madeleine Chantal, Agatha Christie, Herbert Adams, Vicki Baum, Margareth Linn, Henry Gréville, Antonio de Hoyo y Vinent, Anne Pollier, Hervé Bazin, entre muitos outros.

A partir de sua 2ª edição, de julho de 1917, Eu Sei Tudo definiu suas seções, expondo-as no sumário: “Chronica”, “Contos”, “Para recitar” (poemas), “Comedia” (a já exposta seção “O theatro ao alcance de todos”, com roteiros de cenas teatrais), “Romance” (onde se publicavam trechos de romances, como folhetins), “Curiosidades”, “Paginas de arte”, “Primores do engenho humano”, “Conhecimentos úteis” e “A sciencia ao alcance de todos”. Posteriormente, no entanto, algumas editorias foram suprimidas e outras criadas, como “Percorrendo o mundo”, “Diversos” e outras. A partir do nº 4, de setembro de 1917, o volume de publicidade no almanaque aumentou.

Em meados de 1918, Eu Sei Tudo passou por algumas mudanças: na edição nº 15, ano 2, de agosto daquele ano, Aureliano Machado passou a figurar como diretor gerente da Companhia Editora Americana, no lugar de Arthur Brandão. Além disso, o preço do exemplar avulso para os outros estados brasileiros, fora o Rio, sobe para 2$200, mantendo-se o mesmo apenas na capital. Tempos depois, o preço para as assinaturas no exterior seria fixado em 36$000. Até 1920, todavia, as mudanças foram poucas em Eu Sei Tudo. Nesta época, além de trazer um sensível aumento de páginas, o almanaque publicava as seções “Nossa terra”, com destaques da sociedade, da geografia, da cultura e da vida urbana brasileiras, e “O mez que passa”, com assuntos relativos ao mês de cada edição, normalmente lembrando datas históricas. No ano de 1920 apareceram editorias esporádicas como “Canhenho do fazendeiro”, com assuntos rurais, e “Cousas do nosso tempo”, de atualidades mundiais – o nº 39, de agosto daquele ano, teria ainda a editoria “A Bélgica heróica”, um especial em homenagem ao país frente à I Guerra Mundial. De resto, até esse ano nada havia mudado consideravelmente, à exceção de uma melhoria na qualidade gráfica da publicação. A partir da edição nº 35, de abril de 1920, no entanto, o periódico reduziu um pouco seu número de páginas, lançando a cada edição em torno de 120 páginas – por motivos expostos três edições depois, transcrita abaixo. Após o lançamento da edição nº 36, ano 3, de maio de 1920, a numeração de Eu Sei Tudo reiniciou apenas nas capas: um mês depois, a edição de junho de 1920 viria como nº 1 do ano 4. No entanto, no sumário, a mesma aparecia também como nº 37.

Em seu nº 38 (nº 2 do ano 4), de julho de 1920, Eu Sei Tudo publicou “Uma explicação a nossos leitores” na página 10. Citando a crise no mercado de papel no pós-guerra, argumentava-se que

O papel em que é impresso nosso magazine custava antes da guerra 600 reis o kilo; hoje custa 2$500. Porém mesmo por esse valor não há possibilidade de obtel-o em quantidade sufficiente para nossa tiragem; essa impossibilidade é absoluta porque nem as fábricas produzem o bastante nem os governos dos paizes productores permittem a exportação, além de um limite muito severo.

Diante disso, de acordo com o texto, a administração do periódico considerou suspender a publicação, elevar o seu preço ou reduzir o seu número de páginas. Optando-se pela última medida, os números de Eu Sei Tudo tiveram 24 páginas cortadas. Em compensação, passou-se a publicar

30 páginas a côres ao envez de 7 (…) que davamos habitualmente. Dado que as páginas a côres nos custam o dobro em impressão e o triplo em gravuras, é evidente que a modificação não nos dá lucro.

Para rebater a crise, logo abaixo da explicação publicava-se um anúncio do “Almanach de Eu Sei Tudo” como “O mais efficaz instrumento de propaganda e reclame”, “Indispensável no lar, no estabelecimento commercial e na repartição pública”. Esse anúncio referia-se não às edições regulares de Eu Sei Tudo, mas a uma nova publicação: seus almanaques especiais anuais, intitulados Almanach Eu Sei Tudo. Ali anunciava-se que, prevista para 1921, quando realmente começou a circular, o novo periódico teria tiragem de 100.000 exemplares, “gigantesca”. Aparentemente, cada edição do anuário circulava nos meses de dezembro. Segundo o Almanaque Brasil de Cultura Popular, outro representante do gênero impresso da época, citado por Eu Sei Tudo,

(…) o Almanaque Eu Sei Tudo chega para revolucionar. Abusando das ilustrações e fotografias, instaura definitivamente o uso de imagens, dando ritmo à leitura, mais descontraído. Seções como a de horóscopo são reduzidas para dar lugar aos rostos de aniversariantes e romances novelescos. Gabava-se de ser vendido em todas as cidades do Brasil. E até mesmo em Portugal.

Em 1923, a redação de Eu Sei Tudo passou a funcionar no nº 103 da Rua Buenos Aires. Embora não houvesse sumido de suas páginas, o fascínio com os avanços da tecnologia moderna perderam um pouco de seu espaço no periódico, que, com o passar do tempo, dava mais atenção a história, saúde e organismo humano, biologia, cidades do Brasil e do mundo, sociedades e culturas exóticas internacionais, divas do cinematógrafo, assuntos “femininos”, temas amenos e outras coisas, incluindo as sempre presentes curiosidades em geral e contos de autores variados.

A partir de 1926, alguns artigos e reportagens do almanaque começavam a aparecer assinados – antes, somente textos literários traziam os nomes de seus autores. Assim, nomes como Luís Gastão de Escragnolle Doria (que passou a assinar as colunas de viagens a cidades brasileiras e outras matérias, sendo publicado no periódico por muitos anos – sua morte seria noticiada no nº 496, o nº 5 do ano 42, de outubro de 1958), P. Soares, Frank Crane, Felippo Melli, Paul Gruyer, L. Lenotre, Aurelio Pinheiro, Julio Marino de Carvalho, Saul de Navarro, F. Matania, Emile Schreiber, William H. Hall, Francisco Mendizabal, Felix Duquesnel, entre outros, começaram a figurar nas páginas de Eu Sei Tudo, alguns aparentemente traduzidos de outras publicações. Ainda na década de 1920, várias ilustrações de Alberto André Delpino Júnior figuraram nas páginas do almanaque.

Curiosamente, ao chegar na década de 1930, Eu Sei Tudo continuava com o seu antigo preço de capa de 2$000 – apenas os valores para assinaturas anuais no Brasil e no exterior haviam sido corrigidos, respectivamente, para 32$000 e 38$000. Cinco anos depois, com os escritórios da publicação já funcionando em um terceiro endereço, na Rua Visconde de Maranguape nº 15, os preços de assinatura baixaram novamente para 30$000 e 36$000. À época, cada edição saía com pouco mais de 100 páginas.

Na edição nº 222 (nº 6 do ano 19), de novembro de 1935, o almanaque Eu Sei Tudo publicou, no lugar dos contos que saíam no início de cada número, um texto de Renato de Castro homenageando o recém-falecido diretor responsável da Companhia Editora Americana e do periódico, Aureliano Machado. Ali, Castro expunha:

Trinta e nove annos de trabalho em jornaes e revistas, sim um hiato, deram-me no assumpto experiencia (…) que me attribue autoridade para distinguir em Aureliano Machado um dos raros exemplos de paixão sincera por nossa carreira. Approximou-se d’ella por accaso, apenas como capitalista e mais para ser util a um amigo do que com esperanças de lucro. (…) Com o tempo, a ‘Revista’ passou a ser sua preoccupação maior, a razão de sua vida. (…) um cliché mal collocado na ‘Revista’, uma photographia, que não chegava a tempo, um embaraço na expedição, punham-o fora de si. (…) em dezoito annos de direção d’esta casa, nunca o vi, nem mesmo nas horas de mais desencadeada irritação, tomar uma providencia contra um só de seus auxiliares, dos mais graduados aos mais humildes.

A partir do nº 223 (nº 7 do ano 19), de dezembro de 1935, a editora passou a ter como diretora responsável Adelaide Aureliano Machado, filha do falecido, que ficou no cargo até julho de 1937. No nº 243 (nº 3 do ano 21), de agosto de 1937, seu marido, Gratuliano da Costa Brito, assumiu o cargo de direção.

Apesar das mudanças que sofrera na década de 1930, Eu Sei Tudo manteve a linha editorial da época de Aureliano Machado. No entanto, ao adentrar 1940, a qualidade de boa parte de suas páginas, que sempre tinha sido boa, sofreu uma queda: várias páginas em preto-e-branco eram então impressas em papel de jornal, de baixa qualidade. Algumas páginas especiais, no entanto, assim como as capas, continuavam coloridas.No expediente de sua edição de janeiro de 1940 (nº 272 ou nº 8 do ano 23), o almanaque trazia uma série de informações que antes não constavam ali, como o endereço de sua sucursal em São Paulo, no 10º andar do edifício Martinelli, e o nome e o endereço de seus representantes na Bahia (Joaquim M. Cunha), no Paraná (Gerson Gomes Lustosa, identificado também como correspondente) e no Rio Grande do Sul (Ademar Lobato, da Agência Publix).

Durante a gestão de Gratuliano Brito o slogan do periódico, “Magazine scientifico, artistico e litterario”, se tornou mais específico, mudando para “Magazine mensal illustrado – scientifico, artistico, historico e litterario”. A adição do termo “histórico” fazia jus ao crescimento do tema na publicação, que, além de incontáveis artigos e ilustrações sobre momentos variados da história brasileira e internacional, trazia na velha coluna “Como é fácil saber tudo – Pequena Enciclopedia Popular” a “Biografia de todos os santos e personalidades históricas ou legendárias”. Na época, curiosamente, o preço de capa de Eu Sei Tudo ainda era o mesmo para a capital, custando 2$500 para leitores de fora do Rio de Janeiro. As assinaturas anuais nacionais ficavam por 30$000 e as internacionais por 60$000. No início da década de 1940, com a mudança da moeda nacional, as edições avulsas passaram a custar inicialmente CR$ 2,50 na capital e CR$ 3,00 nos demais estados, com assinaturas nacionais a CR$ 36,00 e internacionais a CR$ 65,00.

Lembrando suas edições contemporâneas à I Guerra Mundial, na década de 1940 Eu Sei Tudo abordou a II Guerra Mundial em vários aspectos. Suas capas, antes trazendo apenas imagens pueris e belas garotas, passaram a mostrar figuras diretamente relacionadas à guerra, como porta-aviões e outras embarcações, pessoas rezando, entre outras coisas. O tema era abordado sobretudo na seção “Memento de Eu Sei Tudo”, uma página de atualidades “Olhando o mundo a sessenta dias”, ou seja, com notícias gerais sucintas da guerra ocorridas com o atraso de dois meses. Durante o conflito a linha do periódico se mostrou inicialmente neutra, mas deixava transparecer certa antipatia com a União Soviética: na edição nº 273 (nº 9 do ano 23), de fevereiro de 1940, noticiava-se:

“Os finlandezes resistem bravamente aos russos, cedendo apenas ao norte do Lago Ladoga – A Finlandia resolve submeter a aggressão de que é victima à S. das Nações – Fracassam os paraquedistas russos (…) – Berlim toma posição dando razão à Russia e culpando a Inglaterra na questão da Finlandia (…) – Prosegue calmamente a evacuação da capital finlandeza – Os russos não escondem sua surpreza ante a resistencia finlandeza (…) – A Argentina pede a exclusão da Russia da S. das Nações”.

Outras edições desse ano mostravam líderes das nações envolvidas na guerra – como Benito Mussolini e Winston Churchill – em momentos descontraídos, em suas casas ou praticando atividades.

Números de Eu Sei Tudo lançados três anos depois, em 1943, traziam no expediente um novo grupo de representantes, desta vez internacionais: nos Estados Unidos (“S. S. Koppe & Co.”, em Nova Iorque), na “África Oriental Portuguesa” (“D. Spanos. Caixa Postal 434, Lourenço Marques”), no Uruguai (“Moratorio & Cia.”, em Montevidéu) e na Argentina (“Inter-Prensa”, em Buenos Aires). Já com poucas páginas coloridas e em papel de qualidade, numa diagramação que pouco evoluíra, o almanaque já se mostrava tendencioso aos Aliados, apresentando, em sua linha editorial internacional, valores democráticos americanos e ingleses mesmo em matérias amenas – também depois da guerra, diversos artigos dariam conta da política, da sociedade e de personalidades destes dois países. Outras reportagens, que tocavam diretamente nos conflitos, aparentemente eram reproduzidas da imprensa americana, com diversas imagens. Nas páginas 20 e 21 do nº 314 (nº 2 do ano 27), de julho de 1943, Eu Sei Tudo aproveita a passagem “do Independence Day” e destaca a democracia dos EUA como “indomável, o que constitue, sem dúvida, facto sem precedente e de grande significação”. Na mesma edição, publica-se a reportagem “Uma das batalhas decisivas do destino do mundo”, de Ronald Cowie, mostrando “Como a estratégia de Alexander e a tática de Montgomery derrotaram Rommel – e podem derrotar a Alemanha”. No nº 316 (nº 4 do ano 27), de setembro de 1943, o artigo “Sondando a ‘Fortaleza da Europa'” tratava de desconstruir o mito da superioridade alemã – sob uma imagem de Hitler e seus comandantes concentrados sobre um mapa, escrevia-se: “Atarantados mas com pose de entendidos, os chefões do Eixo tratam de estabelecer as fronteiras da ‘fortaleza…’ A muralha já cedeu na Italia, liquidando com o prestigio do Duce…”. Depois, concluía-se que

Emquanto no centro dessa imensa e perigosa fortaleza a Raça Superior começa a tremer de medo, Goebbels se vê desorientado, obrigado a adiar discursos, a refazer, hora a hora, os planos de sua propaganda. E este é outro comum sintoma numa cidadela cercada e já entregue à desorganisação. O inimigo interno já é tão poderoso como o que de fora se aproxima inexoravelmente. Tombam milhares de cabeças sob o machado dos carrascos. E não melhora a situação!

Já no fim da guerra, o discurso anti-nazista impresso no almanaque seria mais explícito (e ríspido): em julho de 1945 foi publicada a sugestiva matéria “Goering doente mental”, que iniciava pouco sutil:

O Goering de que vamos falar não é o miserável destroço, lamuriento e sem a menor compostura, que se deixa fotografar tendo os olhos súplices e cheios de lágrimas, enquanto comprime um lenço encharcado contra a boca soluçante, junto de um simples soldado britânico, encarregado de vigiá-lo.

Pela década de 1940 foram publicadas matérias e artigos assinados por Alberto O. Rhoad, Wallis de Windsor, Iracema (ver “20.000.000 de mulheres procuram marido”, artigo sobre “Uma multidão de moças de hoje condenadas ao celibato”, na edição nº 318, o nº 6 do ano 27, de novembro de 1943), Helio Vianna, José Ricardo Neto (responsável pela página “Nos domínios da gramática”), Tomaz de Aquino Filho (que assinava a coluna “Prática de Rádio”, para rádio-amadores), Mattos Pinto, Ferdinand Tuohy, Ezequiel Padilla (ministro das Relações Exteriores do México, publicado em julho de 1945), Doris M. Cochran (“Assistente da Divisão de Répteis e Anfíbios da U. S. National Museum”), George Christ, George T. Renner (“membro de colégio de professores da Columbia University”), Graham H. Friese-Greene, José L. Colom, Vieira Fazenda, A. Mistchenko, Nyle F. Smith, M. L. Rivas, Beatrice Du Frane, Max de Nansouty, Francisco Ciccotti, Gaylord Johnson, entre outros, como o antigo F. Matania. Na época, uma coluna de cartomancia havia sido inaugurada no periódico.

A Companhia Editora Americana iniciava a década de 1950 ainda com Gratuliano de Brito na direção, mas, à época, Mário Renato de Castro assinava como redator chefe de Eu Sei Tudo – o mesmo Renato de Castro que assinava o editorial de homenagem a Aureliano Machado, na ocasião de sua morte. Via-se ainda que em cada expediente, em 1950, o respresentante norte-americano do periódico passou a ser Aguiar Mendonça, e que Helena A. Lima passou a figurar como representante em Lisboa (na época, diversos artigos e reportagens eram dedicados à cultura e às paragens portuguesas). A partir do nº 394 (nº 10 do ano 33), de março de 1950, abaixo do nome de Gratuliano Brito passou a figurar R. Peixoto de Alencar, como diretor secretário. No entanto, em 1951 seu nome não aparecia mais no expediente.

Com o passar do tempo, o almanaque havia se mantido fiel à sua linha editorial variada, com ênfases em ciências, literatura, história, entretenimento, cidades brasileiras e estrangeiras e variedades “para toda a família”. No entanto, mesmo no sumário de cada edição já não se fazia mais divisões entre páginas de “Curiosidades”, “Conhecimentos úteis”, arte, abordagens científicas, crônicas e contos. No início da década de 1950 eram publicadas apenas novas seções, como “No mundo dos selos”, sobre o colecionismo de selos; “A vida do campo”, sobre a cultura de diversos produtos de origem rural; “Por que não fazem?”, com sugestões para novos e convenientes inventos; “Agora já fizeram isto!”, sobre novas invenções; e “Este mundo louco”, coluna esporádica apresentando excentricidades mundo afora. O noticiário de atualidades da seção “Memento de Eu Sei Tudo” continuava sendo publicado, assim como a antiga seção “Nos domínios da gramática”, ainda assinada por José Ricardo Neto, a “Pequena Enciclopédia Popular” e a página de passatempos e enigmas “Quebra Cabeças”. Em meados da década, uma nova seção de receitas foi criada com o nome de “Conselhos de uma quituteira”, assinada por Graciela Elizalde – a antiga “Canhenho de uma gulosa” havia sido suspensa do periódico tempos antes, embora outras páginas destinadas ao público feminino continuassem (em especial as de moda e beleza). Na época, séries de textos como “A vida do Cristo relatada por São Lucas”; “Explorando o Brasil meridional”, com anotações sobre uma expedição inglesa que revelava detalhes gerais sobre o Brasil do século XIX; ou “Re-descobrindo a América”, sobre a sociedade americana e a vida nos Estados Unidos, em geral. Por algum tempo, como uma destas séries, o periódico continuou publicando material que fazia eco à Segunda Guerra, como reportagens sobre a polêmica “Hitler está vivo? – Sensacionais revelações”, no nº 410 (nº 2 do ano 35), de julho de 1951, e nas edições seguintes; “sensacionais revelações de um jornal londrino” sobre “Estranhos projetos da Segunda Grande Guerra”, no nº 456 (nº 12 do ano 38), de maio de 1955; ou a bomba de Hiroshima – reflexo da Guerra Fria, o medo da ameaça atômica era real na publicação, como mostrado em “Como virá a MORTE atômica?”, no nº 455 (nº 11 do ano 38), de abril de 1955.

Em 1951, quando seu exemplar avulso passou, de Cr$ 4,00 para Cr$ 5,00, Eu Sei Tudo passou a circular em formato menor, medindo 22,5 x 16 cm. Em paralelo, o almanaque sofreu uma sensível reforma visual e voltou a ter algumas páginas em papel de boa qualidade, mas, ainda assim, sem a qualidade de impressão e as cores de outrora. Aos poucos, a diagramação e o uso de cores do periódico iam melhorando – a ponto de apresentarem verdadeiro avanço em 1955. Tempos depois, as edições passaram a trazer algumas chamadas nas capas, que até então ainda traziam apenas ilustrações – a primeira edição de 1955, por exemplo, anunciava o que trazia de mais interessante: “Um fantasma de quarenta séculos – A dupla vida da libélula – As mulheres trabalham de mais”.

Na edição nº 455 (nº 11 do ano 38), de abril de 1955, Eu Sei Tudo se mostrou prestes a uma nova reformulação. Logo na primeira página deste número, lançou o questionamento “Que acha o leitor?”, com uma enquete para “o que gostariam de ver alterado, aumentado ou simplesmente cortado”. Ali, perguntava-se se o leitor gostaria se continuassem “sendo publicados dois romances, com oito páginas cada um, ou apenas um romance, com 16 páginas”, além de “quatro ou cinco” contos por edição “ou em número muito menor, porém com histórias mais desenvolvidas”. Em paralelo, perguntava-se quais destes textos literários despertavam maior interesse: de autores nacionais ou internacionais, de amor, de aventuras, policiais, fantasiosos, alegres ou trágicos. No campo das reportagens e artigos científicos, o leitor era questionado quanto aos temas de maior preferência, citando como opções “Astronomia, Medicina, Matemática, Geografia, Cirurgia, Hipóteses audaciosas, Viagens, Arqueologia, Astrologia, etc.”. Nas edições imediatamente seguintes ao nº 455 não houve grandes mudanças temáticas no periódico, mas assuntos ligados à saúde e ao corpo humano – como tratamentos e procedimentos médicos, doenças, mistérios da mente humana, aparelhagem médica, anatomia, pesquisas e etc. – pareceram aumentar, havendo, inclusive, tempos depois, uma nova coluna regular sobre o tema, “Os progressos da medicina”. No mais, páginas de história, viagens, literatura e “o prodigioso mundo de amanhã” não perderam seu espaço, que já era destacado.

Seguindo nos mesmos moldes de 1955, em 1958 o almanaque já saía com o preço de capa de Cr$ 15,00 – as assinaturas nacionais custavam Cr$ 250,00 e as estrangeiras Cr$ 350,00. Tendo voltado à impressão em papel de baixa qualidade, uma quantidade moderada de páginas era colorida. Salvo algumas exceções, Eu Sei Tudo não apresentou grandes mudanças e evoluções em sua trajetória.

A última edição de Eu Sei Tudo consultada nesta pesquisa foi o nº 499 (nº 7 do ano 42), de dezembro de 1958. Nada nela indica que tenha sido a derradeira do periódico, apesar deste já ter estado em momentos melhores. Sabe-se, no entanto, que em meados da década de 1950 a Cia. Editora Americana entrou em franca decadência, com a revista A Cena Muda sendo o primeiro periódico da empresa a deixar de circular. Mesmo a Revista da Semana, principal publicação da editora, deixou de circular em 1959, num processo de falência creditado à administração de Gratuliano da Costa Brito – que dirigiu a Cia. Editora Americana sem ser do ramo –, à deficiência do parque gráfico da empresa editora e às dificuldades de enquadrar a mesma em novos valores de mercado. Pelo menos o Almanaque Eu Sei Tudo continuou sendo editado ao menos até 1960, tendo ali trabalhado como repórter, de 1958 a 1960, Ignácio Aureliano Machado Brito, filho do diretor Gratuliano Brito com Adelaide Machado Brito, ex-diretora da Editora Americana.

De 1950 a 1958 foram publicados em Eu Sei Tudo artigos e reportagens de Ignez Mariz (que assinava a coluna “Revelando o Brasil aos brasileiros”), A. Vieira da Silva, Mattos Pinto (já antigo no almanaque, publicando em meados de 1951 artigos sobre vida inteligente em Marte), José Louzeiro, Antonio Ferrari (“da Academia Nacional de Medicina”), Leopoldo Massieira, Mário Reis, Lester David, E. C. Bullard, F. Taylor, Peggy Mann, P. H. Newby, David Thurlow, Barbara Bingley, Rose Marie Hodgson, Hans Pettersson, James N. Miller, K. R. Batten, M. Silverman, Grant Hubley, G. Lenotre, William Haeley Atwell, Samuel Hopkins Adams, Hodding Carter, Anny Selwin, Charles V. Nemo, P. A. Sheppard, Roger Waisbard, Richard Carrington, entre outros, a maioria repórteres, acadêmicos e escritores traduzidos de publicações internacionais – algo que acontecia também com os quadrinhos humorísticos publicados na época.

Fontes:

– Acervo: edições do nº 1 ao nº 49 (nº 1 do ano 5), de junho de 1917 a junho de 1921; do nº 104 (nº 8 do ano 9), de janeiro de 1926, ao nº 107 (nº 11 do ano 9), de abril de 1926; do nº 120 (nº 12 do ano 10), de maio de 1927, ao nº 123 (nº 3 do ano 11), de agosto de 1927; do nº 152 (nº 8 do ano 13), de janeiro de 1930, ao nº 155, (nº 11 do ano 13), de abril de 1930; do nº 220 (nº 4 do ano 19), de setembro de 1935, ao nº 223 (nº 7 do ano 19), de dezembro de 1935; do nº 242 (nº 2 do ano 21), de julho de 1937, ao nº 247 (nº 7 do ano 21), de dezembro de 1937; do nº 272 (nº 8 do ano 23), de janeiro de 1940, ao nº 274 (nº 10 do ano 23), de março de 1940; do nº 314 (nº 2 do ano 27), de julho de 1943 ao nº 319 (nº 7 do ano 27), de dezembro de 1943; do nº 338 (nº 2 do ano 29), de julho de 1945), ao nº 343 (nº 7 do ano 29), de dezembro de 1945; do nº 392 (nº 8 do ano 33), de janeiro de 1950 ao nº 397 (nº 1 do ano 34), de junho de 1950; do nº 410 (nº 2 do ano 35), de julho de 1951, ao n 415 (n 7 do ano 35), de dezembro de 1951;

– ADAMATTI, Margarida Maria. A crítica cinematográfica e o star system nas revistas de fãs: A Cena Muda e Cinelândia (1952 – 1955). Disponível em http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27153/tde-10112010-113200/publico/5065590.pdf

– BRITO, Paulo M. Ignacio Aureliano Machado Brito. Disponível em  http://acd.ufrj.br/~museuhp/CP/Arquivos/Arq.2005/Arq.63-3/Arqs%20MN%2063(3)%20p363-369%20Brito.pdf

– COSTA, Adrielle da. Variedades e traços jornalísticos no Almanaque Brasil de Cultura Popular. Disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/2/21/GT4_02_Adrielle.pdf