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Literatura | O menino José Lins do Rego

08 set 2020

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e marcado com as tags José Lins do Rêgo, Menino de Engenho

“Ele sabia tudo sobre a vida do Nordeste, sobre os homens do nordeste, sobre suas paixões, suas dores, sua confiança. Esse menino de engenho trazia dentro de si todo o mundo nordestino e foi o seu rapsodo”. [Jorge Amado – Para todos].

O paraibano José Lins do Rego Cavalcanti(1901-1957), romancista e jornalista, teve sua formação iniciada em João Pessoa e concluída no Recife. Herdeiro das tradições dos senhores de engenho nordestinos, imprimiu em suas obras todo um acúmulo de memórias familiares sem, contudo, abrir mão de importantes críticas sociais sobre a preponderância das elites latifundiárias no país, em especial, no Nordeste brasileiro.

Desde sua juventude colaborava para o Jornal do Recife e fundou, em 1922, o semanário Dom Casmurro (Jornal do Recife), em homenagem à obra homônima de Machado de Assis. Tendo iniciado, em 1920, a faculdade de Direito no Recife, ampliou a sua circulação entre os meios intelectuais da região. Morou por um período em Maceió, onde passou a fazer parte do grupo de Graciliano Ramos, Raquel de Queirós, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, dentre outros. Em 1935, se mudou para o Rio de Janeiro, onde residiu pelo resto da vida.

José Lins do Rego fazia parte do time de escritores da José Olympio Editora e integraria um grupo de intelectuais essenciais para o desenvolvimento da literatura nacional. A Editora era conhecida pelos escritores como “A Casa” e local de encontros, saraus, reuniões literárias. Ali, os escritores se reuniam para discutir as novidades literárias nacionais e internacionais, organizar a publicação de suas obras ou para, simplesmente, encontrar os amigos para aquela conversa de fim de expediente (O Cruzeiro).

Leitor das obras de Machado de Assis, de Raul Pompéia e de José de Alencar, o empenho de José Lins do Rego seria em ressaltar, em sua escrita, o olhar regionalista (A.B.C.), em romances que tratam de todo um sistema econômico de origem patriarcal, com o trabalho semiescravo, ao lado de outro aspecto importante da vida nordestina, o cangaço e o misticismo. Cinco dos seus romances compõem o que denominou “ciclo da cana de açúcar”(Vamos lêr!): Menino de Engenho (1932), Doidinho (1933), Bangüê (1934), O Moleque Ricardo (1935), e Usina (1936). Outros dois romances, Pedra Bonita e Cangaceiros, são inseridos no “ciclo do cangaço”.

Além desses ciclos temáticos, encontramos as chamadas “obras independentes”, algumas com ligações nos dois ciclos: O moleque Ricardo, Pureza e Riacho Doce e outras desligadas dos ciclos: Água-mãe e Eurídice.

Autor reconhecidamente importante em seu tempo, recebeu o Prêmio da Fundação Graça Aranha, pelo romance Menino de engenho (1932); o Prêmio Felipe d’Oliveira, pelo romance Água-mãe (1941), e o Prêmio Fábio Prado, pelo romance Eurídice (1947). Em 1955 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, quarto ocupante da Cadeira 25, na sucessão de Ataulfo de Paiva e recebido pelo Acadêmico Austregésilo de Athayde em 15 de dezembro de 1956.
Escrevia crônicas para revistas como O Cruzeiro, bem como colaborava para outros jornais da cadeia Diários Associados, de Assis Chateaubriand, e para o Globo, de Roberto Marinho. Em artigo para o Diário da Tarde, do Paraná, Lins do Rego discute o distanciamento entre o romance e o povo brasileiro, algo que procurava minimizar com as suas obras (http://memoria.bn.br/DocReader/800074/66036). Um dos exemplos é a crônica Carnaval de Engenho (O Cruzeiro, http://memoria.bn.br/DocReader/003581/30626 e http://memoria.bn.br/DocReader/003581/30626), em que relata as memórias sobre o carnaval na sua cidade natal, aproximando, com bom humor e uma dose de crítica, o seu leitor à sua realidade.

Sua projeção também se deu fora do país e, preocupado com os rumos políticos internacionais, em 1945 integrou a Associação dos Amigos do Povo Espanhol, grupo que se colocava em apoio às ações antifascistas, em especial, recomendando o rompimento diplomático entre Brasil e a Espanha de Franco (Diário da Tarde). Teve várias de suas obras traduzidas para outros idiomas e o romance Pureza (Vamos lêr) foi adaptado para o cinema pelo cineasta português Chianca de Garcia, em 1940 (O Cruzeiro).

Apaixonado por futebol, Lins do Rego foi chefe da delegação brasileira na Copa Sul-americana de 1953; secretário-geral do Flamengo (seu time do coração) e secretário da CBD. Foi também cronista esportivo, unindo seu talento de escritor e a paixão pelo esporte, tendo suas crônicas publicadas diariamente na coluna “Esporte e Vida”, na 3ª página do Jornal dos Sports, a partir de 7 de março de 1945. Ali, acompanhou de perto momentos marcantes do futebol, como a derrota da seleção brasileira na Copa de 1950 (http://memoria.bn.gov.br/DocReader/112518_01/36751).

Por ocasião de seu falecimento, em 12 de setembro de 1957, vários escritores, como Jorge amado, Di Cavalcanti, Jose Olympio, Dinah Silveira de Queiroz, Paulo Cavalcanti e outros o homenagearam, em edição de Para Todos.

Explore os documentos

Imagens:

Caricatura de José Lins do Rego por Augusto Rodrigues, publicada no jornal Sport Ilustrado (1945)

Caricatura por Santa Rosa, publicada no Diário de Notícias:


No esporte

O Brasil e a Copa do Mundo

O Estádio Municipal (Maracanã)

Sobre a inauguração do Maracanã

Sobre a derrota do Brasil na Copa de 50

Sobre seus romances:

Trecho do livro “Menino de Engenho”, em Boletim de Ariel, 1932

Texto de Jorge Amado sobre o livro “O Moleque Ricardo” (A Manhã, 1935)

Resenha de “Menino de Engenho”, por Augusto Frederico Schmidt (Diário de Notícias, 1932)

Colaborações em jornais e revistas:

O CRUZEIRO

Crônica “Queima das Lapinhas”

Crônica “O major Bonifácio”

Crônica “Histórias da Velha Totonia”

Entrevista

A MANHÃ (RJ)

Usineiros e Latifúndio

Por que escreves?

“O Poeta”, sobre Fagundes Varela

“O Regionalismo de Gilberto Freyre”

“Dois anos de guerra”

A PROVINCIA (PE)

“Senhor de engenho virou tema da moda”

“Em favor da literatura”

DIÁRIO DE NOTICIAS

O romancista Graciliano Ramos

A CIGARRA

Era colaborador da seção “Livros”


ILLUSTRAÇÃO BRASILEIRA

“Engenho da Paraíba”

DIÁRIO DO PARANA

“Houssay”

O MALHO

Crítica ao romance Menino de Engenho