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06 de maio: Dia do Cartógrafo

29 jul 2022

Artigo arquivado em Datas comemorativas

A data foi escolhida pela Sociedade Brasileira de Cartografia (SBC) para homenagear Mestre João – astrônomo pertencente à frota de Pedro Álvares Cabral – que determinou, em 06 de maio de 1500 (pelo calendário Gregoriano), a latitude da então Baía de Cabrália (atual Porto Seguro, no estado da Bahia), considerado o trabalho cartográfico mais antigo do Brasil.

A história da humanidade está ligada a utilização dos mapas. É considerada uma das artes mais antigas da civilização, subsidiando várias atividades, principalmente explorações, conquistas territoriais, atividades agrícolas e transporte. O homem pré-histórico já fazia uso de um tipo de comunicação cartográfica expressa nas pinturas rupestres, retratando lugares e elementos do espaço. Contudo, o advento dos mapas está ligado ao surgimento das cidades e da própria escrita. A sedentarização das populações e formação de excedentes de produção ampliou o fluxo de pessoas e mercadorias, levando às primeiras rotas de comércio e, consequentemente, a necessidade de se mapeá-las. Surgiram então os primeiros cartógrafos – profissionais responsáveis pelo estudo e elaboração de mapas e demais representações da Terra ou partes dela.

Os primeiros mapas surgiram, ao que se acredita, nas discussões de comerciantes e navegadores em cima de mesas, usando objetos e/ou desenhos para representar o espaço. De origem provavelmente cartaginesa (Cartago foi uma antiga cidade fenícia localizada na atual Tunísia – norte da África), palavra “mapa” significa “toalha de mesa”.

No Brasil, coube ao historiador português Manuel Francisco Carvalhosa – 2º Visconde de Santarém – introduzir a palavra “cartografia”, através de uma carta endereçada ao historiador brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagen em 1839.

Os mapas mais antigos conhecidos tem origem na Mesopotâmia e retratavam suas feições geográficas gravadas em tábuas de argila, em torno de 5.000 anos a.C.. Mapas mais modernos surgiram na Grécia, através das representações do filósofo grego Pitágoras em 600 anos a.C.. Este foi um dos primeiros a acreditar que a Terra tem formato arredondado, algo confirmado posteriormente por outro filósofo conterrâneo, Aristóteles, ao estudar o movimento dos planetas e dos eclipses lunares em 300 a.C.. O sistema de coordenadas geográficas data aproximadamente de 200 a.C. e um dos primeiros a utilizá-lo foi o astrônomo, cartógrafo e matemático Hiparco, criando as latitudes e longitudes e a divisão do círculo em 360 graus.

Com as Grandes Navegações – e um mercantilismo muito expressivo – houve um significativo avanço nas técnicas de posicionamento geográfico, impulsionando muito a Cartografia. Este foi o período do advento dos instrumentos de navegação e mapeamento, como o astrolábio, a bússola, o sextante e a rosa dos ventos. Neste período cresceu a geração de mapas – em especial as cartas náuticas – e nas quais era muito valorizado o cunho artístico.

A Cartografia produzida nesta época foi muito refinada, levando esse período a ser conhecido como a “Idade de ouro da cartografia”. Cartógrafos renomados fizeram história, dentre os quais se destacam o alemão Martin Waldseemüller – que dividiu a Terra em dois hemisférios, ocidental e oriental – e o belga Gerardus Mercator (1512-1594) – responsável por criar e introduzir a projeção cilíndrica –, que influenciou a cartografia dos séculos seguintes. Graças a isso, é considerado o pai da cartografia moderna.

Na Idade Moderna – nos séculos XVIII e XIX – as políticas das grandes nações de expansão territorial trouxeram novos avanços à Cartografia. O Imperialismo contribuiu muito para o desenvolvimento de novas técnicas, a partir da necessidade de conhecimento mais apurado dos lugares e a acentuada exploração de matérias-primas para alimentar a industrialização crescente. Regiões como a África passaram a ser cada vez mais conhecidas e o intercambio de conhecimentos cartográficos cresceu.

O século XX foi marcado por enormes avanços na Cartografia. A profusão da fotografia e da filmagem contribuiu significativamente para a elaboração de representações mais acuradas da superfície terrestre. A invenção do avião também teve muita importância, permitindo o uso de fotografias aéreas de grandes áreas. Este foi ainda o século das Grandes Guerras, períodos em que a necessidade de se conhecer os territórios de conflito e estabelecer rotas e a aviação, fez com que as técnicas cartográficas ganhassem um enorme impulso. Os radares se tornam instrumentos essenciais na elaboração de mapas. Na segunda metade do século, a corrida espacial resultou em uma verdadeira revolução para a Cartografia. A Terra passou a ser vista e fotografada do espaço. Os satélites artificiais em órbita retratam e transmitem imagens precisas da superfície e servem de instrumento essencial para o trabalho dos cartógrafos.

Atualmente, o sensoriamento remoto e a cartografia digital se utilizam de softwares que permitem a confecção de mapas muito bem elaborados e precisos, com modelos tridimensionais e dinâmicos, mantidos e processados em bases de dados, formando os Sistemas de Informações Geográficas (GIS).

A documentação cartográfica da Biblioteca Nacional começou a ser formada em fins do século XVIII, com a criação da Real Biblioteca, em Lisboa. Esse acervo cresceu com aquisições de importantes coleções particulares e constitui, atualmente, um rico patrimônio, com exemplares do Brasil, do império ultramarino português e de outras partes do mundo. Com milhares de mapas, vistas e planos – manuscritos e impressos –, documentos históricos e centenas de Atlas, esse precioso material se encontra guardado em várias áreas da Biblioteca Nacional: Cartografia, Manuscritos, Iconografia e Obras Raras. Destaca-se o material produzido por Miguel Antônio Ciera, astrônomo italiano contratado pela coroa portuguesa para participar dos levantamentos – para o estabelecimento das demarcações do Tratado de Madri, de 1750 – das fronteiras na Região Sul do Brasil. Apesar de sua vasta produção cartográfica, só se tem conhecimento de dois dos seus desenhos, que integram o Registro Nacional Programa Memória do Mundo da UNESCO e o Registro Programa Memória do Mundo na América Latina e Caribe, de 2012.

 

Conheça um pouco mais sobre cartografia com o dossiê digital “Biblioteca Virtual da Cartografia Histórica: do século XVI ao XVIII”:

Veja a exposição digital “Historica Cartographica Brasilis in Biblioteca Nacional”.

Acesse o “Mappa geographicum quo flumen Argenteum, Paranà et Paraguay exactissime nunc primum describuntur”, de Miguel Antônio Ciera.

Conheça a “Tabula nova, atque accurata Americae Australis”, de Miguel Antônio Ciera:

Veja o mapa “Brasilia”, de Petrus Bertius.

Acesse o mapa “Accuratissima Brasiliae tabula”, de Willem Hondius.

Conheça o mapa “Brasilia”, de Arnoldus Montanus.