BNDigital

17 de abril | Dia Nacional da Botânica

17 abr 2021

Artigo arquivado em Datas comemorativas
e marcado com as tags @culturagovbr, Biblioteca Nacional, Botânica, Dia Nacional da Botânica, Flora Brasiliensis, Secult, Von Martius

O Dia Nacional da Botânica foi instituído em 1994 em homenagem aos 200 anos do nascimento do naturalista alemão Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), autor da monumental “Flora Brasiliensis”, um estudo sistemático da flora brasileira e ainda hoje obra de referência para os estudos de Botânica.

Martius chegou ao Brasil em 1817, integrando a Expedição Científica de História Natural que acompanhou a comitiva da arquiduquesa Leopoldina da Áustria, que vinha ao país para casar-se com o príncipe D. Pedro de Alcântara, futuro imperador D. Pedro I. Martius foi um dos integrantes da expedição que ficou conhecida como Missão Austríaca, formada por diversos naturalistas e artistas europeus, entre os quais os zoólogos Johann Baptist von Spix e Johann Natterer, o botânico Giuseppe Raddi, o mineralogista Rochus Schüch, o botânico e mineralogista Johann Emanuel Pohl e os artistas Johann Buchberger, Franz Josef Frühbeck e Thomas Ender. A expedição tinha por objetivo descrever, classificar e coletar exemplares da fauna e da flora brasileiras, além de minerais e artefatos arqueológicos e etnográficos.

Martius viajou pelo Brasil entre 1817 e 1820, percorrendo províncias das regiões Sudeste, Nordeste e Norte. De suas expedições resultaram diversas obras científicas, entre as quais “Historia naturalis palmarum”, publicada em Leipzig entre 1823 e 1850, e “Reise in Brasilien”, organizada por Martius e Johann Baptist von Spix, publicada em Munique em três volumes e um atlas, entre 1823 e 1831. A primeira tradução integral brasileira desta obra, intitulada “Viagem pelo Brasil por J. B. von Spix e C. F. P. von Martius”, foi promovida pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro no âmbito das comemorações do centenário de sua fundação em 1938.

A “Flora Brasiliensis” foi publicada entre 1840 e 1906 e nela foram descritas 22.767 espécies vegetais, com a colaboração de especialistas de diversos países. Seus principais financiadores foram o imperador da Áustria Ferdinand I, o rei da Baviera Ludwig I e o imperador do Brasil D. Pedro II. Nessa obra, Martius delineou a primeira divisão fitogeográfica do Brasilem cinco “provinciae florae” (Naiades, Hamadryades, Oreades, Dryades e Napaea) que constituem a base dos biomas brasileiros tal como conhecemos hoje: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.

Atestando a relevância histórica e científica da obra de Karl Philippvon Martius, citamos dois projetos envolvendo o trabalho colaborativo de especialistas na área da Botânica com o intuito de oferecer sistemas de informação online sobre a flora brasileira. O projeto “Flora brasiliensis” contempla um banco de imagens das pranchas digitalizadas e bancos de dados com informações sobre as espécies e osautores citados na obra, além de referências às pranchas e textos. O programa “REFLORA – Plantas do Brasil: resgate histórico e herbário virtual para o conhecimento e conservação da flora brasileira” agrega as plataformas de trabalho do Herbário Virtual Reflora e da Flora do Brasil 2020 e tem, entre outros objetivos, o resgate de imagens e informações dos espécimes da flora brasileira depositadas em herbários nacionais e estrangeiros.

Obras que podem ser consultadas na BN Digital:

Aspecto tirado a bordo da fragata Áustria em sua viagem para o Rio de Janeiro em 9 de abril de 1817, vendo-se entre os passageiros Spix e Martius (desenho de Thomas Ender)

Reise in Brasilien, volume I, 1823

Reise in Brasilien, volume II, 1828

Reise in Brasilien, volume III, 1831

Atlas zur Reise in Brasilien

Flora Brasiliensis, volume I, parte I. Descrição da Tab. XXIV - Silva in Monte Corcovado, Prope Sebastianopolin, Prov. Rio de Janeiro (p. 51/67)


(Seção de Iconografia)



Floresta no Morro do Corcovado, perto de São Sebastião, Província do Rio de Janeiro.Da obra Flora Brasiliensis, volume I, parte I. Tabulae Physiognomicae XXIV.