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30 de março | Lançamento do “Bat-Man”: o Homem-morcego

30 mar 2021

Artigo arquivado em Cultura Pop
e marcado com as tags 82 anos do Batman, Batman, Homem Morcego, Secult

Desde 1936, o talentoso desenhista estadunidense Robert Kahn (1915-1998), mais conhecido por Bob Kane, nome adotado por ele aos 18 anos, produzia histórias com super-heróis. Atento aos rumos do mercado de Histórias em Quadrinhos (HQ) de sua época, ao perceber o sucesso estrondoso de um certo Homem de Aço, criado pelos desenhistas Jerry Siegel e Joe Shuster, no ano de 1938, o jovem Kane, em parceria com o escritor Bill Finger, rapidamente desenvolveu outro personagem que também confrontasse os criminosos à solta.

Trajando uma vestimenta preta, mascarado, sombrio. Engana-se que pensou em Zorro. Não! Essa não é a história de Don Diego de la Vega, personagem criado pelo desenhista norte americano Johnston McCulley, em 1919. Sua marca não seria a de uma raposa - significado de zorro, em espanhol -, mas sim a de um morcego. Atenderia, então, pelo codinome Bat-Man - grafia que, a partir de agora, usaremos apenas quando se tratar de referência direta ao título da revista, optando pela escrita atualizada, Batman, para o personagem.

Batman seria encarregado de proteger os cidadãos de Gotham City que, ao menor vislumbre de perigo, logo sinalizavam a marca do pedido de socorro: um holofote projetava a silhueta de um morcego, através do jogo de luz e sombra, nos céus soturnos da cidade. Todo esse ambiente noir, posteriormente - isto é, no momento de um Batman cinquentão, nos anos 1980 -, ajudaria na caracterização do Cavaleiro das Trevas, por Franz Miller, num movimento de resgate do ar sombrio do personagem (Correio Braziliense).

Mas, afinal, quem era esse paladino da justiça? Qual a sua origem? A identidade secreta do herói é o playboy, milionário e filantropo, Bruce Wayne, proprietário da Wayne Enterprises. A vocação para o combate ao crime aflorou quando Wayne, ainda criança, presenciou a morte de seus pais pelas mãos do bandido Joe Chill, logo após uma noite de diversão em família, pois seus pais e ele haviam recentemente saído de uma sala de cinema, onde assistiram juntos ao filme A Marca do Zorro. O menino, então, jurando vingança e inspirando-se na lenda daquele outro herói mascarado, direcionou seus esforços para aprimorar conhecimentos, habilidades de luta e investigação, tornando-se referência para a punição aos criminosos, em sua cidade. Desprovido de poderes especiais, ou sobrenaturais, Batman contava com as habilidades adquiridas por Wayne e com seu poder econômico - peça fundamental para que conseguisse desenvolver máquinas e gadgets facilitadores de suas ações.

Habilidoso com os desenhos, e com os negócios, Kane entregou a sua produção para a DC Comics - hoje subsidiária da Warner e que, após a fusão entre várias companhias, originou a National Periodical Publications a qual, posteriormente, adotou o nome DC Comics, em referência a sua maior publicação: a revista Detective Comics -, empresa que lançou o Batman na edição Detective Comics #27, cuja data de capa seria maio de 1939 (Diário de Natal). Em uma jogada de marketing, seu pré-lançamento se deu no dia 30 de março daquele ano - segundo pesquisadores, esta seria a data registrada pela DC Comics como marco inicial do personagem, apesar da divergência com data que consta na capa da edição. A primeira aparição do personagem na revista tanto superou as expectativas do grupo que, em abril de 1940, a DC Comics lançou a revista Bat-Man #1, empreitada solo herói. No mesmo mês em que Batman ganharia sua revista própria, a Detective Comics #38 lançaria o personagem Robin, trazendo para a HQ o contraste entre a maturidade de Batman e a juventude de seu ajudante.

Kane passou a ser detentor exclusivo dos direitos autorais do personagem recebendo, assim, vultosas somas pelos royalties que incidiam sobre personagens e histórias que envolvessem Batman, mesmo que não tivesse contribuído com ideias para as mesmas. Ainda nos anos 1940, Kane contribuiria bastante para a revista, em parceria com outros desenhistas, como Jerry Robinson, criador do personagem Coringa. Após os anos 1960, seu nome deixou de aparecer nas revistas e, só nos anos 1970, outros começaram a levar o crédito pelas histórias do Batman. Bill Finger, o escritor por trás da vestimenta sombria do Morcego, não recebera em vida os direitos autorais que lhe cabiam, tendo recebido crédito por sua contribuição cerca de 40 anos após a sua morte, em 2014.

A DC Comics ampliou a sua equipe de heróis, e também de vilões, nos anos seguintes, configurando um verdadeiro Universo – o chamado Universo DC. Destacamos, entre os heróis: Superman (1938), Batman (1939), Lanterna Verde (1940), Aquaman e Mulher Maravilha (ambos em 1941). Dentre os vilões, aparecem: Coringa e Mulher Gato (1940) - a Mulher Gato, inicialmente, seria uma vilã e, atualmente, é considerada anti-heroína -, Lex Luthor (1940), Pinguim (1941), Brainiac(1958), Mr. Freeze (1959), Hera Venenosa (1966). Cada um contaria com suas histórias próprias, ou atuariam em conjunto, nas HQ da Liga da Justiça.

Durante meados dos anos 1940 a 1950, as HQ, em especial as que envolvessem temas como crimes, terror, violência etc., foram duramente penalizadas por grupos conservadores norte-americanos. Uma verdadeira cruzada contra as historinhas foi levada a cabo, incentivada pelos ideais moralistas defendidos por Joseph McCarthy, senador pelo estado do Wisconsin, entre os anos de 1947-1957. Famílias, membros de comunidades religiosas, professores, dentre outros segmentos da sociedade civil, chegaram a queimar fascículos de diversos títulos - nas palavras de Robin: Santa ignorância, Batman! Crianças e jovens não podiam levar as revistas para as escolas - ou mesmo ler em casa, caso seus responsáveis fossem afeitos a tal conservadorismo -, em razão da suposta associação da leitura das revistas a uma delinquência juvenil. Um dos principais defensores do controle às revistas, o psiquiatra alemão, radicado nos Estados Unidos, Fredric Wertham, chegou a caracterizar os personagens Batman e Robin como homossexuais, em um de seus ensaios. A pressão foi tão forte que fez com que os editores, dos mais variados títulos de HQ, criassem um código de qualidade para as revistas, o Comics Code Authority, cujo selo deveria estampar as revistas aprovadas por um comitê censor das próprias empresas.

No Brasil, Adolfo Aizen, dono da Editora Brasil-América Limitada (EBAL), trouxe o Batman para sua carteira de super-heróis, no ano de 1940, primeiro através da revista Lobinho, depois lançando uma revista própria para o personagem, em 1953. Apareceriam lá personagens já consolidados, como Robin, Coringa, Pinguim, Mulher Gato.

Em 1966, os personagens saltam das páginas dos HQ para as telas do cinema, com Batman: o filme, estrelado por Adam West (Jornal da República). Também fizeram estreia na TV, com o seriado norte-americano Batman e Robin - exibido entre 1966 e 1968, dirigido por Lesllie H. Martinson e interpretado por Adam West (Batman) e Burt Ward (Robin), e que imprimiu comicidade aos personagens, com fantasias chamativas, trilha sonora animada e frases de duplo efeito (Jornal do Brasil). Ao longo dos seus 82 anos de existência, Batman conta com cerca de 12 filmes, entre histórias do personagem e aparições em tramas compostas por outros heróis da DC Comics. Foi interpretado por diferentes atores, cujos filmes não possuem uma lógica sequencial entre si. Embora as críticas, a alguns dos filmes, não seja positiva (Correio Braziliense), algumas bilheterias tiveram bastante destaque (Manchete), e a história continua sendo reencenada nas telonas, estando previstos, para o ano de 2021, os filmes: Liga da Justiça (Snyder Cut) e Batman.

A popularidade dos personagens pode ser percebida entre as mais diversas faixas etárias, de crianças a adultos (Diário de Pernambuco), algo que fica evidente nos encontros de Cosplay - ou Costume Play que significa se vestir como seu personagem favorito (Manchete) -, que normalmente ocorrem em convenções e/ou exposições do gênero pelo mundo (Diário do Paraná). Além das aparições em alguns fanzines, como a Tribuna do Morcego (Manchete).

Atualmente vendida a peso de ouro, a Detective Comics #27 é uma raridade - assim como a Superman #1 -, pois devido a crise de abastecimento de papel da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os fascículos foram reciclados, restando pouquíssimos exemplares de colecionadores mundo afora (Manchete).

Explore os documentos:

Diário do Paraná

O Pasquim

Correio da Manhã

Correio Braziliense

Diário de Pernambuco

http://memoria.bn.br/DocReader/029033_15/90862

http://memoria.bn.br/DocReader/029033_15/119228

Jornal do Brasil

A Tribuna

Diário de Natal

Manchete

http://memoria.bn.br/DocReader/004120/288752

http://memoria.bn.br/DocReader/004120/289804

http://memoria.bn.br/DocReader/004120/299298

Correio Braziliense

HQ: O mundo encantado dos Quadrinhos




Capa da Detective Comics #27 na Revista Manchete.