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Acervo da BN | Os manuscritos de Honoré de Balzac

27 maio 2021

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Considerado o criador do romance moderno, Honoré de Balzac nasceu em 20 de maio de 1799, na cidade de Tours, na França. Escritor profícuo, autor da monumental obra Comédia Humana, composta por 89 romances, novelas e histórias curtas, Balzac tinha características marcantes na sua dedicação à escrita: trabalhava num ritmo intenso, por até 18 horas seguidas, com a ajuda de dezenas de xícaras de café, e revisava e reescrevia suas obras inúmeras vezes, chegando a paralisar a impressão de livros já na gráfica. O documento aqui apresentado, uma página de prova tipográfica com correções e apontamentos feitos a mão por Balzac, é um exemplo de como o autor trabalhava em cima de seus textos, muitas vezes reescrevendo trechos inteiros. O documento faz parte do acervo de Manuscritos da Biblioteca Nacional e foi doado, junto a outros, pelo escritor austríaco Stefan Zweig, em 1942. Na Hemeroteca Digital é possível consultar os manuscritos de Balzac, como uma carta solicitando a entrega das provas tipográficas da obra “Melmoth Apaziguado”, de 1835 e um bilhete escrito a Leon Cumer.

Balzac formou-se em Direito, trabalhou como tabelião e escreveu seus primeiros romances, na década de 20 do século XIX, com pseudônimos. Em 1825, aventurou-se como editor, impressor e tipógrafo, porém sem sucesso. Endividado, aos 30 anos retomou a literatura e escreveu as primeiras obras assinadas com seu nome. Exerceu também intensa atividade jornalística, assumindo o comando da revista semanal Chronique de Paris. Após a falência desta, fundou a Revue Parisienne, que durou somente até a terceira edição. O escritor acumulava dívidas e passaria toda sua vida à volta com credores.

No início dos anos 30, Honoré de Balzac concebeu a ideia da obra de sua vida, uma série de livros que retratariam um amplo panorama da sociedade francesa. Chamado inicialmente de “Estudos Sociais”, mais tarde ganhou o nome de “A Comédia Humana”, em contraponto à obra de Dante, “A Divina Comédia”. Até quase o final da vida, Balzac se dedicou a escrever as dezenas de histórias e romances – muitos destes, grandes clássicos da literatura, como “Ilusões perdidas”, “O Pai Goriot” e “A mulher de trinta anos” – que seriam reunidos na sua grande obra.

Balzac faleceu em agosto de 1850, aos 51 anos, pouco depois de ter casado com a condessa polonesa Éve Hanska, o grande amor da sua vida. Em seu concorrido enterro, o caixão foi carregado pelos escritores Alexandre Dumas e Victor Hugo. Sua obra sobreviveu, se tornando uma das maiores da história da literatura universal. Como disse Victor Hugo, em seu elogio fúnebre, após chamar Balzac de gênio: “É isso que ele realizou entre nós, esta é a obra que ele nos deixou, uma obra elevada e sólida, um monumento fortemente empilhado em camadas de granito, de cuja altura daqui em diante brilhará em esplendor sua fama. Grandes homens fazem seu próprio pedestal, o futuro será responsável pela estátua.”


Prova tipográfica de texto. Original Impresso. Incluem correções e anotações manuscritas do autor.