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Acervo da BN | Stevengraphs, imagens tecidas com fios de seda

13 jul 2020

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e marcado com as tags Conventry, Seda, Steven Graph, Thomas Stevens

A cidade inglesa de Coventry foi importante centro produtor de fitas de seda na Grã-Bretanha nos séculos XVIII e XIX, e a tecelagem de fitas era uma atividade econômica que empregava boa parte da população local. A introdução de teares com maior capacidade de produção e a mecanização do trabalho fizeram com que pequenos estabelecimentos e artesãos independentes fossem suplantados, abrindo caminho para a produção industrial em Coventry.

O tratado anglo-francês de 1860, conhecido como Tratado de Cobden-Chevalier, favoreceu a importação de fitas francesas. A produção de fitas em Coventry entrou em declínio, gerando falências, desemprego e migração de milhares de tecelões.

Por outro lado, alguns fabricantes passaram a diversificar sua produção. Nesse contexto, Thomas Stevens patenteou em 1862 uma invenção que ele próprio denominou anos mais tarde de ‘Stevengraph’. Tratava-se de uma invenção para fabricar marcadores de livros com teares de Jacquard adaptados, produzindo figuras e divisas em cores variadas.

Stevens nasceu em Coventry em 1828, trabalhou na companhia Pears & Franklin e em 1854 estabeleceu seu próprio negócio. Em 1875 a fábrica Stevengraph Works foi transferida para novas instalações e por volta de 1879 o termo ‘Stevengraph’ passou a designar seus produtos. Thomas Stevens faleceu em 1888 e a fábrica de Coventry perdurou até 1940.

‘Stevengraphs’ são imagens tecidas com fios de seda em teares de Jacquard, capazes de produzir composições intrincadas com diversas cores. Ou seja, imagens formadas pelo entrelaçamento dos fios da trama e urdidura à medida que o tecido vai sendo constituído.

Tais imagens tornaram-se muito populares e além dos marcadores de livros, as fábricas passaram a produzir calendários, cartões-postais, cartões de felicitações, lembranças de grandes eventos como feiras e exposições, quadros diversos. Os temas podiam ser retratos, eventos históricos e esportivos, paisagens, edifícios, animais, lendas. Diversas empresas produziram itens semelhantes, como William H. Grant & Co., J. & J. Cash, Neyret Frères (na França). Tanto os produtos quanto os teares foram exibidos em Exposições Internacionais na Europa e nos Estados Unidos.

A coletânea pertencente à Biblioteca Nacional é composta de 23 ‘Stevengraphs’, representando cenas de caça, competições esportivas e personagens lendários como Dick Turpin e Lady Godiva. “For life or death: heroism on land” ilustra um carro de bombeiros puxado a cavalos, correndo em direção a um edifício em chamas; “Called to the rescue: heroism at sea”, um barco salva-vidas no mar tempestuoso, indo em auxílio a uma embarcação naufragando. No verso dos cartões, constam informações a respeito da Stevengraph Works, como os fac-símiles das medalhas de premiações recebidas, os endereços nos quais operava e os títulos das obras disponíveis à venda.

Para visualizar o funcionamento de um tear de Jacquard, sugerimos o vídeo “How was it made? Jacquard weaving”, produzido pelo Victoria and Albert Museum.



The first train, locomotiva a vapor construída por George Stephenson em 1825.

Link para o acervo:
A coletânea Stevengraph pure silk woven picturespode ser consultada em: http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon1264797/icon1264797.pdf