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Artes | O genial Van Gogh

30 mar 2021

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Vincent Willem van Gogh nasceu na Holanda em 30 de março de 1853. Um dos mais famosos e geniais pintores da história, dono de um estilo inconfundível e com um legado de mais de duas mil obras, Van Gogh tentou várias carreiras antes de se concentrar na vida artística. Foi vendedor, professor e pastor até que, incentivado e ajudado por seu irmão Theo, aos 27 anos decidiu ser artista. Essa decisão mudaria sua vida e a história da arte para sempre.

Quando tinha 16 anos, Vincent saiu de sua cidade natal Zundert para trabalhar na Casa Goupil, loja de gravuras e telas de um tio, em Haia. Dois anos mais tarde, percebendo seu talento no desenho e na pintura, o tio o transferiu para uma sucursal da Casa Goupil, em Bruxelas e, posteriormente, para Londres e, em seguida, Paris. Apesar do grande interesse em arte, cada vez tinha menos interesse no trabalho como vendedor e, dispensado da função, retornou a Londres para trabalhar como professor. Numa visita de Natal à família, seu pai sugeriu que não retornasse e ficasse na Holanda. Vincent aceita o conselho e passa a trabalha como vendedor numa livraria. A esta altura, já com 24 anos, sua falta de objetivos é motivo de preocupação para a família. Aproximando-se da religião, decide estudar Teologia e começa a se preparar para o curso, porém sem levar a sério os estudos. Viaja, então, para a Bélgica e lá atua como pregador e missionário, visitando doentes e fazendo leituras da Bíblia. Durante todo esse tempo, se corresponde constantemente com seu irmão Theo e, como costuma ilustrar as cartas com desenhos, Theo o aconselha a se dedicar à arte.

Convencido por seu irmão, que o ajuda financeiramente, Vincent Van Gogh passa, então, a estudar e se dedicar integralmente à arte. Pratica intensamente o desenho, trava conhecimento com outros artistas, tem aulas e aprende também técnicas de aquarela e pintura a óleo. Fumante compulsivo, pouco cuida da saúde e tem uma dieta pobre, gastando todo seu dinheiro em material de arte. Em 1885, resolve estudar na Academia de Arte da Antuérpia e deixa a Holanda, para onde nunca mais retornaria. Em Antuérpia, tinha à sua disposição bons materiais, clubes de desenho com modelos e igrejas, museus e galerias cheios de arte. No entanto, considera as aulas da Academia de Arte muito tradicionais e se muda para Paris, para morar com Theo e estudar desenho.

Em Paris, onde viveu de 1886 a 1888, Vincent Van Gogh desenvolveu seu estilo próprio e conhecido, de cores vivas. Theo, que trabalhava numa galeria em Montmartre lhe apresentou o estilo colorido de artistas modernos como Monet. No estúdio de Fernand Cormon, onde teve aulas, fez contato com uma nova geração de artistas, incluindo Toulouse-Lautrec. Sob a influência da arte moderna, se inspirou a pintar mais livremente, a experimentar. Seu trabalho se tornou mais brilhante e colorido e Van Gogh desenvolveu um estilo próprio de pintura com pinceladas curtas pelo qual é conhecido até hoje.

Após dois anos em Paris, cansado do ritmo frenético da vida na cidade, se mudou para Arles, na Provence. Em Arles, viveu um período turbulento na sua vida mas também extremamente produtivo, quando pintou a maioria de suas obras mais famosas, como Quarto em Arles e a série Girassóis. Influenciado pela luz e pelas cores da região, Van Gogh pintava com entusiasmo e seu estilo se tornou ainda mais solto, expressivo e colorido. Acreditando que o isolamento era prejudicial ao artista, planejou formar uma comunidade de pintores, que viveriam e produziriam juntos e cujas obras poderiam ser vendidas por Theo em Paris. O primeiro – e último – artista a morar na casa que Vincent alugou com esta finalidade foi o pintor Gauguin. A colaboração artística entre os dois pintores foi extremamente produtiva, com ambos pintando grandes obras no período. Porém, com personalidades e visões sobre a arte muito diferentes, a convivência pessoal era difícil e as discordâncias acabavam em frequentes discussões. Profundamente abalado e perturbado depois de uma dessas brigas, Vincent Van Gogh acabou se automutilando com uma faca, cortando um pedaço de sua orelha esquerda, em 1888.

Após o incidente, Van Gogh continuou a pintar, mas este episódio tão conhecido foi apenas o primeiro de vários colapsos graves que o atormentaram até seu trágico suicídio um ano e meio depois. Com a saúde mental profundamente abalada e oscilante e, com medo de novos surtos, Vincent se internou voluntariamente em um hospital psiquiátrico, poucos meses depois. Mesmo internado, alternando períodos de calma com outros de profunda confusão mental, Van Gogh continuou a trabalhar intensamente. Em um ano, pintou aproximadamente 150 telas.

Após deixar o hospital psiquiátrico em 1890, foi morar em Auvers-sur-Oise, uma vila de artistas onde encontrou a paz e a calma de que precisava. Ao mesmo tempo, estava perto o suficiente de Paris para visitar seu irmão Theo, com quem continuava a se corresponder com frequência. Nesta cidade, onde passou os últimos meses de sua vida, se dedicou extremamente à pintura, chegando a produzir uma obra por dia. Porém, sua doença mental, sua incerteza quanto ao futuro e a preocupação de se tornar um peso para seu irmão, acabaram por se tornar grandes demais para suportar. Em 27 de julho de 1890, Vincent deu um tiro no peito e morreu dois dias depois, aos 37 anos, em consequência dos ferimentos. Theo, vindo de Paris, e que sempre foi seu maior incentivador na vida, estava presente em seus momentos finais.

No curto período de dez anos de dedicação à vida artística, Vincent Van Gogh havia produzido um imenso volume de obras de arte: mais de 850 pinturas e quase 1.300 obras em papel. Desconhecidas do público, essas obras foram herdadas por Jo, viúva de Theo, após a morte do marido que sobreviveu poucos meses ao irmão. Jo foi responsável pela divulgação da obra de Van Gogh. Organizou exposições que deram visibilidade às obras e fez empréstimos estratégicos para museus em todo mundo, fazendo com que o maior número de pessoas possível tivesse acesso às pinturas. Após uma grande retrospectiva em 1905, com mais de 480 obras expostas no Museu Stedelijk, em Amsterdã, os preços do trabalho de Vincent aumentaram rapidamente. Entre 1891 e 1925, Jo vendeu quase 200 quadros de Vincent. Publicou também as cartas escritas por Vincent ao irmão Theo, trazendo a público a conturbada vida do pintor e sua visão e relação com a arte. Quando ela morreu em 1925, Vincent Van Gogh já era mundialmente famoso e seu trabalho exposto em museus de todo o mundo.



Autorretrato de Van Gogh, agosto de 1889 (reprodução Revista Manchete, 1961).