BNDigital

Documento da Semana | 120 Anos da Pinacoteca de São Paulo

25 dez 2025

A Pinacoteca de São Paulo é um dos principais museus de arte do país e se destaca tanto pelo acervo quanto pelo trabalho de promoção da arte no Brasil. Sua origem está ligada ao Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, criado em 1873 para formar profissionais nas áreas artísticas e técnicas. O prédio, projetado pelo escritório de Ramos de Azevedo, com participação do arquiteto ítalo-brasileiro Domiziano Rossi, passou a abrigar oficialmente a Pinacoteca apenas no início do século XX. Entretanto, a criação da instituição não foi pensada desde o início como um museu planejado, estruturado e independente, mas como uma solução do Estado para acomodar a então nascente Galeria de Pintura do Estado. Em um contexto mais amplo, sua criação não deve ser pensada como um improviso, pois ainda que não tenha surgido a partir de uma ideia de um museu planejado desde o início, havia um projeto cultural mais amplo, alinhado à política republicana paulista de institucionalizar artes e ofícios. Tampouco sua gênese não pode ser dissociada da participação de artistas, professores e intelectuais ligados ao Liceu, cujas demandas e iniciativas também impulsionaram a criação da Pinacoteca.

Em 24 de dezembro de 1905, o Secretário do Interior e da Justiça requisitou uma sala no edifício do Liceu para instalar a galeria. Esse ato deu origem à Pinacoteca, que completa 120 anos em 2025. Para além de uma leitura linear da história, uma análise mais cuidadosa mostra que esse processo não foi totalmente harmonioso e fluido e foi marcado por vários conflitos entre o Liceu e o governo do estado de São Paulo.

Ao longo do século XX o desenvolvimento da instituição enfrentou muitos percalços. Antes de ser entendida como um importante agente para a conservação, pesquisa e difusão das artes visuais, a instituição enfrentou longos períodos de falta de recursos, pouca visibilidade e até certo abandono, sobretudo até a década de 1970, embora o período compreendido entre as décadas de 1940 e 1960 tenha sido marcado por alguns momentos de intenso dinamismo, com exposições, concursos e ações pedagógicas. Mas as mudanças mais profundas ocorreram quase um século após a sua fundação, quando processos de modernização ganharam força nos anos de 1990, com uma requalificação do museu e sua maior projeção no cenário artístico nacional.

Atualmente, o acervo conta com mais de dez mil obras, que incluem artistas famosos como Almeida Júnior, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, entre pinturas, esculturas, fotografias e instalações contemporâneas. Embora seja comum apresentar a Pinacoteca como um retrato da arte brasileira, estudos recentes mostram que, durante boa parte do século XX, o acervo refletia principalmente uma perspectiva eurocêntrica e concentrada no sudeste brasileiro. A presença de artistas negros, indígenas, mulheres e de regiões fora desse eixo tradicional ganhou um espaço mais consistente apenas nas últimas décadas.

Desde que passou a ser administrada pela Associação Pinacoteca Arte e Cultura (APAC), a instituição ampliou sua atuação, modernizou processos e organizou melhor suas unidades, como a Pina Luz e a Pina Estação. Esse modelo de gestão de políticas culturais, financiamento e acesso público é frequentemente debatido entre pesquisadores da área.

Localizada ao lado da Estação da Luz e do Jardim da Luz, a Pinacoteca se tornou um marco cultural e turístico importante na cidade. Ainda assim, sua presença na cidade está inserida em uma dinâmica urbana complexa. A região passou por períodos de degradação, políticas de revitalização e conflitos sociais. Por isso, a instituição figura em estudos sobre urbanismo, requalificação e transformações do centro de São Paulo.

Além de suas exposições, atividades educativas e ações culturais, a Pinacoteca também produz publicações e materiais que ajudam a recuperar sua história, sua arquitetura e seu acervo. É um espaço que acompanha as mudanças da cidade e da sociedade, mantendo-se em constante atualização. Há de se ressaltar, entretanto, que essas instituições culturais têm papel na revitalização da dinâmica de sua região, mas não alteram efetivamente as condições sociais do entorno.

O documento em destaque, sob a guarda da Seção de Iconografia da Fundação Biblioteca Nacional, é um desenho arquitetônico do prédio que originalmente abrigou o Liceu de Artes e Ofícios e, posteriormente, a Pinacoteca. Ele mostra a fachada principal projetada pelo escritório Ramos de Azevedo & Cia., cuja produção tinha forte caráter colaborativo, como era comum em grandes escritórios da época. O projeto não foi executado integralmente, e o prédio permaneceu sem a cúpula prevista, sendo assim uma representação tardia da fachada pretendida. O documento é uma cópia fotográfica de gelatina e prata impressa em São Paulo em 1922, medindo 21,7 x 28 cm e tem o título “Lyceo de Artes e Offícios de S. Paulo: fachada principal”.


Acesse o documento na BNDigital:
https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon325352/icon325352.html

 

 Referências:

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NASCIMENTO, Ana Paula. Uma possibilidade de pesquisa em História da Arte em um museu: a experiência da exposição “Almeida Júnior: um criador de imaginários” na Pinacoteca do Estado de São Paulo. In: III Encontro de História da Arte, 2007, Campinas. Ana Paula Nascimento. Campinas: IFCH/Unicamp, 2007. p. 469-478. Disponível em: https://www.ifch.unicamp.br/eha/atas/2007/NASCIMENTO,%20Ana%20Paula.pdf. Acesso em: 05 nov. 2025.

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REDAÇÃO BRAVO!. Pinacoteca de São Paulo celebra 120 anos com programação especial em 2025. São Paulo: Abril, 17 dez. 2024. Disponível em: https://bravo.abril.com.br/arte/pinacoteca-de-sao-paulo-celebra-120-anos-com-programacao-especial-em-2025/. Acesso em: 05 nov. 2025.

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SECRETARIA DA CULTURA, ECONOMIA E INDÚSTRIA CRIATIVAS DO ESTADO DE SÃO PAULO. Pinacoteca de São Paulo (equipamento museu). São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, s.d. Disponível em: https://www.cultura.sp.gov.br/sec_cultura/Equipamentos/museus/PINACOTECA_DE_SAO_PAULO. Acesso em: 05 nov. 2025.