Essa mulher: 80 anos de Elis Regina
por Bruno Brasil
17 jun 2025
Quem vê hoje acha que nem parece coisa dela. Lançado em 1961, Viva a Brotolândia não era só um disco de título bobinho. Também bobinhas eram as músicas nele. Ali, a intérprete bem que gostaria de sustentar sua influência nas grandes cantoras do rádio, como Ângela Maria, mas o solicitado era soar como uma mera cópia de Celly Campello, aquela do biquíni de bolinha amarelinha. E a capa do disco? Não dava para entender se trazia a foto da cantante ou se apenas ilustrava um “broto”: mostrava uma adolescente desconhecida, numa pose irreverente e - adivinhem só - bobinha. Rossini Pinto, crítico musical do Correio da Manhã, detonou o álbum em sua coluna, a Esquina Sonora. Dizia que Celly Campello devia estar dando risada. Que o disco trazia “uma seleção das mais pobres possíveis”, com “rocks e calipsos horríveis”, sem falar nos sambas, “todos borocochôs”. A cantora, no entanto, não era nada boba. Deixou claro, depois, que copiar alguém não era uma opção. No fim, partiu cedo demais deste mundo, aos 36 anos. Mas nesse curto tempo em que esteve por aqui, além de se tornar uma das personalidades mais marcantes da história da Música Popular Brasileira, ajudou a encaixar o gênero em moldes conscientes quanto à realidade social do país. Moldes seus, afinal. Não era ela quem copiava. Elis Regina era para ser copiada.
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Nascida em 17 de março de 1945, foi aos tenros sete anos de idade, em sua Porto Alegre natal, que Elis Regina Carvalho Costa deu as primeiras amostras de sua potente voz, num programa de rádio. Depois de apresentações no programa Clube do guri, da Rádio Farroupilha, já aos 13 estava contratada pela Rádio Gaúcha, então principal do estado, chamando a atenção como ninguém. Tanto que, apesar da idade, já nessa época começava a se apresentar como crooner em bailes de PoA. Mas Elis queria mais, muito mais. Assim como um olheiro da gravadora brasileira GEL. Este, assim que bateu os olhos (na verdade os ouvidos) na pequena, a levou ao Rio de Janeiro, para a gravação de discos do selo Continental. Eis a concepção de Viva a Brotolândia, produzido por um dos muitos ban-ban-bans do entretenimento carioca do momento: o sugestivo Carlos Imperial.
O disco de estreia de Elis Regina pode ter soado mal aos tímpanos da crítica, mas insistia-se. No ano seguinte, 1962, a cantora teve a oportunidade de gravar outros dois álbuns, Poema de amor, numa flerte com o gênero do bolero, e O bem do amor, uma pisadela no mundo do samba, já por outra gravadora, a CBS. Amor demais que não impede que a verdade seja dita: em ambos, a cantora, em seus 16 anos de idade, ainda não estava a pleno vapor. Não vingou e voltou aos pampas. Quando tudo indicava que seria apenas mais uma cantora ocasional entre rádios, emissoras de televisão e boates regionais, um produtor da então maior gravadora do país, a Philips, assistiu a uma de suas apresentações. Deixou um cartão, para contato. E esse pedacinho de papel ocasionou um marco na história da música popular brasileira, sem exageros.
Nunca arrefecendo na gana de se firmar no cenário musical, Elis, depois de levar um lero com a família, aterrissou na fervilhante noite do eixo Rio-São Paulo, com suas memoráveis casas noturnas que mesclavam samba, jazz e bossa nova. Se mudou de fato para o Rio de Janeiro em 31 de março de 1964, mesma data em que se dava o golpe militar no Brasil. Foi então contratada como cantora da TV Rio, onde apresentava o programa Noite de gala, dirigido por Ronaldo Bôscoli e Luís Carlos Miele. Isso foi o que a levou ao chamado Beco das Garrafas, uma travessa em Copacabana que concentrava boates de coqueluche, na época. Ali a pequena grandiosa teve sua virada de página, travando contato com os nomes quentes da música brazuca daqueles dias. E também com o coreógrafo americano Lennie Dale, que lhe deu toques decisivos quanto ao seu gestual e à sua movimentação de palco.
Foram tempos tão notáveis que no fim das contas Elis Regina abraçou a carioquice como ninguém: até por motivos profissionais, perdeu logo o sotaque. E preteriu, no futebol, o tricolor gaúcho pelo carioca. Foi, aliás, madrinha da Jovem Flu mesmo em plena juventude, no ápice de sua carreira, que logo viria. Mas, afinal, negócios eram negócios. Era no Beco das Garrafas que Elis se aperfeiçoava na música e se ligava quanto ao que acontecia no Brasil, naqueles loucos e turbulentos anos. Mas no Djalma’s, reduto da bossa nova em São Paulo, a intérprete também costumava se apresentar, ficando na ponte aérea. E em 1965, enfim, acabou indo de mala e cuia para a terra da garoa.
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Uma vez em Sampa, Elis Regina teve tudo para se firmar junto à galera da bossa nova. Mal chegou por lá, afinal, e quebrou a banca, faturando o 1º Festival da Música Popular Brasileira da TV Excelsior, na São Paulo de 1965, com sua interpretação de “Arrastão”, em letra de Vinícius de Moraes e composição de Edu Lobo. Só a química do trio Elis-Vinícius-Edu já valeria o ingresso. Mas fato é que o vigor de Elis no palco era capaz de cativar mesmo o mais defunto dos ouvintes. A gaúcha mandou para as cucuias os códigos de maciez de voz e contenção corporal da bossa nova. Despertando o estranhamento de alguns e a afeição de outros, Elis saiu por cima, como novidade. A partir daí, uma de suas principais características começou a se mostrar visível: se não havia se interessado em carregar o peso da tradição musical gaúcha, com toda a sua história à parte, também não se interessava em ser mais uma figurinha carimbada da bossa nova. Nem do samba. Nem do rock. Nem da tropicália, movimento para o qual era para lá de cri-cri. Em seu tempo tateando lá e cá, Elis sabia dizer não aqui, não ali, bebendo daqui, bebendo dali. Depois de sua apresentação no festival de 1965, que serviu de cartão de visitas da cantante ao grande público, a MPB, de forma análoga, também se firmava mais claramente como gênero. Bebendo daqui, bebendo dali.
Se Elis era marcante, eclética, versátil, ávida, espivitada, estrondosa e espertalhona, o mercado fonográfico e os grandes meios de comunicação eram tanto quanto. Ou mais. O sucesso de Elis Regina no 1º Festival da Música Popular Brasileira não veio do nada . A intérprete sabia como ninguém cativar o público no meio televisivo, que foi crucial em sua escalada ao sucesso. Depois da experiência em Noite de gala, mal chegada a São Paulo Elis vinha ganhando cada vez mais projeção ao apresentar, ao lado de Jair Rodrigues e do Zimbo Trio, entre 1965 e 1967, o programa musical O fino da bossa, na TV Record. Os índices de audiência atestavam: se antes o público se deleitava com as tradicionais cantoras do rádio, Elis Regina representava, por excelência, um passo além: uma modernização tanto em imagem quanto em alto e bom som. Não foi à toa que se sentiu à vontade frente às câmeras do festival, ao vivo. Como bônus, quase simultaneamente as prensas de vinil foram colocadas para trabalhar com tudo a favor da cantora: lançaram-se, ainda em 1965, os álbuns 2 na bossa e O fino do fino, ambos com apresentações de Elis em seu programa, além do avassalador Samba eu canto assim, que deve ser considerado, aí sim, o primeiro disco da Elis Regina que a gente conhece.
Em 25 de agosto de 1965, o crítico Sérgio Augusto, do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, rebatia os incrédulos no potencial da intérprete ao comentar que, em O fino da bossa, Elis “não precisa de passar pela escola para adquirir uma inteligência musical que a transformou de simples carbono de debilóides americanos em vocalista importante para a evolução do samba. Dizer isso agora talvez seja menosprezar a perspectiva histórica, mas eu não resisto à tentação”. E quem há de resistir? Ficava cada vez mais clara, para a crítica, daquele momento em diante, outra das principais marcas de Elis: a meticulosidade na escolha de seu repertório. Dercy Ribeiro Prado, na mesma edição do jornal, decretava o óbvio : “Elis Regina canta em seu estilo para não imitar ninguém”. Ao lado dessas palavras, pela primeira vez a cantora aparecia no JB, em imagem, com outras duas de suas marcas registradas: o cabelo à Joãozinho e os gestos largos ao cantar. Dali para a popularização de seu apelido, Pimentinha, dado por Vinícius de Moares por causa de sua personalidade e estatura, era um pulo.
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Na segunda metade dos anos 1960, Elis Regina estava na crista da onda. Acontece que, além de única na interpretação e sábia nas escolhas de quais composições cantar, Elis Regina sabia com quem fazer música. Se consolidava como uma vocalista no domínio de sua técnica. Como um plus, era uma figura pública que representava o novo em muitos aspectos, não só musicalmente: seu repertório tocava em temas sociais, algo quente em plena ditadura, e seu visual, seja em roupas ou penteados, era coisa para se copiar. Adepta (e depois arrependida) da passeata contra a guitarra elétrica em 1967, em outubro daquele ano, sua interpretação de “O cantador” apareceu na imprensa como a única a não receber vaias na fase classificatória do Festival da Canção da TV Record em São Paulo. Há quem diga que a edição desse ano, especificamente, foi a mais selvagem de todas - ambiente por excelência para Elis, talvez. A composição escolhida por ela, da autoria de Nelson Motta e Dori Caymmi, acabou perdendo para “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam. Mas Elis Regina foi considerada a melhor intérprete.
No Jornal do Brasil, logo em seguida a esse destaque, breves notas não deixavam a peteca da estrela cair: davam conta do casamento de Elis com Ronaldo Bôscoli na capela Mayrink, no Rio, em 7 de dezembro de 1967. A despedida de solteiro teve homens de smoking e mulheres de longos, na estonteante casa do casal na Avenida Niemeyer. Mesmo o casamento de ambos no civil chegou a render primeira página no jornal: foi uma cerimônia onde “até o juiz se enervou ”.
Amores à parte, nem deu tempo para os pombinhos curtirem a paz. Em janeiro de 1968, Elis conquistava a França, junto com o Bossa Jazz Trio: não era a primeira vez da cantora no exterior, mas o interesse por seu trabalho ganhava novo patamar. Já em 9 de fevereiro, o JB destacava a nova fase da agora “senhora Bôscoli” (como se ela precisasse de alguém que não ela mesma para ser Elis Regina). Em março, numa apresentação de arromba no teatro Olympia, a brasileira tivera que voltar ao palco seis vezes para o bis, conforme noticiado pelo jornal. Depois corrigiram o número absurdo, é claro: foram oito vezes . Nas palavras da colunista Celina Luz , era de fato um fenômeno “para francês ver, ouvir e crer”.
Como não poderia deixar de ser, o retorno de Elis Regina ao Brasil foi triunfal: produzidas pelo marido e pelo parceiro de longa data Miele, no Rio, suas apresentações diárias no show “Elis, urgente”, na boate Sucata, esgotavam bilhetes dia após dia, ao longo de sete loucas semanas. Pudera: seu talento se somava a um sexteto composto por Roberto Menescal, Érlon Chaves, Wilson das Neves e outros traquejados. Era a volta da cantora à noite. O sucesso da parceria entre Elis, Bôscoli e Miele se repetiu no ano seguinte numa pegada cênica, com apresentações memoráveis no Teatro da Praia, também em solo carioca, e também em São Paulo, logo em seguida. Por aqueles dias, Elis, então entre 23 e 24 anos, passou a alternar apresentações e gravações no Brasil e no exterior , firmando-se como nome forte da MPB como produto de exportação.
No Brasil de 1969, o bicho pegava. Ainda mais com a decretação do Ato Institucional número 5 (AI-5), que apertava a repressão política. Elis Regina, enquanto isso, não deixava de se apresentar em grandes casas de shows no país. Com gravações feitas em Londres, cantando também em inglês, se via prestes a começar a ganhar o público norte-americano, a reboque do europeu. Aparecia nos jornais brasileiros sincera quanto à receptividade do público estrangeiro à MPB, mais valorizada “lá” do que “aqui”. Já sem participar de festivais, onde corria o risco de ser vaiada, apesar de sua popularidade, e também ressabiada com os rumos do país no pós-AI-5, onde qualquer um com opinião corria riscos, a cantora já estava em outra. “Elis Regina mudou ”, diziam, inclusive no estilo. Fazia o que dava na telha, livre, todavia. Tanto que, em turnê internacional, na Europa, em 1969, veio com uma de suas memoráveis tiradas: disse em entrevista, com todas as letras, que o Brasil era governado por gorilas. Retratando-se em seguida: jamais quisera “ofender os gorilas”. Ganhou uma ficha com seu nome no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). E depois ainda teve a pose de voltar ao país, onde permaneceu intacta, com seu imponente 1,53 metro.
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Nos anos 1970, Elis Regina estava no auge, no sentido da maturidade técnica do gogó. A telinha continuava sendo um instrumento e tanto em sua trajetória. E não só isso. No meio de uma nova temporada nos teatros com o espetáculo É Elis, entre constantes participações da cantora em bem cotados especiais de cerca de uma hora na TV Globo e em peças publicitárias, em 12 de maio de 1972 saía no JB uma nota informando que Elis e Bôscoli, já pais de João Marcello, se desquitavam de forma “amigável”. No ano seguinte, em reportagem à revista Manchete, a cantora falava outra coisa: “Fiz um show no Canecão grávida de seis meses, porque o dinheiro acabou e precisava sobreviver. Eu era o homem da casa ”.
Ainda em 1972, uma passagem controversa na vida de Elis deixou alguns de seus fãs decepcionados. Foi colocada para cantar o hino nacional nas Olimpíadas do Exército. Alguns dizem que foi obrigada, outros que queria fazer média. Despertou comedidos aplausos de trincheiras onde não era exatamente benquista. E vaias da claque inversa. Um tanto cismada com a aferventada pública, posteriormente Elis deu mostras mais claras de que lado estava.
Por aqueles dias, a interpretação da Pimentíssima da música “Casa no campo”, composição de Zé Rodrix e Tavito, aparecia dia após dia nas paradas de sucesso. Sem contar a parceria entre Elis e Tom Jobim, que vendia LPs como água, provocando frisson em apresentações em dueto. O disco que ambos lançaram em 1974, Elis & Tom, foi e é venerado pela crítica. Coisa absurda, a se mostrar para civilizações alienígenas, quando quisermos mostrar o que é esse negócio chamado “música brasileira”. Por essas e outras a intérprete, então vivendo fase mais sóbria em gestos e explosões vocálicas, era citada em enquetes de jornal como a maior cantora brasileira do momento, simplesmente.
Em 1976, o espetáculo Falso brilhante, com lançamento de retumbante disco homônimo, seria louvado na imprensa como um brilhante “autêntico ” de Elis, tanto pelo cuidado em suas qualidades cênicas quanto musicais. Apesar de ostentar aí bom repertório gringo, data desse momento a sinergia entre Elis Regina e Milton Nascimento, um dos muitos talentos que ganharam visibilidade graças à cantora. Nas curiosas crônicas da música brasileira, ademais, 1976 ainda acabou se marcando por outra parceria de Elis, só que fora do plano musical. Em 26 de agosto, a Pimentinha deu as caras nas dependências do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em São Paulo. Segurando pela mão o filho João Marcello, de seis anos, queria ver outra cantora, uma tal de Rita Lee, que sequer era sua amiga. Pois Rita havia sido presa grávida, acusada de porte e uso de maconha. Abespinhada, Elis dava de dedo na cara de quem se aproximasse, dizendo que ia chamar a imprensa. Conseguiu o que queria. Abraçou Rita, perguntou se estava sendo bem tratada. Deixou dinheiro na mão de um meganha, o despachando para comprar um rango melhorzinho para a gestante. Na volta ainda pediu o troco. Quem era mesmo a autoridade? Calcula-se que a intervenção de Elis ajudou a suavizar a sentença que jogaram para cima da roqueira: um ano de prisão domiciliar. Ficaram mais que chegadas. Da união de Elis com o pianista César Camargo Mariano vieram os filhos Pedro e Maria Rita. Esta nomeada em homenagem à amiga.
Ainda no plano político, apesar da reabertura política do governo de Ernesto Geisel, às vezes dava ruim para os lados da cantora: segundo Tárik de Souza , em coluna de 12 de junho de 1977 no Jornal do Brasil, José Vieira Madeira, chefe do departamento de censura em São Paulo, chegou a travar a gravação do LP singelamente intitulado Elis, por conta da letra de “Cartomante”, de Vitor Martins. No entanto, como diz a canção, “Cai o rei de paus, cai, não fica nada”, eis a verdade. As autoridades que quicassem à vontade: o drible foi bom e a faixa não foi retirada do disco. Nada disso impediu Elis de, no ano seguinte, pleitear direitos autorais de execução junto a Ney Braga, então ministro da Educação e Cultura. A cantora, que então presidia a Associação de Intérpretes e Músicos, organização civil que levantava essa bandeira, chegou a usar os holofotes da turnê nacional do seu show Transversal do tempo para dar voz à questão. Em paralelo, ainda em 1978, rascante como sempre, Elis teceu duras críticas ao Projeto Pixinguinha, da Funarte: disse que era “safado”, “unilateral”, “faccioso”.
Como se já não fosse comprometida o suficiente com a realidade social e política do Brasil, em 1979 a Pimentinha ainda acabou emplacando aquela que seria uma das canções mais marcantes da resistência cultural ao regime militar, ao lado de “Prá não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré: trata-se de “O bêbado e o equilibrista”, de autoria de João Bosco e Aldir Blanc, gravada no álbum Essa mulher, daquele mesmo ano. Pois essa mulher contemplou letras de diversos artistas comprometidos com a refrega política, muitos dos quais levados à fama pela sua seletividade e bom “faro” para o que é novo. Elis ainda achou tempo para se filiar, em 1981, ao Partido dos Trabalhadores (PT), nascido da reabertura política. Se tivesse sido presa pelo regime, coisa que nunca aconteceu, essa mulher era capaz de derrubar os militares antes do tempo.
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Ao início dos ano 1980, Elis Regina aparecia com menos frequência e frenesi na imprensa. Reflexo de sua vida mais low-profile. Passou a ter, enfim, sua casa no campo, na Serra da Cantareira, onde só não contava com carneiros e cabras pastando solenes no jardim. Em março de 1980, ainda assim, causou em seu show Saudade do Brasil, em longa temporada no Canecão, no Rio. No ano seguinte foi aos Estados Unidos, a convite de Herbie Hancock e Wayne Shorter, para trocar figurinhas com a fina flor do jazz. Uma nova fase de Elis parecia se desenhar. Só que não houve tempo o suficiente.
Em edição de 20 de janeiro de 1982, o JB era certeiro : “Calou-se a voz mais alegre do Brasil”. Elis havia sido vítima de uma mistura de cocaína e álcool. Era para ter sido só um porre infeliz após uma briga com o então namorado, Samuel MacDowell. Justo a Pimentinha, que com drogas havia sido careta a maior parte da vida. Eram estranhas demais as manchetes que davam conta de sua morte. Até hoje são. Pois essa alegria referenciada na primeira página do JB não fazia referência apenas aos primeiros anos de estrelato da cantora, quando, nos ditames da bossa nova, muita gente se acostumou a “cantar para dentro”, comportado e recatado. A alegria de Elis transbordava. Era de pulsão criadora, de meticulosidade poética, melódica e harmônica: para ser gravado por ela, coisa que todo mundo queria, era necessário labutar, e muito. Elis Regina foi, nesse sentido, controle de qualidade: elevou o sarrafo da MPB. Na coragem, na cara-de-pau, na intensidade, na sensibilidade e no palavrão, de peito aberto. Porque com essa mulher a vida era assim: sem titubeios, sempre ao vivo.
Explore:
No Correio da Manhã de 9 de junho de 1961, Rossini Pinto fazia uma crítica demolidora ao primeiro LP de Elis Regina:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/19311
“Ela vem de arrastão”: revista Cruzeiro de 24 de julho de 1965 anunciava o sucesso de Elis Regina no 1º Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior. Na cobertura fotográfica, uma cantora mais do que à vontade, em seu lugar de reconhecimento:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/217215
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/217216
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/217217
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/217218
Na revista Interlavo de 2 a 8 de maio de 1965, emissoras de televisão brigavam para contratar uma estrela em franca ascenção:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/109835/7980
Na crítica do disco 2 na bossa, Jornal do Brasil de 9 de junho de 1965 destaca o trabalho de Elis Regina - que chega a ofuscar Jair Rodrigues:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/69596
A 25 de agosto de 1965, Sérgio Augusto, no mesmo JB, soterra a visão de Rossini Pinto, no CM de quatro anos antes. Elogia a performance de Elis, mas na televisão: a julgar por sua apresentação no programa O fino da bossa, a cantora “(...) não precisa de passar pela escola para adquirir uma inteligência musical que a transformou de simples carbono de debilóides americanos em vocalista importante para a evolução do samba":
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/73051
Dercy Ribeiro Prado, no JB da mesma data, tascava: “Elis canta em seu estilo para não imitar ninguém”
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/73057
Mesmo operada após uma apendicite, Elis Regina performava à revista Manchete, em 1º de janeiro de 1966:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/67537
No JB de 5 de janeiro de 1966, Elis figurava no topo da lista de perspectivas musicais da coluna Música Popular para aquele ano, de acordo com Mauro Ivan e Juvenal Portella: "deverá surgir em shows montados especialmente para aparecer como estrela":
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/78968
“Elis é o elo entre duas gerações”, dizia, certeira, uma reportagem da revista Cruzeiro, de 29 de junho de 1966.
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158411
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158412
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158413
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158414
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158414
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158418
Elis tendência, mesmo fora da música. Seção de moda feminina do JB de 18 de outubro de 1966 explora o gosto por Elis nas boutiques mais sofisticadas no Rio. Já em 3 de dezembro de 1967, publica-se uma curiosa receita de “camarões à Elis Regina”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/91023
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/108059
Em 20 de outubro de 1966, Elis é toda destaque no JB como concorrente do I Festival Internacional da Canção Popular, promovido pela Secretaria de Turismo do Estado da Guanabara. Foi sua a performance a abrir o evento, no Maracanãzinho. No fim, não ganhou o certame e foi considerada injustiçada nas páginas do diário:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/91094
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/91210
Em entrevista a Clóvis Levi, para a Manchete, em 31 de dezembro de 1966, Elis falava sobre um assunto atípico na MPB: Sigmund Freud. No mais, a cantora se queixava de ser uma máquina de fazer dinheiro:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/74846
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/74848
Na Manchete de 17 de junho de 1967, um disse-me-disse: a rivalidade entre Elis Regina e Nara Leão, em entrevistas a Carlos Marques:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/75846
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/75847
Em meio a uma disputa por direitos de transmissão de festivais da canção por parte das emissoras Record e Globo, Elis Regina se posiciona a favor da música brasileira na chamada “frente ampla do samba”, contra a tendência do “iê-iê-iê”, no Jornal do Brasil de 20 de junho e de 6 de julho de 1967:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/101037
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/101708
No JB de 10 e 11 de outubro de 1967, a interpretação de “O cantador” por parte de Elis aparece como única a não receber vaias na fase classificatória do selvagem Festival da Canção da TV Record em São Paulo, naquele ano. A composição, de Nelson Motta e Dori Caymmi, perdeu para “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam, mas Elis foi considerada a melhor intérprete:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/105322
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/105344
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/106124
O sucesso de “O cantador”, na Manchete de 21 de outubro de 1967:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/81025
Elis e seu primeiro vestido de noiva, na Manchete de 28 de outubro de 1967:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/81313
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/81314
Elis e Ronaldo, em casa, na revista Cruzeiro de 16 de dezembro de 1967:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166014
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166015
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166016
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166017
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166018
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166019
Ronaldo Bôscoli escreve sobre seu casamento com Elis, na Manchete de 23 de dezembro de 1967, com ampla cobertura fotográfica. Assunto rendeu a capa da revista:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/82580
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/82611
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/82612
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/82613
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/82614
Em 26 de janeiro de 1968, JB reforça a atuação de Elis na França, junto com o Bossa Jazz Trio: não era a primeira vez da cantora no exterior, mas o interesse por seu trabalho ganhava novo patamar. Já em 9 de fevereiro, jornal destacava nova fase da cantante:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/110457
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/111101
Elis Regina na Cruzeiro de 17 de fevereiro de 1968: uma máquina de trabalhar, na crista da onda:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/167242
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/167243
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/167244
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/167245
Em 16 e 23 de março de 1968, Manchete explora ida de Elis a Paris: nomes que rimam:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/84413
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/84414
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/84545
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/84546
Momento jet-set. Na Manchete de 3 de maio de 1969, casa e estilo de vida de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli ganham destaque:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/94485
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/94486
Já em 16 de maio de 1969, Elis Regina aparece nas páginas do Jornal do Brasil sincera quanto à receptividade do público estrangeiro à música brasileira, mais valorizada “lá” do que “aqui”. “Elis mudou”, diz-se:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/133970
Em 29 de maio de 1969, na Cruzeiro, uma Elis Regina “sem freios”, do alto de seus 24 anos de idade:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/228230
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/228231
José Carlos Oliveira comenta, no JB de 3 de julho de 1969, a parceria de sucesso do trio Elis-Boscoli-Mieli. Depois, no dia 20, o Caderno B do diário explora um pouco mais a fórmula de sucesso, com depoimento de Elis e fotos de Carlos Leonam:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/136678
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/137599
Em 30 de agosto de 1969, Manchete entrevista Elis Regina, em “diálogos possíveis” da intérprete com Clarice Lispector:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/97309
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/97310
Em edição de 2 a 8 de outubro de 1969, O Pasquim entrevista Elis Regina: “A maior cantora brasileira é Maria Bethânia”
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/22725
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/22735
Em 7 de dezembro de 1970, o JB mostra João Marcelo Bôscoli e sua jovem mãe, tentando conciliar a maternidade com a carreira artística:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/200249
Face a face: curioso encontro de Elis com Maria Bethânia promovido pela Manchete é publicado na revista, em 26 de dezembro de 1970:
http://memoria.bn.gov.br/docreader/004120/110807
http://memoria.bn.gov.br/docreader/004120/110808
http://memoria.bn.gov.br/docreader/004120/110810
“Elis is beautiful”: crítica de Sérgio Cabral n’O Pasquim de 6 a 12 de maio de 1971 ao disco Ela, de Elis, contraste com o início de carreira da intérprete:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/2633
Valério Andrade, crítico do JB, rasga elogios ao Elis Regina Especial, então no ar pela TV Globo, em edição de 23 de setembro de 1971. No segundo link, o anúncio do programa:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/218763
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/220325
Em 9 de outubro de 1971, Manchete dá Ibope para o programa especial de Elis Regina na televisão:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/117893
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/117894
Júlio Hungria, também do Jornal do Brasil, comemora em 14 de dezembro de 1971 a inclusão de Elis no Top Star Festival da ONU. Marca típica da atuação da cantora em benefício de causas sociais, a iniciativa revertia fundos para refugiados globais:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/224570
Em 1º de março de 1972, Elis Regina aparece no JB em sua volta aos teatros, com a montagem do espetáculo “É Elis”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/229712
Já em 18 de março daquele ano, Manchete aproveita o retorno da Pimentinha aos palcos para lançar olhares à vida pessoal da estrela:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/122030
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/122031
Na Cruzeiro de 19 de abril de 1972, uma pegadinha de revista de fofoca: Elis e seu relacionamento com “um cara chamado João Marcello”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/236549
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/236550
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/236551
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/236552
Em 6 de abril de 1973, em entrevista ao JB, Elis Regina se mostra no ápice, porém diferente: com mais profundidade e menos “malabarismos”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/6719
Uma entrevista de Elis, em 12 de setembro de 1973, para a revista Cruzeiro:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187552
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187553
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187554
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187555
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187556
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187557
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187558
Na página “Os ídolos dez anos depois”, Manchete faz um balanço da trajetória da ainda jovem Elis Regina até o momento, em 1973:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/135368
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/135369
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/135370
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/135371
“Parece que tá pegando fogo de tão precisa”, escrevia o chamuscado Ivan Lessa, n’O Pasquim de 25 de junho a 1º de julho de 1974, sobre um show de Elis Regina:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/8937
Em 25 de outubro de 1974, o Jornal do Brasil aplaudia uma das parcerias mais lembradas de Elis Regina, com Tom Jobim:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/43304
José Ramos Tinhorão reconhecia fase mais sóbria da cantora, no JB de 27 de dezembro de 1974:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/47294
Yan Michalski comenta o espetáculo Falso brilhante, de Elis, no JB de 16 de fevereiro de 1976. Pela sofisticação cênica, o brilhante seria “autêntico”, isso sim:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/70423
Uma Elis “Transversal no tempo”, na Cruzeiro de 27 de maio de 1978:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/199512
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/199513
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/199514
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/199515
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/199516
Menos risonha, mas ainda apimentada: na Manchete de 1979, uma Elis mais madura “dá uma geral na sua vida e na sua carreira”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/186055
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/186056
Em 21 de março de 1980, o JB anunciava longa temporada de Elis no Canecão: “imprevisível” em Saudade do Brasil, no melhor dos sentidos. Dois dias depois, a cobertura do show era só elogios:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_10/5047
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_10/5165
Roberto Moura, n’O Pasquim de 11 a 17 de abril de 1980:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/20937
“Onde eu possa plantar meus amigos…”. Elis Regina mostra sua casa no campo aos leitores da Manchete, em 23 de fevereiro de 1980:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/191823
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/191824
Na edição de 13 a 19 de junho de 1980, pela segunda vez O Pasquim entrevista Elis Regina: “Agora eu quero cantar pro povão”
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/21220
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/21221
Na Manchete de 31 de janeiro de 1981, a parceria entre Elis Regina e Wayne Shorter ganha holofotes:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/199466
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/199467
Em edição de 20 de janeiro de 1982, o Jornal do Brasil enlutava: “Calou-se a voz mais alegre do Brasil”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_10/291310
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_10/291313
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_10/291314
Também ao fim de janeiro de 1982, reportagem especial de Manchete fazia um retrospecto da carreira de Elis:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207226
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207244
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207245
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207246
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207247
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207248
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207249
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207250
Homenagens dos fãs Ziraldo e Roberto Moura a Elis Regina n’O Pasquim de 28 de janeiro a 3 de fevereiro de 1982: "Vou baixar no primeiro centro espírita e psicografar uma mensagem para o Pasquim"
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/24624
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/24626
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/24635
Fontes:
ECHEVERRIA, Regina. Furacão Elis. São Paulo: Globo, 1994.
FARIA, Arthur de. Elis: uma biografia musical. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2015.
MARIA, Julio. Elis Regina: nada será como antes. São Paulo: Master Books, 2015.
NAPOLITANO, Marco. Seguindo a canção: engajamento político e indústria cultural na trajetória da música popular brasileira (1959-1969). São Paulo: Annablume/Fapesp, 2001.
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Nascida em 17 de março de 1945, foi aos tenros sete anos de idade, em sua Porto Alegre natal, que Elis Regina Carvalho Costa deu as primeiras amostras de sua potente voz, num programa de rádio. Depois de apresentações no programa Clube do guri, da Rádio Farroupilha, já aos 13 estava contratada pela Rádio Gaúcha, então principal do estado, chamando a atenção como ninguém. Tanto que, apesar da idade, já nessa época começava a se apresentar como crooner em bailes de PoA. Mas Elis queria mais, muito mais. Assim como um olheiro da gravadora brasileira GEL. Este, assim que bateu os olhos (na verdade os ouvidos) na pequena, a levou ao Rio de Janeiro, para a gravação de discos do selo Continental. Eis a concepção de Viva a Brotolândia, produzido por um dos muitos ban-ban-bans do entretenimento carioca do momento: o sugestivo Carlos Imperial.
O disco de estreia de Elis Regina pode ter soado mal aos tímpanos da crítica, mas insistia-se. No ano seguinte, 1962, a cantora teve a oportunidade de gravar outros dois álbuns, Poema de amor, numa flerte com o gênero do bolero, e O bem do amor, uma pisadela no mundo do samba, já por outra gravadora, a CBS. Amor demais que não impede que a verdade seja dita: em ambos, a cantora, em seus 16 anos de idade, ainda não estava a pleno vapor. Não vingou e voltou aos pampas. Quando tudo indicava que seria apenas mais uma cantora ocasional entre rádios, emissoras de televisão e boates regionais, um produtor da então maior gravadora do país, a Philips, assistiu a uma de suas apresentações. Deixou um cartão, para contato. E esse pedacinho de papel ocasionou um marco na história da música popular brasileira, sem exageros.
Nunca arrefecendo na gana de se firmar no cenário musical, Elis, depois de levar um lero com a família, aterrissou na fervilhante noite do eixo Rio-São Paulo, com suas memoráveis casas noturnas que mesclavam samba, jazz e bossa nova. Se mudou de fato para o Rio de Janeiro em 31 de março de 1964, mesma data em que se dava o golpe militar no Brasil. Foi então contratada como cantora da TV Rio, onde apresentava o programa Noite de gala, dirigido por Ronaldo Bôscoli e Luís Carlos Miele. Isso foi o que a levou ao chamado Beco das Garrafas, uma travessa em Copacabana que concentrava boates de coqueluche, na época. Ali a pequena grandiosa teve sua virada de página, travando contato com os nomes quentes da música brazuca daqueles dias. E também com o coreógrafo americano Lennie Dale, que lhe deu toques decisivos quanto ao seu gestual e à sua movimentação de palco.
Foram tempos tão notáveis que no fim das contas Elis Regina abraçou a carioquice como ninguém: até por motivos profissionais, perdeu logo o sotaque. E preteriu, no futebol, o tricolor gaúcho pelo carioca. Foi, aliás, madrinha da Jovem Flu mesmo em plena juventude, no ápice de sua carreira, que logo viria. Mas, afinal, negócios eram negócios. Era no Beco das Garrafas que Elis se aperfeiçoava na música e se ligava quanto ao que acontecia no Brasil, naqueles loucos e turbulentos anos. Mas no Djalma’s, reduto da bossa nova em São Paulo, a intérprete também costumava se apresentar, ficando na ponte aérea. E em 1965, enfim, acabou indo de mala e cuia para a terra da garoa.
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Uma vez em Sampa, Elis Regina teve tudo para se firmar junto à galera da bossa nova. Mal chegou por lá, afinal, e quebrou a banca, faturando o 1º Festival da Música Popular Brasileira da TV Excelsior, na São Paulo de 1965, com sua interpretação de “Arrastão”, em letra de Vinícius de Moraes e composição de Edu Lobo. Só a química do trio Elis-Vinícius-Edu já valeria o ingresso. Mas fato é que o vigor de Elis no palco era capaz de cativar mesmo o mais defunto dos ouvintes. A gaúcha mandou para as cucuias os códigos de maciez de voz e contenção corporal da bossa nova. Despertando o estranhamento de alguns e a afeição de outros, Elis saiu por cima, como novidade. A partir daí, uma de suas principais características começou a se mostrar visível: se não havia se interessado em carregar o peso da tradição musical gaúcha, com toda a sua história à parte, também não se interessava em ser mais uma figurinha carimbada da bossa nova. Nem do samba. Nem do rock. Nem da tropicália, movimento para o qual era para lá de cri-cri. Em seu tempo tateando lá e cá, Elis sabia dizer não aqui, não ali, bebendo daqui, bebendo dali. Depois de sua apresentação no festival de 1965, que serviu de cartão de visitas da cantante ao grande público, a MPB, de forma análoga, também se firmava mais claramente como gênero. Bebendo daqui, bebendo dali.
Se Elis era marcante, eclética, versátil, ávida, espivitada, estrondosa e espertalhona, o mercado fonográfico e os grandes meios de comunicação eram tanto quanto. Ou mais. O sucesso de Elis Regina no 1º Festival da Música Popular Brasileira não veio do nada . A intérprete sabia como ninguém cativar o público no meio televisivo, que foi crucial em sua escalada ao sucesso. Depois da experiência em Noite de gala, mal chegada a São Paulo Elis vinha ganhando cada vez mais projeção ao apresentar, ao lado de Jair Rodrigues e do Zimbo Trio, entre 1965 e 1967, o programa musical O fino da bossa, na TV Record. Os índices de audiência atestavam: se antes o público se deleitava com as tradicionais cantoras do rádio, Elis Regina representava, por excelência, um passo além: uma modernização tanto em imagem quanto em alto e bom som. Não foi à toa que se sentiu à vontade frente às câmeras do festival, ao vivo. Como bônus, quase simultaneamente as prensas de vinil foram colocadas para trabalhar com tudo a favor da cantora: lançaram-se, ainda em 1965, os álbuns 2 na bossa e O fino do fino, ambos com apresentações de Elis em seu programa, além do avassalador Samba eu canto assim, que deve ser considerado, aí sim, o primeiro disco da Elis Regina que a gente conhece.
Em 25 de agosto de 1965, o crítico Sérgio Augusto, do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, rebatia os incrédulos no potencial da intérprete ao comentar que, em O fino da bossa, Elis “não precisa de passar pela escola para adquirir uma inteligência musical que a transformou de simples carbono de debilóides americanos em vocalista importante para a evolução do samba. Dizer isso agora talvez seja menosprezar a perspectiva histórica, mas eu não resisto à tentação”. E quem há de resistir? Ficava cada vez mais clara, para a crítica, daquele momento em diante, outra das principais marcas de Elis: a meticulosidade na escolha de seu repertório. Dercy Ribeiro Prado, na mesma edição do jornal, decretava o óbvio : “Elis Regina canta em seu estilo para não imitar ninguém”. Ao lado dessas palavras, pela primeira vez a cantora aparecia no JB, em imagem, com outras duas de suas marcas registradas: o cabelo à Joãozinho e os gestos largos ao cantar. Dali para a popularização de seu apelido, Pimentinha, dado por Vinícius de Moares por causa de sua personalidade e estatura, era um pulo.
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Na segunda metade dos anos 1960, Elis Regina estava na crista da onda. Acontece que, além de única na interpretação e sábia nas escolhas de quais composições cantar, Elis Regina sabia com quem fazer música. Se consolidava como uma vocalista no domínio de sua técnica. Como um plus, era uma figura pública que representava o novo em muitos aspectos, não só musicalmente: seu repertório tocava em temas sociais, algo quente em plena ditadura, e seu visual, seja em roupas ou penteados, era coisa para se copiar. Adepta (e depois arrependida) da passeata contra a guitarra elétrica em 1967, em outubro daquele ano, sua interpretação de “O cantador” apareceu na imprensa como a única a não receber vaias na fase classificatória do Festival da Canção da TV Record em São Paulo. Há quem diga que a edição desse ano, especificamente, foi a mais selvagem de todas - ambiente por excelência para Elis, talvez. A composição escolhida por ela, da autoria de Nelson Motta e Dori Caymmi, acabou perdendo para “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam. Mas Elis Regina foi considerada a melhor intérprete.
No Jornal do Brasil, logo em seguida a esse destaque, breves notas não deixavam a peteca da estrela cair: davam conta do casamento de Elis com Ronaldo Bôscoli na capela Mayrink, no Rio, em 7 de dezembro de 1967. A despedida de solteiro teve homens de smoking e mulheres de longos, na estonteante casa do casal na Avenida Niemeyer. Mesmo o casamento de ambos no civil chegou a render primeira página no jornal: foi uma cerimônia onde “até o juiz se enervou ”.
Amores à parte, nem deu tempo para os pombinhos curtirem a paz. Em janeiro de 1968, Elis conquistava a França, junto com o Bossa Jazz Trio: não era a primeira vez da cantora no exterior, mas o interesse por seu trabalho ganhava novo patamar. Já em 9 de fevereiro, o JB destacava a nova fase da agora “senhora Bôscoli” (como se ela precisasse de alguém que não ela mesma para ser Elis Regina). Em março, numa apresentação de arromba no teatro Olympia, a brasileira tivera que voltar ao palco seis vezes para o bis, conforme noticiado pelo jornal. Depois corrigiram o número absurdo, é claro: foram oito vezes . Nas palavras da colunista Celina Luz , era de fato um fenômeno “para francês ver, ouvir e crer”.
Como não poderia deixar de ser, o retorno de Elis Regina ao Brasil foi triunfal: produzidas pelo marido e pelo parceiro de longa data Miele, no Rio, suas apresentações diárias no show “Elis, urgente”, na boate Sucata, esgotavam bilhetes dia após dia, ao longo de sete loucas semanas. Pudera: seu talento se somava a um sexteto composto por Roberto Menescal, Érlon Chaves, Wilson das Neves e outros traquejados. Era a volta da cantora à noite. O sucesso da parceria entre Elis, Bôscoli e Miele se repetiu no ano seguinte numa pegada cênica, com apresentações memoráveis no Teatro da Praia, também em solo carioca, e também em São Paulo, logo em seguida. Por aqueles dias, Elis, então entre 23 e 24 anos, passou a alternar apresentações e gravações no Brasil e no exterior , firmando-se como nome forte da MPB como produto de exportação.
No Brasil de 1969, o bicho pegava. Ainda mais com a decretação do Ato Institucional número 5 (AI-5), que apertava a repressão política. Elis Regina, enquanto isso, não deixava de se apresentar em grandes casas de shows no país. Com gravações feitas em Londres, cantando também em inglês, se via prestes a começar a ganhar o público norte-americano, a reboque do europeu. Aparecia nos jornais brasileiros sincera quanto à receptividade do público estrangeiro à MPB, mais valorizada “lá” do que “aqui”. Já sem participar de festivais, onde corria o risco de ser vaiada, apesar de sua popularidade, e também ressabiada com os rumos do país no pós-AI-5, onde qualquer um com opinião corria riscos, a cantora já estava em outra. “Elis Regina mudou ”, diziam, inclusive no estilo. Fazia o que dava na telha, livre, todavia. Tanto que, em turnê internacional, na Europa, em 1969, veio com uma de suas memoráveis tiradas: disse em entrevista, com todas as letras, que o Brasil era governado por gorilas. Retratando-se em seguida: jamais quisera “ofender os gorilas”. Ganhou uma ficha com seu nome no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). E depois ainda teve a pose de voltar ao país, onde permaneceu intacta, com seu imponente 1,53 metro.
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Nos anos 1970, Elis Regina estava no auge, no sentido da maturidade técnica do gogó. A telinha continuava sendo um instrumento e tanto em sua trajetória. E não só isso. No meio de uma nova temporada nos teatros com o espetáculo É Elis, entre constantes participações da cantora em bem cotados especiais de cerca de uma hora na TV Globo e em peças publicitárias, em 12 de maio de 1972 saía no JB uma nota informando que Elis e Bôscoli, já pais de João Marcello, se desquitavam de forma “amigável”. No ano seguinte, em reportagem à revista Manchete, a cantora falava outra coisa: “Fiz um show no Canecão grávida de seis meses, porque o dinheiro acabou e precisava sobreviver. Eu era o homem da casa ”.
Ainda em 1972, uma passagem controversa na vida de Elis deixou alguns de seus fãs decepcionados. Foi colocada para cantar o hino nacional nas Olimpíadas do Exército. Alguns dizem que foi obrigada, outros que queria fazer média. Despertou comedidos aplausos de trincheiras onde não era exatamente benquista. E vaias da claque inversa. Um tanto cismada com a aferventada pública, posteriormente Elis deu mostras mais claras de que lado estava.
Por aqueles dias, a interpretação da Pimentíssima da música “Casa no campo”, composição de Zé Rodrix e Tavito, aparecia dia após dia nas paradas de sucesso. Sem contar a parceria entre Elis e Tom Jobim, que vendia LPs como água, provocando frisson em apresentações em dueto. O disco que ambos lançaram em 1974, Elis & Tom, foi e é venerado pela crítica. Coisa absurda, a se mostrar para civilizações alienígenas, quando quisermos mostrar o que é esse negócio chamado “música brasileira”. Por essas e outras a intérprete, então vivendo fase mais sóbria em gestos e explosões vocálicas, era citada em enquetes de jornal como a maior cantora brasileira do momento, simplesmente.
Em 1976, o espetáculo Falso brilhante, com lançamento de retumbante disco homônimo, seria louvado na imprensa como um brilhante “autêntico ” de Elis, tanto pelo cuidado em suas qualidades cênicas quanto musicais. Apesar de ostentar aí bom repertório gringo, data desse momento a sinergia entre Elis Regina e Milton Nascimento, um dos muitos talentos que ganharam visibilidade graças à cantora. Nas curiosas crônicas da música brasileira, ademais, 1976 ainda acabou se marcando por outra parceria de Elis, só que fora do plano musical. Em 26 de agosto, a Pimentinha deu as caras nas dependências do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em São Paulo. Segurando pela mão o filho João Marcello, de seis anos, queria ver outra cantora, uma tal de Rita Lee, que sequer era sua amiga. Pois Rita havia sido presa grávida, acusada de porte e uso de maconha. Abespinhada, Elis dava de dedo na cara de quem se aproximasse, dizendo que ia chamar a imprensa. Conseguiu o que queria. Abraçou Rita, perguntou se estava sendo bem tratada. Deixou dinheiro na mão de um meganha, o despachando para comprar um rango melhorzinho para a gestante. Na volta ainda pediu o troco. Quem era mesmo a autoridade? Calcula-se que a intervenção de Elis ajudou a suavizar a sentença que jogaram para cima da roqueira: um ano de prisão domiciliar. Ficaram mais que chegadas. Da união de Elis com o pianista César Camargo Mariano vieram os filhos Pedro e Maria Rita. Esta nomeada em homenagem à amiga.
Ainda no plano político, apesar da reabertura política do governo de Ernesto Geisel, às vezes dava ruim para os lados da cantora: segundo Tárik de Souza , em coluna de 12 de junho de 1977 no Jornal do Brasil, José Vieira Madeira, chefe do departamento de censura em São Paulo, chegou a travar a gravação do LP singelamente intitulado Elis, por conta da letra de “Cartomante”, de Vitor Martins. No entanto, como diz a canção, “Cai o rei de paus, cai, não fica nada”, eis a verdade. As autoridades que quicassem à vontade: o drible foi bom e a faixa não foi retirada do disco. Nada disso impediu Elis de, no ano seguinte, pleitear direitos autorais de execução junto a Ney Braga, então ministro da Educação e Cultura. A cantora, que então presidia a Associação de Intérpretes e Músicos, organização civil que levantava essa bandeira, chegou a usar os holofotes da turnê nacional do seu show Transversal do tempo para dar voz à questão. Em paralelo, ainda em 1978, rascante como sempre, Elis teceu duras críticas ao Projeto Pixinguinha, da Funarte: disse que era “safado”, “unilateral”, “faccioso”.
Como se já não fosse comprometida o suficiente com a realidade social e política do Brasil, em 1979 a Pimentinha ainda acabou emplacando aquela que seria uma das canções mais marcantes da resistência cultural ao regime militar, ao lado de “Prá não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré: trata-se de “O bêbado e o equilibrista”, de autoria de João Bosco e Aldir Blanc, gravada no álbum Essa mulher, daquele mesmo ano. Pois essa mulher contemplou letras de diversos artistas comprometidos com a refrega política, muitos dos quais levados à fama pela sua seletividade e bom “faro” para o que é novo. Elis ainda achou tempo para se filiar, em 1981, ao Partido dos Trabalhadores (PT), nascido da reabertura política. Se tivesse sido presa pelo regime, coisa que nunca aconteceu, essa mulher era capaz de derrubar os militares antes do tempo.
***
Ao início dos ano 1980, Elis Regina aparecia com menos frequência e frenesi na imprensa. Reflexo de sua vida mais low-profile. Passou a ter, enfim, sua casa no campo, na Serra da Cantareira, onde só não contava com carneiros e cabras pastando solenes no jardim. Em março de 1980, ainda assim, causou em seu show Saudade do Brasil, em longa temporada no Canecão, no Rio. No ano seguinte foi aos Estados Unidos, a convite de Herbie Hancock e Wayne Shorter, para trocar figurinhas com a fina flor do jazz. Uma nova fase de Elis parecia se desenhar. Só que não houve tempo o suficiente.
Em edição de 20 de janeiro de 1982, o JB era certeiro : “Calou-se a voz mais alegre do Brasil”. Elis havia sido vítima de uma mistura de cocaína e álcool. Era para ter sido só um porre infeliz após uma briga com o então namorado, Samuel MacDowell. Justo a Pimentinha, que com drogas havia sido careta a maior parte da vida. Eram estranhas demais as manchetes que davam conta de sua morte. Até hoje são. Pois essa alegria referenciada na primeira página do JB não fazia referência apenas aos primeiros anos de estrelato da cantora, quando, nos ditames da bossa nova, muita gente se acostumou a “cantar para dentro”, comportado e recatado. A alegria de Elis transbordava. Era de pulsão criadora, de meticulosidade poética, melódica e harmônica: para ser gravado por ela, coisa que todo mundo queria, era necessário labutar, e muito. Elis Regina foi, nesse sentido, controle de qualidade: elevou o sarrafo da MPB. Na coragem, na cara-de-pau, na intensidade, na sensibilidade e no palavrão, de peito aberto. Porque com essa mulher a vida era assim: sem titubeios, sempre ao vivo.
Explore:
No Correio da Manhã de 9 de junho de 1961, Rossini Pinto fazia uma crítica demolidora ao primeiro LP de Elis Regina:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/19311
“Ela vem de arrastão”: revista Cruzeiro de 24 de julho de 1965 anunciava o sucesso de Elis Regina no 1º Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior. Na cobertura fotográfica, uma cantora mais do que à vontade, em seu lugar de reconhecimento:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/217215
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/217216
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/217217
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/217218
Na revista Interlavo de 2 a 8 de maio de 1965, emissoras de televisão brigavam para contratar uma estrela em franca ascenção:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/109835/7980
Na crítica do disco 2 na bossa, Jornal do Brasil de 9 de junho de 1965 destaca o trabalho de Elis Regina - que chega a ofuscar Jair Rodrigues:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/69596
A 25 de agosto de 1965, Sérgio Augusto, no mesmo JB, soterra a visão de Rossini Pinto, no CM de quatro anos antes. Elogia a performance de Elis, mas na televisão: a julgar por sua apresentação no programa O fino da bossa, a cantora “(...) não precisa de passar pela escola para adquirir uma inteligência musical que a transformou de simples carbono de debilóides americanos em vocalista importante para a evolução do samba":
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/73051
Dercy Ribeiro Prado, no JB da mesma data, tascava: “Elis canta em seu estilo para não imitar ninguém”
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/73057
Mesmo operada após uma apendicite, Elis Regina performava à revista Manchete, em 1º de janeiro de 1966:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/67537
No JB de 5 de janeiro de 1966, Elis figurava no topo da lista de perspectivas musicais da coluna Música Popular para aquele ano, de acordo com Mauro Ivan e Juvenal Portella: "deverá surgir em shows montados especialmente para aparecer como estrela":
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/78968
“Elis é o elo entre duas gerações”, dizia, certeira, uma reportagem da revista Cruzeiro, de 29 de junho de 1966.
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158411
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158412
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158413
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158414
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158414
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/158418
Elis tendência, mesmo fora da música. Seção de moda feminina do JB de 18 de outubro de 1966 explora o gosto por Elis nas boutiques mais sofisticadas no Rio. Já em 3 de dezembro de 1967, publica-se uma curiosa receita de “camarões à Elis Regina”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/91023
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/108059
Em 20 de outubro de 1966, Elis é toda destaque no JB como concorrente do I Festival Internacional da Canção Popular, promovido pela Secretaria de Turismo do Estado da Guanabara. Foi sua a performance a abrir o evento, no Maracanãzinho. No fim, não ganhou o certame e foi considerada injustiçada nas páginas do diário:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/91094
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/91210
Em entrevista a Clóvis Levi, para a Manchete, em 31 de dezembro de 1966, Elis falava sobre um assunto atípico na MPB: Sigmund Freud. No mais, a cantora se queixava de ser uma máquina de fazer dinheiro:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/74846
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/74848
Na Manchete de 17 de junho de 1967, um disse-me-disse: a rivalidade entre Elis Regina e Nara Leão, em entrevistas a Carlos Marques:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/75846
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/75847
Em meio a uma disputa por direitos de transmissão de festivais da canção por parte das emissoras Record e Globo, Elis Regina se posiciona a favor da música brasileira na chamada “frente ampla do samba”, contra a tendência do “iê-iê-iê”, no Jornal do Brasil de 20 de junho e de 6 de julho de 1967:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/101037
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/101708
No JB de 10 e 11 de outubro de 1967, a interpretação de “O cantador” por parte de Elis aparece como única a não receber vaias na fase classificatória do selvagem Festival da Canção da TV Record em São Paulo, naquele ano. A composição, de Nelson Motta e Dori Caymmi, perdeu para “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam, mas Elis foi considerada a melhor intérprete:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/105322
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/105344
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/106124
O sucesso de “O cantador”, na Manchete de 21 de outubro de 1967:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/81025
Elis e seu primeiro vestido de noiva, na Manchete de 28 de outubro de 1967:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/81313
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/81314
Elis e Ronaldo, em casa, na revista Cruzeiro de 16 de dezembro de 1967:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166014
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166015
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166016
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166017
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166018
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/166019
Ronaldo Bôscoli escreve sobre seu casamento com Elis, na Manchete de 23 de dezembro de 1967, com ampla cobertura fotográfica. Assunto rendeu a capa da revista:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/82580
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/82611
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/82612
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/82613
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/82614
Em 26 de janeiro de 1968, JB reforça a atuação de Elis na França, junto com o Bossa Jazz Trio: não era a primeira vez da cantora no exterior, mas o interesse por seu trabalho ganhava novo patamar. Já em 9 de fevereiro, jornal destacava nova fase da cantante:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/110457
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/111101
Elis Regina na Cruzeiro de 17 de fevereiro de 1968: uma máquina de trabalhar, na crista da onda:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/167242
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/167243
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/167244
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/167245
Em 16 e 23 de março de 1968, Manchete explora ida de Elis a Paris: nomes que rimam:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/84413
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/84414
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/84545
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/84546
Momento jet-set. Na Manchete de 3 de maio de 1969, casa e estilo de vida de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli ganham destaque:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/94485
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/94486
Já em 16 de maio de 1969, Elis Regina aparece nas páginas do Jornal do Brasil sincera quanto à receptividade do público estrangeiro à música brasileira, mais valorizada “lá” do que “aqui”. “Elis mudou”, diz-se:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/133970
Em 29 de maio de 1969, na Cruzeiro, uma Elis Regina “sem freios”, do alto de seus 24 anos de idade:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/228230
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/228231
José Carlos Oliveira comenta, no JB de 3 de julho de 1969, a parceria de sucesso do trio Elis-Boscoli-Mieli. Depois, no dia 20, o Caderno B do diário explora um pouco mais a fórmula de sucesso, com depoimento de Elis e fotos de Carlos Leonam:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/136678
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/137599
Em 30 de agosto de 1969, Manchete entrevista Elis Regina, em “diálogos possíveis” da intérprete com Clarice Lispector:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/97309
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/97310
Em edição de 2 a 8 de outubro de 1969, O Pasquim entrevista Elis Regina: “A maior cantora brasileira é Maria Bethânia”
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/22725
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/22735
Em 7 de dezembro de 1970, o JB mostra João Marcelo Bôscoli e sua jovem mãe, tentando conciliar a maternidade com a carreira artística:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/200249
Face a face: curioso encontro de Elis com Maria Bethânia promovido pela Manchete é publicado na revista, em 26 de dezembro de 1970:
http://memoria.bn.gov.br/docreader/004120/110807
http://memoria.bn.gov.br/docreader/004120/110808
http://memoria.bn.gov.br/docreader/004120/110810
“Elis is beautiful”: crítica de Sérgio Cabral n’O Pasquim de 6 a 12 de maio de 1971 ao disco Ela, de Elis, contraste com o início de carreira da intérprete:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/2633
Valério Andrade, crítico do JB, rasga elogios ao Elis Regina Especial, então no ar pela TV Globo, em edição de 23 de setembro de 1971. No segundo link, o anúncio do programa:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/218763
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/220325
Em 9 de outubro de 1971, Manchete dá Ibope para o programa especial de Elis Regina na televisão:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/117893
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/117894
Júlio Hungria, também do Jornal do Brasil, comemora em 14 de dezembro de 1971 a inclusão de Elis no Top Star Festival da ONU. Marca típica da atuação da cantora em benefício de causas sociais, a iniciativa revertia fundos para refugiados globais:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/224570
Em 1º de março de 1972, Elis Regina aparece no JB em sua volta aos teatros, com a montagem do espetáculo “É Elis”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/229712
Já em 18 de março daquele ano, Manchete aproveita o retorno da Pimentinha aos palcos para lançar olhares à vida pessoal da estrela:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/122030
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/122031
Na Cruzeiro de 19 de abril de 1972, uma pegadinha de revista de fofoca: Elis e seu relacionamento com “um cara chamado João Marcello”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/236549
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/236550
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/236551
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/236552
Em 6 de abril de 1973, em entrevista ao JB, Elis Regina se mostra no ápice, porém diferente: com mais profundidade e menos “malabarismos”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/6719
Uma entrevista de Elis, em 12 de setembro de 1973, para a revista Cruzeiro:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187552
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187553
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187554
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187555
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187556
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187557
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/187558
Na página “Os ídolos dez anos depois”, Manchete faz um balanço da trajetória da ainda jovem Elis Regina até o momento, em 1973:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/135368
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/135369
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/135370
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/135371
“Parece que tá pegando fogo de tão precisa”, escrevia o chamuscado Ivan Lessa, n’O Pasquim de 25 de junho a 1º de julho de 1974, sobre um show de Elis Regina:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/8937
Em 25 de outubro de 1974, o Jornal do Brasil aplaudia uma das parcerias mais lembradas de Elis Regina, com Tom Jobim:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/43304
José Ramos Tinhorão reconhecia fase mais sóbria da cantora, no JB de 27 de dezembro de 1974:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/47294
Yan Michalski comenta o espetáculo Falso brilhante, de Elis, no JB de 16 de fevereiro de 1976. Pela sofisticação cênica, o brilhante seria “autêntico”, isso sim:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/70423
Uma Elis “Transversal no tempo”, na Cruzeiro de 27 de maio de 1978:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/199512
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/199513
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/199514
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/199515
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/199516
Menos risonha, mas ainda apimentada: na Manchete de 1979, uma Elis mais madura “dá uma geral na sua vida e na sua carreira”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/186055
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/186056
Em 21 de março de 1980, o JB anunciava longa temporada de Elis no Canecão: “imprevisível” em Saudade do Brasil, no melhor dos sentidos. Dois dias depois, a cobertura do show era só elogios:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_10/5047
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_10/5165
Roberto Moura, n’O Pasquim de 11 a 17 de abril de 1980:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/20937
“Onde eu possa plantar meus amigos…”. Elis Regina mostra sua casa no campo aos leitores da Manchete, em 23 de fevereiro de 1980:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/191823
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/191824
Na edição de 13 a 19 de junho de 1980, pela segunda vez O Pasquim entrevista Elis Regina: “Agora eu quero cantar pro povão”
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/21220
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/21221
Na Manchete de 31 de janeiro de 1981, a parceria entre Elis Regina e Wayne Shorter ganha holofotes:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/199466
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/199467
Em edição de 20 de janeiro de 1982, o Jornal do Brasil enlutava: “Calou-se a voz mais alegre do Brasil”:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_10/291310
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_10/291313
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_10/291314
Também ao fim de janeiro de 1982, reportagem especial de Manchete fazia um retrospecto da carreira de Elis:
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207226
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207244
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207245
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207246
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207247
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207248
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207249
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/207250
Homenagens dos fãs Ziraldo e Roberto Moura a Elis Regina n’O Pasquim de 28 de janeiro a 3 de fevereiro de 1982: "Vou baixar no primeiro centro espírita e psicografar uma mensagem para o Pasquim"
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/24624
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/24626
http://memoria.bn.gov.br/DocReader/124745/24635
Fontes:
ECHEVERRIA, Regina. Furacão Elis. São Paulo: Globo, 1994.
FARIA, Arthur de. Elis: uma biografia musical. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2015.
MARIA, Julio. Elis Regina: nada será como antes. São Paulo: Master Books, 2015.
NAPOLITANO, Marco. Seguindo a canção: engajamento político e indústria cultural na trajetória da música popular brasileira (1959-1969). São Paulo: Annablume/Fapesp, 2001.