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Memória | A Ilha de Alcatraz e a lendária prisão

02 jun 2021

Artigo arquivado em Memória
e marcado com as tags Alcatraz, Biblioteca Nacional

A pequena ilha de Alcatraz conhecida como “The Rock”, localizada na Baía de São Francisco, Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, abrigou a conhecida penitenciária federal de segurança máxima entre os anos de 1934 e 1963.

Antes disso, porém, a ilha abrigou o primeiro farol de auxílio à navegação construído na costa do Pacífico durante a corrida do ouro na Califórnia. A primeira torre começou a ser construída em 1852 eo farol entrou em operação dois anos depois. A torre atual, mais alta e de concreto armado, data de 1909. A estação foi automatizada pela Guarda Costeira em 1963 e o farol de Alcatraz ainda hoje auxilia o direcionamento do tráfego marítimo na Baía de São Francisco.

O primeiro exame detalhado da ilha de Alcatraz foi realizado em 1847 por William Horace Warner, do Corpo de Engenheiros Topógrafos do Exército dos Estados Unidos. Com pequenas correções, suas pesquisas de campo serviram de base para planejar o papel da ilha no esquema de defesa permanente da Baía de São Francisco. Apesar de ser frequentemente associada à famosa penitenciária federal, "The Rock" desempenhou um papel fundamental na defesa do território durante décadas, devido à sua localização estratégica. A fortificação militar construída em Alcatraz tirava proveito de seus recursos defensivos naturais, como os penhascos rochosos e a costa quase inacessível.

Assim como outros postos militares nos Estados Unidos, Alcatraz contava com salas de prisão para os soldados da guarnição que violassem os regulamentos do Exército. No início da Guerra Civil (1861-1865)não havia uma política bem fundamentada para o confinamento de longo prazo de prisioneiros militares. De maneira casual, a ilha tornou-se prisão militar e local para o cumprimento de longas penas.

Em 1934, a prisão militar deu lugar à penitenciária federal de segurança máxima. Dentre seus notórios prisioneiros, o sempre mencionado Alphonse Capone, que cumpriu ali parte da pena de 11 anos por sonegação de impostos. No entanto, muitos prisioneiros não eram criminosos conhecidos, mas sim aqueles que se recusavam a obedecer às regras de outras instituições federais ou que ofereciam riscos maiores de fuga.

No início dos anos 1950, o diretor do Federal Bureau of Prisons, James Bennett, manifestou-se pela substituição da penitenciária de Alcatraz por outra menos difícil de operar em função da localização. Na década seguinte, constatou-se a deterioração dos edifícios e a necessidade de repará-los ou reconstruí-los. Alcatraz era a penitenciária federal mais cara do sistema, segundo Erwin Thompson, autor de “The Rock: a History of Alcatraz Island” e, após 29 anos de funcionamento, suas operações foram encerradas em 21 de março de 1963.

Em 1969 um grupo de indígenas que se autodenominava “Indians of All Tribes” ocupou a ilha em um movimento pelos direitos civis dos povos nativos norte-americanos, manifestando-se contra a “Termination Policy” e, de forma mais ampla, contra a longa história de violência e dizimação cultural. Por meio da “Alcatraz Proclamation”, os ativistas reivindicavam a ilha como território indígena, onde pretendiam criar um centro educacional, um centro espiritual, um centro ecológico e um museu.

De forma irônica, a Proclamação de Alcatraz considerava a ilha adequada para uma reserva indígena conforme os padrões do homem branco: um território isolado, sem água potável, sem instalações de saneamento, saúde ou educação, com solo rochoso e improdutivo, onde a população indígena, sem emprego e sem direitos sobre os recursos minerais, seria prisioneira e dependente de outras pessoas. O valor simbólico da ocupação de Alcatraz era fazer com que “navios de todo o mundo, ao entrarem no estreito de Golden Gate, vissem primeiramente as terras indígenas e, assim, fossem lembrados da verdadeira história da nação.”

(Seção de Iconografia)



Vista geral da ilha de Alcatraz, publicada na revista Vamos Lêr! (Rio de Janeiro, 1938)