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Música | Francisco Alves, o rei da voz

24 out 2020

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Francisco Alves, o filho de imigrantes portugueses, cantou em circos e clubes suburbanos, estreou no disco através de João Batista Fernandes Lage, marido-amante de Chiquinha Gonzaga, que o chamou para inaugurar o catálogo de sua gravadora, a Disco Popular. Suas primeiras gravações, em 1920, foram composições de Sinhô: “Pé de anjo” e “Fala meu Loro”. Foi o início da trajetória de um dos cantores mais populares da história da música brasileira.

Com seu estilo de frases melódicas alongadas e caprichando nos “erres”, foi campeão de vendas de discos no país. Mas não só isso. Francisco Alves aprendeu a farejar sucessos e descobrir preciosidades de autores inteiramente desconhecidos. Garimpava sucessos principalmente nos botequins do bairro do Estácio, no Rio de janeiro. Foi assim que iniciou sua profícua “parceria” com Ismael Silva e Nilton Bastos – a bem sucedida sociedade era apresentada nos selos dos discos como “Os Bambas do Estácio” – e com Bide, Alcebíades Barcelos. Francisco Alves descobriu um manancial artístico. Comprava as parcerias com os compositores e, com seu talento e carisma, lapidava as canções e transformava as músicas em sucessos. Noel Rosa foi seu parceiro de muitos sucessos. Faturava como compositor, apesar de não o ser, e como intérprete. Coube também a Francisco Alves o mérito de aproximar Noel Rosa de Ismael Silva, que se tornou seu parceiro mais frequente.

Além de um talento como cantor, foi responsável pela divulgação de um novo tipo de samba, surgido em um meio marginal, que começou a ter amplo ingresso no mundo do disco e do rádio. Direta ou indiretamente, ajudou a popularizar um relicário de obras primas da música brasileira.

(Seção de Iconografia)



“Vida, Glória e tragédia do grande Francisco Alves”. Revista do Radio, 21 de outubro de 1952.