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Biblioteca Virtual da Cartografia Histórica: do século XVI ao XVIII

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MAPA DA COMARCA DA BAHIA DE TODOS OS SANTOS, SUA DIVIZÃO HE DO RIO JIQUIRIÇA ATHE O RIO REAL PELA PARTE DO NORTE

O mapa com o título: “Mapa da Comarca da Bahia de Todos os Santos, sua divizão he do Rio Jiquiriça athe o Rio Real pela parte do Norte” foi feito no século XVIII, por um autor anônimo.

Ele mostra a baía de Todos os Santos e seus arredores. Ressaltando-se o rio Real, Mangue Seco, vila de Abadia, a vila Estância, o rio Tapicuru, Maranhão, o rio “Nhãhupe”, o rio “Sabauma”, Freguesia de “Nhambupe”, Malheiros, “Sabauma”, rio “Sauhipe”, Açu, o rio Pojuca, Torre d’Ávila, rio Caico, rio Catu, Cajueiro, Lagoinhas, Vila de Água Funda, Santana, Pojuca, Mota, “Panage”, o rio Jacoipe, Bonfim, Feira, Monte Gordo, Ponta Espera, Capivari, vila Abrantes, rio Joane, São Sebastião, “Jucaracanga”, engenho, São Miguel, São Tomé, Santo Antônio, Santo Amaro, o rio Pitanga, a pedra de Itapoã, Itapoã, o rio das Pedras, os Baixos do rio Vermelho, o forte do Rio Vermelho, a ponta de Santo Antônio, o forte de Santo Antônio, Vitória, o forte do Mar, o forte de Monserrat, a Ilha dos Frades, Nossa Senhora do Socorro, engenhos, a vila de São Francisco, a vila de Santo Amaro e a Ilha de Itaparica.

A cidade de Salvador foi a primeira cidade fundada nas terras do Brasil. Antes de 1549, data de sua fundação, existiam vilas, das quais são exemplos as que foram criadas nas capitanias ao longo da costa. É certo que nenhuma delas possuiu a categoria de cidade. Os donatários fizeram somente o que lhes era permitido nas cartas de doação e pelos forais: criar vilas.

A Torre d’Ávila é uma espécie de castelo senhorial, erguido por Garcia D'Ávila a partir de 1551 para sede dos seus domínios, no litoral próximo ao Rio Real (ao Norte de Salvador). Participou da resistência luso-espanhola às invasões holandesas como quartel-general, fornecendo tropas e mantimentos, e mais tarde, quando da independência, serviu de base ao "Exército Libertador", comandado por Antônio Joaquim Pires de Albuquerque, agraciado com o título de Barão da Torre de Garcia D'Ávila pelos importantes serviços prestados ao nascente Império.

Sobre os engenhos que aparecem ao longo do mapa, cabe ressaltar as suas importâncias fundamentais na estrutura econômica e social da Colônia. O engenho de açúcar é a unidade produtiva que melhor caracteriza as condições de riqueza, poder, prestígio e nobreza do Brasil. O historiador Ronaldo Vainfas lembrou que havia hierarquias entre os engenhos. O mais rico e mais complexo era o engenho real, movido à água. Estes senhores tinham em torno de si uma grande variedade de oficiais de serviço a soldo, necessários à produção, como mestre de açúcar, purgador, calafates, carpinteiros, pedreiros, carreiros, oleiros, vaqueiros, pastores, pescadores, caixeiros, feitores. E um grande número de escravos: os de enxada e foice, para a lavoura, os da moenda e, ainda, os domésticos. O senhor também administrava sua família, mulher, filhos e agregados, transpondo ao governo da casa o poder que adquiria na administração da produção e na esfera política. O cabedal (bens) que tinha de ter um senhor do chamado engenho real deveria ser grande o suficiente para enfrentar os elevados custos de implantação e funcionamento do engenho. Os demais engenhos, movidos por escravos ou animais, e as engenhocas, voltadas para a produção de aguardente, exigiam investimento menor.


REFERÊNCIAS

HOLANDA, Sérgio Buarque de. História Geral da Civilização Brasileira. 7.ed. São Paulo: Difel, 1985. t.1, v.1.
PINTO, Alfredo Moreira. Apontamentos para o Diccionario Geographico do Brazil. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1899.
TAVARES, Luís Henrique Dias. História da Bahia. 10.ed. São Paulo: Ed. UNESP ; Salvador: Ed. UFBA, 2001.
VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

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