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Pernambuco 1817 – A Revolução

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Perfis dos Mártires

 

José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, o padre Roma


Nasceu no Recife. Ainda jovem entrou para o Convento do Carmo de Goiana, de onde foi estudar teologia em Coimbra. Em Roma, ordenou-se padre. Grande orador, defendia em seus sermões as idéias liberais e anticolonialistas. Uniu-se à maçonaria. Republicano, ajudou na instalação do Governo Provisório de Pernambuco. Foi designado para buscar apoios externos ao novo governo. Em missão à Bahia, foi denunciado e preso pelas forças do conde dos Arcos em 26 de março, quando foi submetido a julgamento como traidor. Morreu fuzilado no dia 29 de março.


Domingos José Martins


Natural do Espírito Santo, foi comerciante de grande fortuna. Homem de boa educação, estudou em Portugal e, posteriormente, em Londres, onde frequentou ambientes liberais e conheceu Francisco de Miranda, que lutara na revolução americana e pela emancipação da Grã-Colômbia. Republicano convicto, mantinha contato estreito com a maçonaria inglesa. Chegando a Pernambuco nos primeiros anos do século XIX, casou-se com a filha do abastado coronel Bento José da Costa. Um dos chefes da insurreição, foi membro da Junta Provisória do governo republicano. Foi preso no Recife e enviado a Salvador, onde foi fuzilado por crime de lesa-majestade, no Campo da Pólvora, hoje Praça dos Mártires, em 12 de junho.


José Luís de Mendonça


Homem de letras e advogado, gozava de grande respeito em Pernambuco, onde nasceu. Crítico dos abusos da administração colonial, tinha preferência pelo regime monárquico constitucional. Negociou com o governador Caetano Pinto sua renúncia. Foi membro da Junta Provisória do governo republicano. Foi redator do Preciso, manifesto divulgado em 9 de março. Embora moderado, foi preso no Recife e enviado a Salvador, onde foi condenado por crime de lesa-majestade e fuzilado no Campo da Pólvora, em 12 de junho.


Padre Miguelinho


Miguel Joaquim de Almeida Castro, o padre Miguelinho, nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte. Cedo foi estudar no Recife e, em seguida, ingressou na Ordem dos Carmelitas Reformados. Estudou também em Portugal onde tomou contato com a filosofia iluminista e com as teses libertárias das revoluções europeias e da emancipação americana. Teólogo, filósofo e ilustre orador, foi professor de retórica no seminário de Olinda, centro difusor do ideário liberal em Pernambuco. Foi nomeado secretário do Governo Provisório em cujas funções recebeu o auxílio de Frei Caneca. Restaurada a autoridade régia, foi levado para Salvador, onde foi condenado e executado no Campo da Pólvora em 12 de junho.
Padre Miguelinho, José Luís Mendonça e Domingos Martins figuram nas páginas do livro do padre Dias Martins, Os Mártires Pernambucanos, publicado no Recife em 1853, como heróis da pátria pernambucana.


Padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro


Nascido em Tracunhaém, Pernambuco, foi discípulo do padre Arruda Câmara, naturalista e intelectual liberal. Padre João Ribeiro estudou em Portugal e foi membro da Academia Real de Ciências de Lisboa. Homem culto, foi professor de desenho no seminário de Olinda. Fundou no Recife a Academia do Paraíso para difundir os ideais libertários e republicanos. Integrou a jun¬ta do Governo Provisório. No exercício do poder, reformou o sistema tributário, criou a primeira polícia brasileira e extinguiu o monopólio dos mascates portugueses no comércio de alimentos. Decretou a alforria dos escravos alistados no exército, considerado o primeiro ato abolicionista do Brasil. Junto com o pintor José Alves, criou a bandeira da República. Quando vencidas as tropas republicanas, retiradas no engenho Paulista, enforcou-se na capela do local. Seu corpo sepultado foi violado e teve separada a cabeça do tronco. Essa foi espetada como estandarte em exibição pelas ruas do Recife onde ficou exposta no pelourinho.


Antônio Henriques Rabelo


Foi tenente da artilharia do regimento do Recife. Nascido no Ceará, mudou-se para o Recife na infância. Recebeu esmerada educação. Participou ativa¬mente da insurreição militar do Regimento da Artilharia. Ocupado o Recife pelas tropas rea¬listas, escondeu-se no município de Paulista, mas foi denunciado por um escravo de seu pai. Instalada a Comissão Militar, foi preso e condenado. No dia 5 de julho de 1817, aos 25 anos, subiu ao patíbulo no Recife. Seu corpo morto foi esquartejado. Foram cortadas as mãos e a cabeça decepada ficou presa em um poste. Seus restos foram arrastados pelas ruas do Recife à cauda de cavalo até o cemitério de Santo Antônio, onde foi sepultado.


Domingos Teotônio Jorge Martins Pessoa


Nasceu em Pernambuco numa família de origem humilde. Tornou-se capitão da artilharia da praça do Recife. Com sólida formação literária, era muito respeitado na corporação. Ligou-se à maçonaria e converteu-se num dos principais cabeças do movimento revolucionário. Foi membro da junta do Governo Provisório, re¬presentando as forças armadas. Em 18 de maio, quando já estava bloqueado o porto do Recife pela esquadra monarquista, foi feito "ditador", comandante único do Governo Provisório. Foi sentenciado no dia 8 de julho pela Comissão Militar de Pernambuco presidida pelo governador Luís do Rego, empossado no cargo no dia 1° de julho. Foi executado no dia 10 de julho, no então Campo da Honra ou do Erário, hoje Praça da República, onde foi montado o patíbulo. Descido o cadáver da forca, suas mãos foram cortadas, a cabeça decepada e exposta em poste. Os restos do seu corpo foram arrastados pelas ruas do Recife até o cemitério.


José de Barros Lima, O Leão Coroado


Natural de Pernambuco, foi denominado Leão Coroado em razão de sua calvície em forma de coroa e, principalmente, pela sua intrepidez e bravura. No levante do dia 6 de março, no quartel da artilharia, vitimou o general Barbosa de Castro com sua espada. Foi sentenciado e executado na forca, no Recife, no mesmo evento do dia 10 de julho, junto com Domingos Teotônio e o padre Pedro de Souza Tenório. Sua cabeça foi exposta em Olinda e as mãos decepadas no quartel do regimento.


Padre Pedro de Souza Tenório


Nascido no Recife, foi morador e vigário de Itamaracá, onde apoiou o movimento revolucionário. Amigo da liberdade e das teses anticolonialistas, apoiou o rebeldes pernambucanos. Rendeu a Fortaleza de Santa Cruz e, depois, foi ajudante do secretário do Governo Provisório, padre Miguelinho. Foi igualmente condenado e executado no patíbulo armado no Recife no dia 10 de julho. Sua cabeça foi exposta em Itamaracá e as mãos em Goiana.


Bárbara Alencar


Nascida no sertão pernambucano, era domiciliada no Crato, Ceará. A ilustre viúva era mãe de três filhos homens adeptos da causa revolucionária de Pernambuco. Por defender os filhos, foi presa em suas terras às margens do rio do Peixe. Foi inicialmente levada para Fortaleza, onde estavam presos os filhos. Posteriormente, junto com a família, foi remetida para a alçada de Pernambuco. Do Recife, foi mandada para os cárceres na Bahia, onde permaneceu presa até 1821, retornando então com a família para o Crato. A figura histórica de Bárbara Alencar assume hoje proporções mitológicas. Ela é considerada a primeira presa política do Brasil.


Antonio Gonçalves da Cruz, o Cabugá


Nascido no Recife, Cabugá foi um rico mestiço comerciante de grosso trato. Adepto da maçonaria, comungava dos princípios liberais. Quando instalado o Governo Provisório em Pernambuco, foi enviado para os Estados Unidos para obter o reconhecimento do governo republicano e adquirir armas e munições. Desembarcou na Filadélfia com o equivalente a 800 mil dólares. Também tratou de aliciar oficiais bonapartistas emigrados da França sob a restauração monárquica. Chegaram às costas do Nordeste o Conde de Pontecoulant, Latapie, Artong e Raulet. O plano era o de resgatar Napoleão da Ilha de Santa Helena e fazer de Pernambuco um estado independente sob o protetorado do Corso. Do secretário de estado americano Richard Rush, obteve o compromisso da liberação da entrada dos navios pernambucanos em águas americanas. Com a queda do governo republicano, permaneceu nos Estados Unidos e teve seus bens confiscados. Em 1821, com o perdão real, voltou ao Brasil e pode reaver os bens. Em 1831 foi no¬meado cônsul geral na Bolívia.


Napoleão Bonaparte


Foi oficial militar e líder político francês. Com o nome de Napoleão I, foi proclamado imperador da França em 18 de maio de 1804. Seu reinado se estendeu até 1814, quando foi forçado a abdicar e se exilar na ilha de Elba. Retornou ao poder de 20 de março a 22 de junho de 1815, quando foi derrotado na batalha de Waterloo. Sob seu comando, o império francês se envolveu em conflitos com as potências europeias. Durante as chamadas guerras napoleônicas, Portugal foi invadido, o que forçou o traslado da corte portuguesa para o Brasil em 1808.
Napoleão passou os últimos 6 anos de sua vida confinado pelas forças britânicas na ilha de Santa Helena. Em 1817, os insurretos pernambucanos entraram em contato com oficiais bonapartistas exilados nos Estados Unidos, através de Antônio Gonçalves da Cruz, o Cabu- gá, plenipotenciário do Governo Provisório em Washington. O plano era resgatar Napoleão e tornar Pernambuco um estado independente sob seu protetorado.