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Documento da Semana | Dia Nacional do Samba: Uma Narrativa de Memória e Transformação

02 dez 2025

Celebrado em 2 de dezembro, o Dia Nacional do Samba homenageia uma das mais potentes e reconhecidas expressões culturais brasileiras. A data, estabelecida em 1964 pela Câmara de Vereadores do então estado da Guanabara, consolidou-se como um marco de memória e identidade que transcendeu fronteiras.

A história do samba é marcada por complexidade e múltiplos olhares. Embora suas origens sejam tema de debates, com manifestações sendo localizadas tanto na Bahia, nas celebrações de tradições africanas, quanto no Rio de Janeiro, em situações análogas, o consenso historiográfico reconhece o samba urbano carioca como a forma que se nacionalizou e ganhou alcance mundial a partir do início do século XX. Independentemente das disputas de origem, é fundamental o reconhecimento de que o samba é fruto do sincretismo cultural brasileiro, gerado a partir de uma forte e inegável matriz africana e que incorporou elementos rítmicos e harmônicos de outras culturas, incluindo europeias.

Na região do Rio de Janeiro conhecida como Pequena África, os terreiros das chamadas “tias baianas” tornaram-se cruciais espaços de sociabilidade e criação, reunindo figuras pioneiras como Donga, Pixinguinha e João da Baiana. Esses ambientes são amplamente associados ao processo de formação do samba urbano, com o marco simbólico da composição de "Pelo Telefone" (1916), um samba de autoria debatida, mas cuja origem remete às rodas de criação coletiva, como a famosa casa de Tia Ciata.

O reconhecimento do samba como patrimônio cultural envolveu tanto as manifestações populares quanto as instituições. A Biblioteca Nacional, por exemplo, destaca-se como guardiã de um vasto acervo de documentos e partituras que narram essa trajetória. No entanto, foram as comunidades negras, as escolas de samba, os terreiros, os compositores e os bairros populares que exerceram o papel central na criação, difusão e sustentação do ritmo.

A BN, em sua função de salvaguarda, registrou obras iniciais como "Pelo Telefone", um ato de formalização que ajudou a estabelecer os fundamentos do gênero em um momento de transição musical. Esse registro foi importante, mas deve ser compreendido dentro de um processo mais amplo que envolveu a indústria cultural e o rádio, que foram essenciais para a difusão e a nacionalização do samba a partir dos anos 1930.

Gerado no batuque ancestral, o samba acompanhou o país em suas transformações. O ritmo se estabeleceu como um poderoso símbolo das raízes africanas na cultura brasileira, expressando uma voz de identidade, resistência e transformação, que ecoou das margens para se tornar uma narrativa central da nação.

Mais do que um gênero musical, o samba é um espelho do Brasil. O Dia Nacional do Samba celebra a importância de preservar não apenas melodias e versos, mas sobretudo raízes, memórias e o significado histórico e social de sua jornada.

A Divisão de Música e Arquivo Sonoro da Fundação Biblioteca atua como uma guardiã dessa memória e as torna acessíveis a todos por meio de seus acervos musicais e de partituras. Ainda, a BNDigital com artigos e exposições, como “Ai, ai, ai... cem anos: o samba faz”, reafirma o compromisso de transformar o acervo em instrumento de conhecimento e valorização cultural. O documento em destaque é na verdade uma seleção de arquivos sonoros de sambas antigos e ritmos que o influenciaram, disponíveis no acervo da instituição e que podem ser degustados em breves trechos em um dos capítulos da exposição sobre os cem anos do samba, lançada em 2016, por ocasião do centenário de registro da partitura de “Pelo Telephone”. Fica aqui um convite para ouvir e navegar pela história desse grande símbolo da cultura brasileira.

Acesse a seleção de arquivos sonoros na BNDigital:

https://bndigital.bn.gov.br/exposicoes/ai-ai-ai-cem-anos-o-samba-faz/ritmos-que-influenciaram-o-samba/

 

Referências:

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BIBLIOTECA NACIONAL. O papel da Biblioteca Nacional na formalização do samba. In: Exposição virtual Ai, ai, ai... cem anos: o samba faz. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. Disponível em: https://bndigital.bn.gov.br/exposicoes/ai-ai-ai-cem-anos-o-samba-faz/o-papel-da-biblioteca-nacional-na-formalizacao-do-samba/. Acesso em: 12 nov. 2025.

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