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Apresentação

Memória e Redenção

A Biblioteca Nacional do Brasil é um admirável repositório da biodiversidade. A riqueza de suas coleções registra as marcas de uma série de biomas, fauna e flora, herança da memória mineral, de estratos mais profundos e camadas que circunscrevem parcialmente o nosso acervo. Os fundamentos da agenda 2030 vivem na dimensão cartácea e digital, através de autores clássicos, da geologia de Kircher à flora de  Conceição Veloso, da história natural de Guilherme Piso ao céu astronômico de Valentim Stansel, por onde passam aves e peixes, rochas e estrelas.

Uma riqueza não apenas global ou sistêmica, mas igualmente específica, do grande ao micro espaço, no âmbito global e local.

A exposição, que nasce de uma iniciativa da Escola de Belas Artes da UFRJ e do Grupo L’Oréal, dirige seu olhar ao Fundão, à ilha da baía da Guanabara, que resultou do aterro de um breve arquipélago, nas décadas de 40 e 50 do século XX: desenho ou metamorfose de uma cidade inquieta, mil vezes modelada pelos homens, ao mesmo tempo degradada e redimida, entre a pesca fantasma e as barreiras de lixo, nos domínios de um ecossistema ferido.

A mostra resume um pacto em construção, na esfera pública e privada, regida pela ação concreta e educadora, no triângulo virtuoso da Universidade – pesquisa, ensino e extensão.

Quem conhece a ilha, metafórica e real, surpreende-se com os indivíduos que resistem, em cada espécie, e guardam o espólio da beleza, que depende de nossa resposta, como promessa de um futuro sustentável.

Marco Lucchesi
PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL